Jornal São Paulo Zona Sul

Escola Alberto Levy pode ser fechada?

Um grupo de mães de alunos das escolas estaduais Professor Paulo Rossi e Rui Bloem, localizadas em Mirandópolis, foram procurar apoio na Assembleia Legislativa de São Paulo. Elas denunciam que a Secretaria de Estado da Educação está direcionando alunos de outra escola tradicional da região para lá e superlotando as salas. O objetivo? Concentrar os alunos nas duas escolas de Mirandópolis e fechar a outra unidade.

A Escola em questão é uma das mais tradicionais da cidade: Alberto Levy, localizada na Avenida Indianópolis, no Planalto Paulista, esquina com Alameda dos Guainumbis.

A notícia causou espanto não só nos atuais alunos do Levy, como é carinhosamente conhecida a unidade, mas também em ex-alunos que integram grupos em redes sociais na internet.

Escola existe há mais de 65 anos

Referência em bons resultados na educação pública ainda nos dias de hoje, o Levy existe desde a década de 1950.

O nome Professor Alberto Levy foi em homenagem a um professor britânico que chegou a ocupar cargo de vice Cônsul na capital paulista e envolveu-se em movimentos políticos da época. Foi oficializado em 6 de maio de 1954, por um decreto estadual. Até então, a unidade era conhecida apenas como Colégio Estadual de Indianópolis.

Por lá passaram figuras como o ex-ministro da educação Renato Janine Ribeiro, que contou em entrevista ter tido aulas de latim e grego na unidade, além de filosofia com a também conhecida Marilena Chauí.

Secretaria nega fechamento

Procurada, a Secretaria de Estado da Educação, por meio da Diretoria Regional de Ensino Centro Oeste, informou que as salas de aula das escolas estaduais Rui Bloem e Paulo Rossi atendem os alunos dentro do módulo estabelecido pela Resolução SE nº 02, de 8 de janeiro de 2016.

E ainda garantiu que, em relação a Escola Estadual Professor Alberto Levy, não existe nenhum estudo para realizar o fechamento da unidade. “A escola atende nos três turnos –  manhã, tarde e noite – e as atividades transcorrem dentro da normalidade”, diz a nota.

Mas a explicação continua não convencendo muita gente. Há denúncias na comunidade de descaso com o prédio e falta de professores.

Em 2015, o governo chegou a anunciar que fecharia várias unidades por todo o Estado, o que causou greves e ocupações por alunos indignados.

O Governo recuou mas há suspeitas de que o desmonte vem sendo feito de forma paulatina e por meio de medidas como o abandono dos prédios, a não contratação de professores e a transferência ou não aceitação de matrículas.

Discurso na Assembleia Legislativa

É o que acredita o deputado estadual Carlos Giannazzi, do Psol, que atua em educação e recebeu as mães de alunos na Assembleia Legislativa. Giannazzi fez um duro discurso contra o governo.

“Já faz mais de quatro anos que venho denunciando atitudes criminosas como essa. A Secretaria da Educação fecha escolas, salas e turnos à custa da superlotação de outras unidades”, afirmou o parlamentar, que levou o grupo de mães ao plenário para dar conhecimento do apelo aos demais deputados.

Giannazi ainda frisou que a formação de turmas com mais de 40 alunos é apenas um dos sintomas da falta de financiamento, que se reflete também na deterioração dos prédios e no escasso número de funcionários. “É muito difícil encontrarmos uma escola da rede estadual com o módulo de servidores completo, principalmente os do quadro de apoio escolar”, destacou.

Comprometendo-se a levar o caso ao Ministério Público e à Comissão de Educação da Alesp, o líder do PSOL lamentou o comprometimento da qualidade de ensino da Rui Bloem, uma das escolas mais bem pontuadas em avaliações institucionais como o Sistema de Avaliação de Rendimento Escolar do Estado de São Paulo (Saresp).

Outras desconfianças

Antigo Laboratório DF Vasconcelos, atualmente propriedade do Creci que está à venda (esquerda na imagem acima) fica ao lado da escola Alberto Levy. São dois quarteirões inteiros, que totalizam cerca de 20 mil metros quadrados

A vizinhança da escola ainda tem outras desconfianças. O Levy ocupa um quarteirão inteiro do Planalto Paulista, ao lado da antiga sede da DF Vasconcelos. O prédio histórico, igualmente da década de 1940, está à venda pelo Creci, entidade de classe pelo qual foi comprado há oito anos, mas nunca chegou a ser efetivamente ocupado ou reformado. A desconfiança é de que possa haver algum interesse imobiliário na área formada por esses dois quarteirões vizinhos.


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