Jornal São Paulo Zona Sul

Vila Mariana vai ganhar Museu Água de São Paulo

A Vila Mariana está se transformando. Muitas antigas casas estão sendo demolidas para dar lugar a prédios. Empresas estão desaparecendo e outras surgindo. O movimento que começou nos anos 1990 se intensificou recentemente e há iniciativas pelo bairro para preservar vilas e antigos sobradinhos por meio de tombamento.

Paralelamente, por mais que possa soar contraditório, o bairro vem ganhando em preservação de memória e história, em seu cenário cultural. Como? Pela implantação de museus e espaços culturais.

O próximo deles será o Museu Água de São Paulo, uma iniciativa da Associação de Engenheiros da Sabesp (AESabesp), que vai ocupar antigas casas pertencentes à concessionária de águas e que atualmente abrigam apenas bombas que facilitam a chegada da água encanada a regiões mais altas da capital.

Os imóveis datam da década de 1920 e pertenciam à antiga Repartição de Águas e Esgotos da cidade.

O Museu

Com previsão para começar a ser construído em 2020, o Museu da Água paulistano é inspirado em diversos espaços dedicados ao tema, como o Water Museum da Unesco, que tem unidades em várias cidades do mundo, o Museu da Água de Indaiatuba/SP e o Museu do Saneamento de Curitiba/PR.

“A ideia é ser um espaço interativo, com exposições permanentes e temporárias, para que as pessoas visitem e voltem a visitar depois de algum tempo. Abordará temáticas como a água na natureza, água tratada e levada às residências, água de chuva e água de esgoto, entre outros. Um espaço de experiência para o conhecimento das diversas formas da água, seus usos, sua interação com a natureza e sua importância para a sociedade, cuidar do passado com um olhar no futuro, no circuito cultural de São Paulo. Queremos aproximar a sociedade dos temas de saneamento e meio ambiente e também torná-los mais acessíveis às escolas”, explica a presidente da AESabesp, Viviana Borges.

Além de uma nova área de lazer e cultura na cidade, o Museu pretende estimular o interesse das pessoas pela história do saneamento, a criatividade e o envolvimento da sociedade para a preservação e uso racional da água. “Por meio desse espaço de convivência, podemos desenvolver a consciência sobre o valor da água e da natureza”, frisa a presidente da entidade.

O Museu ocupará uma área de aproximadamente 2.400m², pertencente à Sabesp, e contará com uma praça de integração entre o MAC – Museu de Arte Contemporânea e o Instituto Biológico.

Concebido sob o conceito autossustentável, terá auditórios, que poderão ser alugados, e espaços comerciais, como café e loja.

A estimativa de investimento é de R$ 17 milhões. A Sabesp deve ser uma das empresas apoiadoras, mas a AESabesp busca outros parceiros para o empreendimento.

Concurso

Para transformar as antigas casinhas desse trecho da Rua França Pinto em Museu que retrata toda a história do saneamento e defende a preservação de nossos mananciais, foi lançado no dia 21 de outubro, segunda, um concurso .

O edital  divulgado pela AESabesp define os critérios para premiar os melhores projetos arquitetônicos para o futuro Museu Água de São Paulo. Está disponível nesse link: aesabesp.org.br/museu-agua. De acordo com a associação, o concurso tem como objetivo buscar as melhores ideias e alternativas arquitetônicas para o restauro e ampliação do edifício da antiga Repartição de Águas e Esgotos, atualmente chamada de Centro de Reservação França Pinto, e implantação do empreendimento cultural.

Os interessados em participar do edital devem apresentar projetos que contemplem o paisagismo do local, a circulação de pessoas, a iluminação, bem como todos os outros elementos construtivos que levem à implantação do Museu. As inscrições por projeto custarão R$ 300,00 e podem participar grupos de até cinco integrantes ou propostas individuais. A premiação vai oferecer mais de R$ 80.000,00 para as melhores propostas.

As inscrições estarão abertas a partir do dia 30 de outubro e os proponentes deverão comprovar seus registros no CREA ou no CAU. Os projetos serão avaliados com base em sua excelência técnica, funcional e estética, além de outros critérios como viabilidade de execução, relação custo-benefício, alternativas para atendimento de acessibilidade e o interesse público.

Viviana Borges, presidente da AESabesp, apresenta concurso para projeto arquitetônico do Museu Água de São Paulo. Edital será publicado na segunda, 21 de outubro. Foto: AESabesp/Divulgação

Rica vizinhança

Em 1992, o bairro ganhou o maior acervo audiovisual da América Latina com a transferência da Cinemateca para o prédio histórico do antigo Matadouro Municipal.

Em 2012, o prédio que por décadas abrigou as salas burocráticas do Detran passou a abrigar o Museu de Arte Contemporânea (MAC) USP – vale ressaltar que o edifício, da década de 1950, foi projetado por Oscar Niemeyer.

O futuro Museu Água de São Paulo também ficará próximo ao histórico prédio do Instituto Biológico, da década de 1930, com seu cafezal urbano, além do Museu Biológico, com seu Planeta Inseto.

Ainda na mesma região, há o prédio da Assembleia Legislativa, igualmente tombado como patrimônio histórico e que abriga exposições culturais e acervo histórico.

O próprio Parque do Ibirapuera conta com outros espaços que completam um cenário rico em cultura para quem quiser estabelecer roteiros o ano todo: Auditório com shows, Oca com exposições, Pavilhão Japonês, Umapaz com cursos e outras oficinas, Planetário e Escola de Astrofísica, Escola de Jardinagem e Viveiro Manequinho Lopes, Bosque da Leitura, Pavilhão da Bienal

1 comentário

  • O local fica em frente à praça Soichiro Honda, com obras da artista Amelia Toledo, sendo o maior parque escultórico a céu aberto do país. Pena que ninguém lembre da praça e do seu valor. Nem mesmo o poder público já que o local está bem abandonado. Pessoal da sabesp: temos um projeto pro local e já tentei muito falar com vocês, sem retorno. Fico à disposição. Fernando Spaziani

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