Jornal São Paulo Zona Sul

Pequenas ações trazem grandes resultados

A pandemia do novo Coronavírus modificou a rotina de famílias e empresas em todo o planeta. E nessa rota de mudanças, certamente a higiene e a limpeza, em ambientes privados ou públicos, ganhou destaque e importância ainda maiores. Paralelamente, a humanidade precisou rever também seus conceitos, ampliar suas noções de solidariedade e entender a relevância de pequenas atitudes cotidianas.

Por ficarem mais tempo dentro do ambiente doméstico, as pessoas precisaram rever seus relacionamentos próximos e participar mais ativamente das tarefas domésticas. Cozinhar, fazer a faxina, planejar as compras e o cardápio, separar os resíduos comuns dos recicláveis, ensacar corretamente o lixo… Tudo isso passou a ser alvo de atenção de muita gente que não habitualmente cuidava da gestão domiciliar. Antes, tudo era feito de forma mais automática, sem que os munícipes prestassem atenção à quantidade de resíduos que saía de suas casas semanalmente: gastavam com o consumo e boa parte dessas compras acabava no lixo.

Nesse processo, várias descobertas aconteceram. Como a coleta continuou ocorrendo normalmente – inclusive a seletiva – os profissionais da limpeza, como coletores de resíduos e motoristas dos caminhões – tiveram suas ocupações mais visíveis e valorizadas.

A geração de resíduos aumentou e munícipes que nunca haviam separado os recicláveis passaram a participar da coleta seletiva na cidade, ao perceberem a quantidade de embalagens que trazem dos supermercados, farmácias e outras lojas, principalmente quando aumenta o tempo de presença em casa.

Permacultura

Mesmo quem já separava os recicláveis há muitos anos pode se surpreender com algumas descobertas.
Adilciara Gouvea, moradora de Mirandópolis sempre separou recicláveis e acredita que só deve ir para a coleta seletiva o que não pode antes ser reaproveitado. Adepta da “Permacultura”, ela diz que seu objetivo é ter um estilo de vida simples e saudável. O conceito de permacultura surgiu nos anos 1970 e representa, basicamente, a convivência harmônica entre o ser humano e a natureza, com agressões mínimas e busca por ações cujo impacto permita recuperação em curto espaço de tempo.

Mas, durante a pandemia, a moradora procurou aprimorar esse olhar. Ela afirma que, a partir dessa visão macro, passou a acreditar que as soluções estão, na verdade, em pequenas coisas, em pequenas atitudes. E passou a fazer pesquisas sobre o que mais poderia fazer.

Ela descobriu, por exemplo, que uma amiga coleta lacres de latas de alumínio e tampinhas de garrafas pet para doar a entidades que conseguem trocar esse material por cadeiras de rodas para famílias carentes que necessitam do equipamento ou transformar em recursos para o tratamento de câncer.

“Eu achava que era uma lenda e descobri que é verdade. Não consumo muito latinhas ou garrafas pet, mas passei a juntar e estimular outras pessoas a fazerem o mesmo”, diz ela, indicando que para conhecer melhor sobre a doação dos lacres de alumínio, basta buscar nas redes sociais pela hashtag #nãoémito.

O Hospital do Amor de Barretos (antigo Hospital do Câncer de Barretos) também recebe lacres de alumínio, que são enviados por pessoas do país inteiro. Os lacres são vendidos à indústria de reciclagem do alumínio e a verba é revertida em pesquisa, prevenção e tratamento do câncer

Adilciara passou então a pesquisar mais sobre destinação correta de todo tipo de material, reciclável ou não, como cacos de cerâmica, retalhos de tecido e outros. “Quero sair dessa quarentena melhor do que antes. Por isso, busco me atualizar diariamente”, conclui.

Culinária

Já Paulo Argemiro e a esposa Diana sempre foram preocupados com a boa alimentação e a produção caseira de refeições saudáveis. Durante a pandemia, o casal de dentistas passou a ficar muito mais tempo em casa e a aprimorar essa relação com a produção de receitas.

Eles começaram a pesquisar com mais profundidade o uso integral dos alimentos. “Com mais tempo em casa, começamos a prestar atenção na quantidade de lixo orgânico que produzíamos: cascas, sementes, talos… E passamos a buscar receitas para aproveitar também esses alimentos, muitas vezes ricos em nutrientes, saborosos”, conta.

Além de gerar menos resíduos e garantir saúde, Paulo acredita que essa mudança de atitude precisa se popularizar também por conta da escassez de recursos naturais e financeiros. “O futuro da humanidade vai depender de novos hábitos: preservar água, racionalizar alimentos, gerar menos resíduos, gastar menos energia e combustível… As famílias vão precisar economizar mais. Racionalizar alimentos e aproveitar melhor o que a natureza nos dá é essencial”, conclui.

Destinação correta

Outra mudança comum nessa quarentena é a reorganização da casa, a preocupação com a limpeza de quintais e jardins. O leitor Marcos Irineu mora perto de um Ecoponto. Há tempos aprendeu que ali pode levar sobras de material de construção quando faz uma pequena reforma na casa ou quando conserta sua calçada.

Com o passar do tempo, descobriu que poderia levar também as sobras de jardinagem, móveis que deseja descartar e não estão em boa condição para doar.

Durante a quarentena, ele aproveitou para reorganizar a casa, fazer alguns pequenos reparos nas janelas do imóvel e novamente recorreu ao Ecoponto para levar um sofá antigo e que já não tinha recuperação. “Estofados acumulam muito ácaro e quando estão muito antigos não basta mais higienizar. Achamos melhor trocar, especialmente nesse momento que o ideal é preservar a saúde e cuidar para não ter problemas respiratórios”, diz ele que é aposentado e está no grupo de risco.

Embora separe o reciclável para coleta seletiva, Marcos eventualmente também opta em levar alguns materiais para o Ecoponto, como garrafas de vidro, por exemplo. “Prefiro levar e depositar nos contêineres que ficam lá”, diz ele.
A coleta seletiva na cidade é oferecida em muitos bairros porta a porta, ou seja, caminhões passam uma ou duas vezes por semana para coletar exclusivamente recicláveis. Nas zonas sul e leste da capital, o serviço é prestado pela concessionária Ecourbis Ambiental. Para saber o horário em que o caminhão passa em sua rua, basta acessar www.ecourbis.com.br/coleta/index.html

Há também ruas onde foram instalados contêineres verdes, marcados com o símbolo da reciclagem, onde os próprios moradores podem deixar o material reciclável em qualquer dia ou lugar. Depois, caminhões fazem a retirada mecanizada dos contêineres, em datas definidas.

Bagulhos

Durante a pandemia de Covid, é importante também não se esquecer de que outras doenças não desapareceram. É o caso da dengue e outros problemas de saúde provocados pelo mosquito Aedes aegipty e por animais como ratos e escorpiões. Para evitar a proliferação desses vetores de doenças, é essencial manter quintais e jardins limpos, sem objetos que possam acumular água ou esconder animais sinantrópicos.

Pequenas quantidades de entulho podem ser levadas aos ecopontos, que abrem diariamente. Outros itens – como tonéis antigos,eletrodomésticos quebrados etc – também podem ser disponibilizados na porta de casa, no dia em que ocorrer a Operação Cata Bagulho. Para saber a data em que vai passar em sua casa ou conhecer os endereços dos ecopontos, ligue 156 ou acesse: bit.ly/2AAf2ZE

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