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Meio ambiente

Sem sacolas, como carregar as compras?

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A partir de janeiro de 2012, não apenas os supermercados deixarão de fornecer sacolas plásticas para seus consumidores, sob pena de multas. Farmácias, mercearias, lojas e shoppings também deverão banir este tipo de embalagem. Como a lei proíbe também o plástico biodegradável, o mais provável é que boa parte do comércio volte a utilizar sacos de papel. Lojas de shoppings, por exemplo, já usam muito este tipo de material. Só que esta embalagem está igualmente cercada de questionamentos ambientais.

O primeiro deles é que um estudo britânico demonstrou que, além de pesar menos que outras embalagens, a sacola plástica gera menos gás carbônico e ainda provoca os menores impactos ambientais em oito de nove categorias de avaliação de desempenho pesquisadas. Há ainda outros aspecto relevante: a lei, em momento nenhum, estipula quantidades. Basta dar um passeio por corredores de um shopping e perceber, nas mãos de muitos consumidores, que mesmo pequenos itens comprados nas lojas, como uma jóia, uma única camiseta, um perfume, uma lingerie ou um sapatinho de bebê, são entregues aos seus compradores dentro de sacolas. E vale lembrar: dentro destas sacolas, haverá certamente ainda mais uma caixinha, um papel de seda, um plástico, uma fita, um papel de presente… O certo não seria entregar o produto diretamente ao consumidor, no máximo dentro de uma pequena caixa protetora? Por que a lei não limitou a quantidade de sacolas, de todos os materiais, que cada loja pode distribuir?

Há ainda um temor no ar: muitas famílias passarão a usar essas embalagens de papelão para acondicionar e colocar na rua o lixo doméstico, o que pode ser uma temeridade em termos de dispersão de resíduos pelas ruas, por conta da fragilidade do material, em especial quando molhado.

Caixas

Outra análise desenvolvida pela empresa brasileira EcoSigma mostrou que, no quesito higiene, as caixas de papelão distribuídas pelos supermercados são as grandes vilãs. Análises microbiológicas realizadas nas caixas de papelão revelaram uma grande quantidade de fungos, bactérias e diversos microorganismos nocivos à nossa saúde. Ou seja, consumidores estão levando caixas contaminadas para suas casas, oferecendo ainda um grande risco de contaminação dos alimentos comprados nos supermercados. O mesmo estudo ainda mostra que, o descarte (transporte até os aterros ou até a reciclagem) das caixas de papelão tem um custo muito maior, que chega a 125% em relação às sacolas oxibiodegradáveis e indica que haverá aumento do consumo de combustíveis, de emissões atmosféricas, do número de caminhões para transporte destas caixas quando destinadas aos aterros. E mais: os supermercados já admitem que não há caixas para oferecer a todos os clientes, em especial aqueles que fazem grandes compras.

Ironicamente, já se pode perceber uma avalanche de novos produtos de uso retornável chegando às lojas: são carrinhos, sacolas, cestos e muitos outros artigos para carregar suas compras. As lojas que os vendem passaram a divulgar artigos “charmosos”, daqueles que aguçam a vontade de comprar do consumidor, para carregar suas compras. É bem verdade que o uso de retornáveis é prolongado, mas também é fato inegável que a proibição gerou uma imensa produção de novos itens – consumindo matéria prima, usando energia elétrica e água, transporte… Mais um sintoma de que a preocupação não é com a quantidade de lixo gerado, nem com o consumo consciente…

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