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Urbanismo

Vila Mariana recupera nascente o Córrego do Sapateiro

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Riacho que hoje corre subterrâneo é o responsável por alimentar o Lago do Parque do Ibirapuera

A celebração do aniversário de um bairro, em geral, é algo simbólico, já que dificilmente é possível precisar o dia em que “nasceu” aquele canto da cidade. Um decreto municipal estabeleceu que a Vila Mariana comemora seu aniversário em 3 de setembro – e nessa sexta estará chegando aos 126 anos.

Simbólica também será a maneira de marcar a passagem da data: inaugurando a recuperação da nascente do Córrego do Sapateiro, um dos principais cursos d’água da região, que corre sob o asfalto que recobre a região na atualidade, mas ainda tem a importância vital de ser o riacho que abastece o Lago do Ibirapuera, no principal e mais conhecido parque  da cidade.

A obra é resultado de uma parceria entre a Subprefeitura de Vila Mariana, Conselho Participativo local e Associação de Moradores da Vila Mariana.

Para ter o destaque que merece, a nascente ganhou paisagismo, portões, recuperação do piso de paralelepípedo e ganhou pintura nas paredes que a envolvem. Outro destaque é para um painel feito por artistas parceiros da Associação de Moradores da Vila Mariana.

Pelo trajeto, foram instalados paralelepípedos intertravados. Os blocos de cimento têm pequenas saliências, impedindo que eles se encostem e bloqueiem a passagem da água para o solo. O vão entre os tijolos é completado com areia, garantindo proteção ao mesmo tempo em que mantém a permeabilidade.

Além de garantir a volta da água da chuva aos cursos subterrâneos, a permeabilidade é fundamental em pontos da cidade para evitar alagamentos – em especial ao redor de uma nascente – em períodos de chuvas intensas.

A parceria

“A parceria entre Subprefeitura, Conselho Participativo e a associação de moradores da região permitiu um diálogo aberto entre todas as partes e uma vasta troca de ideias”, avalia Denise Delfim, presidente da AMA-VM.

“O projeto também visa a valorizar e trazer a atenção do público para as águas subterrâneas de São Paulo”, conclui. Ela ainda relembra que – em seus primórdios, há mais de 120 anos, o bairro cresceu em torno de um Matadouro Municipal – hoje um prédio histórico e ocupado pela Cinemateca Brasileira. “É  uma região com grande riqueza hídrica, que conta com mais de 13 nascentes”, relata.

O bairro

O Matadouro Municipal funcionava, até o final do século XIX, na região central da cidade. Mas, com o crescimento urbano e aumento da população naquela região, foi construído um novo na Vila Mariana, na virada para o século XX. O abate dos animais consumia muita água, gerava resíduos e, em pouco tempo, mesmo o novo endereço se tornou insustentável para o tráfego de boiadas, trens e para a própria atividade de abate.

Em 8 de janeiro de 1928, o Matadouro foi definitivamente desativado, a carne consumida na cidade passou a ser importada e o prédio passou por diferentes usos, especialmente como depósito, até ser tombado como patrimônio histórico, receber restauro e passar a abrigar a Cienmateca.

O evento

O evento será na Rua Luftalla Salim Achoa (Travessa da Rua Capitão Cavalcanti), às 15h do dia 03 de setembro e contará com a presença de representantes de todas as partes envolvidas na revitalização e do Projeto Rios e Ruas, uma iniciativa voltada para desvendar e cuidair das águas subterrâneas.

É gratuito e aberto à participação da comunidade local.

 

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