Jornal São Paulo Zona Sul

Vida sustentável é também econômica

30O amor pelo planeta não é – ou não deveria ser – apenas uma ideia romântica e distante, mas sim uma preocupação real e cotidiana.

Quem vive em grandes centros urbanos pode seguir o conceito de ambientalistas e especialistas em sustentabilidade – “pensar global e agir local”. Em outras palavras, é possível se preocupar com a proteção da Floresta Amazônica, com a limpeza dos oceanos e rios ou com a sobrevivência da fauna e da flora agindo apenas com o que está ao seu alcance cotidiano, procurando dar a destinação adequada aos diversos tipos de resíduos que cada um gera diariamente, da limpeza da cidade, ficando atento aos animais em meio urbano.

Não é preciso se tornar um ativista para contribuir com a coletividade e desenvolver uma atitude que seja benéfica para a cidade, melhore sua saúde e até permita economia doméstica.

Economize

O consumo consciente permite economia nas compras, redução das contas de energia e água, além de até estimular melhor qualidade de vida com equilíbrio no contato com a natureza e alimentação mais saudável.

Uma forma inteligente de contribuir para a limpeza urbana e ainda desenvolver essa nova atitude perante a natureza pode ser por meio da atenção à geração doméstica de resíduos. Qual o volume de “lixo” produzido em sua casa? Não está sendo jogada comida fora? E quantidade de embalagens gerada, não é excessiva e não indicaria muito consumo de produtos industrializados?

E quanto ao lixo eletrônico? Consome muitas pilhas e bateriais? Troca excessivamente de aparelhos celulares, de tevê e suprimentos de informática?

Depois de responder a essas perguntas e tentar reduzir a geração de resíduos, é momento de separar tudo que for reciclável para dar a esse material destinação correta.

Vale lembrar que a cidade conta com coleta seletiva domiciliar, que em muitos dos bairros das zonas Sul e Leste da capital chegam a ser prestados duas vezes por semana pela concessionária Ecourbis Ambiental.

Para saber as datas e horários em que os serviços de coleta regular ou seletiva são prestados na rua onde mora, basta acessar: www.ecourbis.com.br/coleta/index.html.

Desperdiçar é caro

Preservar o meio ambiente significa também deixar um planeta habitável e viável para as gerações futuras – de seres humanos, animais e toda forma de vida.

“Minha mãe é bióloga e cresci com ela ensinando a mim e meus irmãos qual nossa responsabilidade com o meio ambiente”, conta a administradora Lais Galhardi.

Ela e o marido Rogério, que é médico vivem em uma casa do bairro Chácara Inglesa, com um bom quintal ajardinado onde seus sete cachorros podem ter espaço. “Aqui em casa temos um local para captar água da chuva e até a água do chuveiro a gás, antes de aquecer, guardamos para usar no quintal e outras tarefas domésticas”, relata.

“Começamos a reciclar desde muito cedo, água sempre foi usada com consciência assim como a energia elétrica. Carrego comigo essa consciência há muito tempo”, diz ela.

O casal Gagliardi, com consciência contrária ao desperdício e de preservação ambiental, faz parte de uma minoria? Infelizmente, sim.Os números oficiais mostram que os cidadãos paulistanos, em média, reciclam apenas 7% de seu lixo. Isso sem falar das tristes estatísticas que mostram quanto de comida é jogado fora, quanto de gasto em energia e água poderiam ser evitados no ambiente doméstico…

Decisão saudável

A mesma atitude atenta e econômica se repete em atitudes cotidianas como nas compras de supermercado e acondicionamento diário dos resíduos. “Não consumimos enlatados tampouco embutidos. Como sou vegetariana e base é verdura, legumes e frutas e ao comprar estes alimentos, por exemplo, dou preferência aos que vêm embalados somente em sacos plásticos que posso reutilizar ou reciclar”, afirma Laís. “A reciclagem está presente em tudo em casa”, garante.

Ela acompanha todas as ações no sentido de incentivar a redução da quantidade de resíduos gerada na cidade e também para ampliação da coleta seletiva e reciclagem. “Tive a sorte de ser convidada a conhecer a central de triagem da Prefeitura e fiquei encantada com o que vi ali”, relata, referindo-se à Central Mecanizada de Triagem – CMT Carolina Maria de Jesus, em Santo Amaro, que é operada pela EcoUrbis.

O vidro ela leva pessoalmente ao supermercado do bairro. De lá, o material é encaminhado a uma cooperativa para reciclagem e os eletrônicos leva até a Subprefeitura da Vila Mariana. “E por aí vai, mas quando não sei onde posso fazer o descarte correto de determinado material sempre consulto o site www.ecycle.com.br”, dá a dica.

Plásticos

Outra preocupação moderna é com a questão dos plásticos pelo planeta. Embora seja muito comum, prático e barato de ser produzido, o custo dele para o meio ambiente é alto. Nem todos os itens feitos desse material em suas diferentes apresentações são efetivamente recicláveis. O “isopor”, por exemplo, com técnicas ainda difíceis, caras e complexas para ser transformado.

“Fiquei impressionada em saber a quantidade de plástico que não é reciclada”, diz.

Reciclados

Vale ainda destacar a importância de se comprar itens feitos a partir do material reciclado, para estimular o processo de transformação não só do plástico mas também do papel, do vidro e do metal.
Até quando passeia com seus cães pelo bairro, ela tem a preocupação não apenas de manter a cidade limpa, recolhendo as fezes do animal, mas também usando saquinhos de plástico biodegradável.

“Além disso, desde criança aprendi que se tivesse com algo na mão e quisesse jogar no lixo teria que segurá-lo até achar a lixeira mais próxima ou chegar em casa. Hoje ainda vejo muita gente jogando papel pela janela do carro e fico indignada”, diz.

Descarte correto

A administradora e o marido também não entendem porque algumas pessoas dizem que cuidar da destinação correta dos resíduos “dá trabalho”.

Ela exemplifica com o descarte de remédios vencidos. “Acabam contaminando nosso solo, sendo que temos locais onde este descarte pode ser feito da forma correta”, aponta. Várias drogarias aceitam remédios vencidos, garantindo descarte correto.

O mesmo vale para baterias e pilhas que podem ser devolvidos aos fabricantes por meio de postos de recolhimento em supermercados, padarias, shopping centers e farmácias. “Não dá trabalho nenhum se você é uma pessoa preocupada com o meio ambiente”, diz ela.

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