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Reciclar é simples, mas tem regras

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A Prefeitura, as concessionárias que executam o serviço de limpeza pública na cidade, organizações não governamentais e ambientalistas vêm celebrando: a coleta seletiva aumentou na cidade.

Mas, há ainda um longo caminho pela frente, já que apenas 7% dos resíduos são encaminhados para a reciclagem, quando esse total poderia atingir 40%. O que falta, se há equipes preparadas, contêineres espalhados por toda capital, serviço de coleta domiciliar especial, centrais de triagem preparadas e cooperativas de catadores organizadas e cadastradas?

Engajamento da população. Vale lembrar que é muito simples participar: basta separar todas as embalagens limpas e materiais recicláveis descartados em casa:

– Papéis: folhas de papel sulfite, caixas de papelão, sacolas de papel, papéis de presente, cadernos, apostilas e outros impressos que não possam ser doados, embalagens longa vida

Metais: latinhas de alumínio e seus lacres, panelas sem cabo, latas e potes de ferro (como as embalagens de molhos e similares)

Vidro: potes, garrafas, vasos, copos – lembre-se sempre de acondicionar corretamente para não causar acidentes.

Plásticos: garrafas pet (refrigerantes, óleos, sucos) e suas tampinhas, pedaços de brinquedos, descartáveis desde que limpos, sacos e sacolas em geral.

Todo material reciclável pode ser colocado em um único saco e será levado pelo caminhão especial da coleta seletiva. Depois, será separado em Centrais Mecanizadas de Triagem ou por cooperativas de catadores e encaminhados para o processo de reciclagem.

Para conferir o horário em que cada um desses serviços é prestado – eles acontecem em dias diferentes, feitos por equipes e caminhões distintos – basta acessar o site: https://www.ecourbis.com.br/coleta/index.html.

Material limpo

Há alguns cuidados a serem tomados na hora de separar os recicláveis para a coleta seletiva, todos bem simples.

A primeira dica é sempre deixar esses materiais limpos – enxágue as caixinhas e garrafas, não envie papéis ou plásticos engordurados, não coloque cinzas e bitucas de cigarros em latinhas.

Além de inviabilizar a reciclagem desses itens, essa sujeira ainda pode contaminar outros materiais limpos e comprometer a reciclagem.

E por falar em limpeza, toda vez que for fazer uma organização doméstica, separar materiais para doação, reciclagem ou para o lixo comum, é importante saber o que efetivamente pode ou não ser reciclado.

Todo papel é reciclável?

A reciclagem de papel é das atividades mais antigas entre cooperativas e catadores – a coleta de jornais velhos, revistas e livros antigos e não passíveis de doação, papelão e outros são há muitos anos fonte de renda para famílias,

Mas nem todo papel é adequado para reciclagem. E não é só o papel higiênico que não pode ser reaproveitado em processos de reciclagem.

Todo papel sujo ou molhado não pode ser encaminhado para a reciclagem – como uma caixa de pizza ou outros alimentos engordurada.

Mas, alguns tipos de papel, ainda que em bom estado e limpos, não têm condições de serem reaproveitados na reciclagem. É o caso de papeis plastificados, como algumas caixas de presentes e papeis fotográficos.

Também não devem ser encaminhados para a coleta seletiva os papeis dos seguintes tipos:

– Vegetal

– Carbono

– Metalizado e laminado

– Celofane

– Fax (inclusive aquelas de notas fiscais e comprovantes de pagamento com cartão, oferecidos no comércio)

– Adesivos ou tipo post-it

Plástico: um grande drama

O uso do plástico trouxe muitos benefícios inegáveis no cotidiano da população, com praticidade e baixo custo, popularizando seu uso nas últimas décadas.

Mas o custo ambiental do uso sem consciência desse tipo de material é muito alto.

O excesso no consumo com descarte irregular resultou em oceanos repletos de plástico, peixes e frutos do mar contaminados por microplástico, contaminação do solo etc.

E ao mesmo tempo que cresceram também as tecnologias de reciclagem do plástico e aumentou a procura por tipos plásticos como as garrafas pet, por outro lado vale lembrar que nem todo tipo de plástico pode ser reciclado.

O poliuretano, por exemplo, que é o plástico que produz espumas, estofados, colchões e esponjas, em geral não pode ser reciclado.

Assim, quando um colchão é descartado irregularmente pelas vias públicas da cidade, é um tipo de entulho/bagulho, ou seja, há um crime ambiental passível de multa.

Existem algumas tecnologias incipientes para reciclagem de isopor, que é outro tipo plástico que se tornou de uso muito comum, sobretudo nos supermercados em setores de frios e hortifrutigranjeiros.

Mas, além de ainda pouco difundida, a reciclagem do isopor tem valor alto e não é considerada interessante pelo setor, já que o volume necessário para ter resultados atrativos. O mesmo acontece com o plástico bolha, copos e outros itens descartáveis de plástico, que são muito leves e tem pouco interesse econômico no processo.

EVA, que é aquele tipo de material bastante usado em artesanato, e acrílico, material comum em utilidades domésticas como cabides e potes também não são recicláveis.

Cabos de panelas não podem ser reciclados, por conta da alta temperatura de resistência do material, o que impede sua transformação da indústria de reciclagem.

Cerâmicas e vidros

Outro material muito utilizado em ambiente doméstico é o vidro. O vidro demora 5 mil anos para se decompor na natureza, mas em contrapartida pode ser reciclado infinitas vezes. A Abividro (Associação Brasileira das Indústrias de Vidro) aponta, como vantagem, que a substância não se perde no processo de reciclagem e pode ser 100% reaproveitada, sem perder a qualidade.

Mas, nem todo vidro tem como destino a reciclagem, seja por conta do alto custo do processo que demanda, seja por falta de tecnologia adequada. Vidros temperados como os de boxes de banheiro, tampos de mesa, parabrisas de automóveis não são recicláveis. Vidros de janelas e espelhos também não são ideais para reciclagem.

Similares ao vidro, a porcelana e a cerâmica igualmente não são recicláveis. Embora seja melhor investir em canecas de cerâmica em vez de copos descartáveis, quando o objeto quebra não pode ser destinado à coleta seletiva.

Nessas situações, é interessante investir em upcycling, ou seja, os “cacos” de pratos podem ser usados em mosaicos e artesanato, uma caneca sem a asa pode se transformar em um vasinho para uma horta doméstica.  Lâmpadas (de qualquer tipo) e ampolas de remédio ou seringas também não devem ser encaminhadas à coleta seletiva.

Metal: maior reciclagem

O Brasil é conhecido mundialmente por ser um dos países que mais recicla latinhas de bebidas. Já outros objetos de metal, como esponjas de aço, latas de combustível ou tinta, latas de spray, agulhas, clipes e grampos não são recicláveis.

Metais usados em pilhas, baterias e outros eletrônicos não devem ser encaminhados pela coleta seletiva, mas apenas a empresas que fazem coleta do chamado “lixo eletrônico”.

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