Jornal São Paulo Zona Sul

Parque Modernista elege conselho gestor nesse domingo, 14

Uma área de 12 mil metros quadrados remanescentes da Mata Atlântica no coração da Vila Mariana e que abriga um patrimônio histórico e cultural centenário. Para preservar esse tesouro, todo mundo precisa contribuir. Nesse domingo, 14 de julho, acontece a eleição do Conselho Gestor do Parque Modernista, localizado na Rua Santa Cruz, 325. A votação vai das 10h às 16h.

Para votar, basta ter mais de 16 anos e apresentar, no momento da eleição, um documento de identificação com foto. Não é necessário ter o título de eleitor na cidade de São Paulo, morador da Vila Mariana ou mesmo ser frequentador do parque.

Por outro lado, é uma forma de conhecer o parque, a Casa e demonstrar que é necessário preservar esse patrimônio, apoiando os candidatos ao conselho gestor.

O Parque

A casa sediada no Parque, que é tombada como patrimônio histórico por ser a primeira construção em estilo Modernista no país, datada de 1927, tem problemas estruturais e precisa de restauro.

O Parque ainda integra um conjunto de espaços culturais históricos da capital, subordinados à Secretaria Municipal da Cultura: o Museu da Cidade. Mas, a Prefeitura vem informando que em breve o imóvel vai voltar a ser administrado pelo Governo do Estado.

A área está sob responsabilidade da Prefeitura desde março de 2008, ou seja, há dez anos. Nesse período, além de obras emergenciais, foram desenvolvidos projetos de restauro, mas que nunca saíram do papel. A intenção também era desenvolver uma programação de atividades culturais mais frequente e intensa para o espaço.

O projeto de restauração foi desenvolvido há sete anos e contemplava não apenas a recuperação da casa principal, mas também das edículas – que eram chamada de “Casa de Bonecas” pela família Warchavchik, proprietária única do imóvel até sua desapropriação e tombamento, em 1984.

Além disso, a proposta de recuperação do Parque Modernista contemplava também a implantação de espaços de convivência no parque, com acessibilidade e criação de um espaço de referência para o estudo do modernismo em São Paulo.

Histórico

A casa Modernista foi projetada em 1927 e construída em 1928, já 80 anos. Foi a primeira obra arquitetônica do país seguindo conceitos modernistas, assinada pelo arquiteto e urbanista russo Gregori Warchavchik. Ele moraria ali com sua esposa, a paisagista Mirna Klabin, que foi a responsável pelo desenho dos jardins que hoje compõem o parque.

Mina era irmã de Jenny Klabin Segall, esposa de Lasar Segall. Nessa época, a Vila Mariana era um reduto cultural dos modernistas na cidade. Sediou encontros de artistas da época, saraus, festas.

Na década de 1980, os herdeiros de Gregori pretendiam vender o imóvel e em seu lugar seriam construídas torres de apartamento.

A comunidade do entorno se mobilizou e o protesto ganhou a imprensa – com pioneirismo do jornal São Paulo Zona Sul. Uma associação – Pró Parque Modernista foi criada na época e reforçou a luta contra a destruição do patrimônio. E foi assim que já no ano seguinte ao início das manifestações populares, em 1984, o Condephaat considerou o conjunto Casa/Jardins como patrimônio histórico.

A partir daí, se desenvolveria um embate judicial entre os proprietários do imóvel e o Governo do Estado, já que o negócio da venda havia sido inviabilizado. Só 10 anos depois o processo seria concluído, com a indenização à família. A casa, entretanto, ficou por muitos anos abandonada e foi se deteriorando, até que sua transferência à Prefeitura se concretizou.

A verdade, entretanto, é que o imóvel nunca teve o uso como espaço cultural que a comunidade sonhava…

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