Jornal São Paulo Zona Sul

Professora que criou Projeto de Robótica com Sucata, no Jabaquara, é finalista de prêmio mundial em educação

É do “lixo” que pode sair um prêmio de um milhão de dólares para uma professora da zona sul paulistana. A educadora Débora Garofalo já foi selecionada como uma das 10 melhores profissionais do mundo no Global Teacher Prize, uma espécie de prêmio Nobel da educação.

O vencedor será anunciado no domingo, 24 de março, em Dubai, nos Emirados Árabes, leva o valor para casa. Seja qual for o resultado, Garofalo considera-se vitoriosa, ou melhor, avalia que os resultados do projeto são um prêmio em si.

Caso vença, a professora da rede municipal de ensino, entretanto, promete reinvestir o valor em projeto educacional para difundir seu projeto: Robótica com Sucata.

O projeto

Há quatro anos, a professora lançou um desafio aos alunos da Escola Municipal de Ensino Fundamental Ary Parreiras, na Vila Babilônia, região periférica do Jabaquara. Eles deveriam circular pelo bairro – munidos de sacos adequados e resistentes, luvas e com orientação – em busca de recicláveis. Voltaram para a sala de aula com itens que poderiam ter sido encaminhados à coleta seletiva, como garrafas de plástico pet, saquinhos, caixas de papelão, latinhas de ferro, potes de plástico e vidro em diversos formatos, folhas de papel e papelão…

Com esse material, Débora passou a elaborar, em sala de aula, projetos de robótica. Carrinhos com faróis que acendem de verdade, helicópteros com hélices que giram, semáforos com luzes que se alternam…

As crianças, de comunidades como Beira Rio, Vietnã e Alba, no Jabaquara passaram não só a ver valor em objetos que eram antes desprezados como também aprenderam a dar novos usos a eles. Inicialmente, transformaram-se em brinquedos. O primeiro protótipo construído foi um carrinho movido a balão de ar.
Depois, até mesmo itens úteis para economizar energia em casa, evitar riscos de incêndio… Os alunos passaram a participar, inclusive, de eventos externos de tecnologia e inventos.

Sem falar que os objetos deixaram de ir parar em córregos ou nas vias públicas, contribuindo para evitar a proliferação de insetos e animais sinantrópicos, que transmitem doenças, além de deixar o bairro mais limpo e bonito. Estima-se que, nos quatro anos do projeto até agora, já foi recolhida das ruas cerca de uma tonelada de recicláveis pelos alunos, além de itens de lixo eletrônico – aparelhos quebrados ou em mau funcionamento.

A professora Débora mostrou aos alunos não apenas a importância de desenvolver atitudes sustentáveis, com atenção à geração e destinação final correta dos resíduos, como ao mesmo tempo investiu no ensino da programação.

O projeto Robótica com Sucata fez com que o uso da tecnologia e de atividades práticas trouxesse novas visões sobre o poder da educação ao próprio futuro dos jovens. Os pais passaram a acompanhar o trabalho mais de perto e vários outros prêmios já foram conquistados pela proposta: Associação Comercial do Estado de SP, finalista do desafio de aprendizagem do MIT e do Prêmio Claudia na categoria políticas públicas.

Também foi possível celebrar que o índice de evasão caiu e Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) da escola aumentou.

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