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Novas ações devem incentivar reciclagem

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São Paulo gera muito lixo por dia. A cidade ainda recicla pouco. Os aterros sanitários têm vida útil limitada. A venda do material proveniente da coleta seletiva representa renda para milhares de famílias.

Todos essas fatos são reconhecidos e estão interconectados, mas como podemos modificar a situação atual, evitando que materiais recicláveis sejam destinados aos aterros pelos cidadãos?

Vale destacar que a cidade já conta com duas centrais mecanizadas modernas de triagem de recicláveis, em breve atingirá 100% de domicílios atendidos por serviços de coleta seletiva. Além disso, há 25 cooperativas de catadores credenciadas pela Prefeitura.

A resposta pode estar em ações que estimulem o engajamento da população. Conscientizar sobre a importância de reduzir a geração de resíduos e mostrar a importância e a simplicidade de separar os recicláveis para coleta.

Basta separar materiais de plástico, metal, vidro e papel limpos. Depois, coloque todos em um saco reforçado e bem fechado, deixe do lado de fora de casa na data e horário da coleta seletiva. Para saber exatamente quando a equipe porta a porta estará em seu endereço, visite o site www.ecourbis.com.br/coleta/index.html. A concessionária Ecourbis Ambiental faz a coleta tradicional e a seletiva nas zonas sul e leste da cidade. Se a coleta porta a porta ainda não existe em seu endereço, procure por contêineres ou Postos de Entrega Voluntária em seu bairro.

Mas, que exemplos de outros países do mundo podemos seguir para ampliar o volume de recicláveis coletados na capital?

Natural e saudável

Cada morador da capital gera por ano, em média, em torno de 500kg de lixo, volume parecido ao descartado por habitantes de países europeus. Nesse total, está incluindo tanto o material limpo e reciclável (papel, vidro, plástico e metais), quanto sobras de comida (lixo orgânico) e rejeitos (fraldas e absorventes descartáveis, papel higiênico, cigarros etc).

Essa média, no entanto, não deixa transparecer realidades diferentes. Bairros como Vila Mariana, por exemplo,registra recorde em volume de reciclagem na cidade.

Embora a marca seja positiva, ela denota compra de muitos itens embalados. Enquanto em bairros mais carentes o saco de lixo traz mais cascas de frutas, na região campeã de reciclagem o costume é comprar sucos prontos, de caixinha, gerando volume muito maior de resíduos que, mesmo recicláveis, deveriam ser reduzidos.

Valorizar itens naturais e evitar que se estraguem na geladeira, portanto, é importante iniciativa para reduzir a geração de resíduos.

Novos hábitos e embalagens

Nas últimas décadas, os hábitos só se alteraram no sentido de gerar mais resíduos: alimentos industrializados prontos substituindo itens naturais é apenas um exemplo.

Os consumidores passaram a comprar porções individuais, vasilhames retornáveis foram substituídos por garrafas pet, o plástico passou a dominar as embalagens. A de requeijão, por exemplo, era de vidro e se transformava em copo para ser usado no ambiente doméstico, mas agora é de plástico e acaba destinada ao lixo.

Tudo isso sem apontar que a venda de produtos diversos a granel, ou seja, sem embalagem, quase desapareceu – exceto em feiras livres e alguns empórios.

Vale ainda apontar que produtos de uso prolongado – como eletrodomésticos e roupas – tinham maior durabilidade e a tecnologia não era veloz a ponto de exigir substituições tão rápidas de aparelhos.

Mas, o ritmo recente de geração de resíduos já chamou a atenção de países desenvolvidos e novas regras vêm sendo criadas para garantir um recuo , com a criação de novos hábitos – alguns deles, “velhos”.

Retomar as embalagens retornáveis é uma das medidas que vêm sendo adotadas por países europeus para evitar o plástico de uso único.

Mas, também há ações modernas como a criação de embalagens que possam ter novo uso doméstico quando vazias, que sejam feitas de material biodegradável, que usem menos plástico ou substituam o plástico por papel, alumínio ou vidro, sempre visando à menor geração de resíduos destinados a aterros.

A Bélgica é considerada o país com melhor sistema de produção de embalagens por conta de impacto ambiental na Europa.

Lá, desde a década de 1980, há legislação sobre o tema e, atualmente, uma ong – a VLACO – reúne empresas e entidades governamentais para regular a produção de embalagens para que elas possam, ao mesmo tempo, garantir higiene, durabilidade, praticidade e alta taxa de reaproveitamento ou reciclagem.

Recompensa

Outra ação comum, na atualidade, em países desenvolvidos como a Holanda é a devolução de dinheiro a quem retorna adequadamente suas embalagens. A ideia é simples: quando compra um produto, qualquer que seja, o consumidor está pagando não apenas por ele, mas também por seu invólucro e processo de envase.

Então, ao devolver uma garrafa pet ou latinha de molho de tomate, o cidadão recebe o dinheiro pago por ela de volta. Há diferentes possibilidades, como a troca por novos produtos, recompensa em dinheiro ou descontos diversos. No Brasil, há algumas iniciativas nesse sentido, mas ainda muito incipientes.    

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Iniciativas na capital beneficiam consumidores que reciclam embalagens

No Brasil, a geração de lixo só cresceu na última década. Já os processos de reciclagem, logística reversa (devolução ao fabricante dos resíduos gerados) evoluíram em ritmo lento. A cidade de São Paulo é uma das que mais faz coleta seletiva no país, ainda assim o engajamento da população resulta em apenas 10% do volume total indo para a reciclagem.

O volume vem aumentando, com a universalização do serviço, constante divulgação pela Prefeitura e também por conta da pandemia, em que as pessoas passaram mais tempo em casa e puderam prestar atenção aos resíduos gerados.

O ideal, entretanto, seria multiplicar esse volume. Para se ter ideia, na Alemanha 60% dos resíduos gerados é reciclado. Os rejeitos são incinerados para geração de energia e a meta no país é acabar com aterros sanitários com transformação total dos resíduos.

Impostos

Mas, nem sempre foi assim. Em 1970, a Alemanha tinha cerca de 50 mil lixões e aterros sanitários. Hoje, são menos de 200. “Já em 1901, cerca de 75% dos lares de Berlim dispunham de vasilhames padronizados, e antes de 1851 os proprietários das casas já pagavam taxas pela remoção dos resíduos sólidos domésticos”, ensina o professor Emílio Maciel Eigenheer, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), no livro A Limpeza Urbana Através dos Tempos.

Além disso, a Alemanha planejou e implantou um projeto bem sucedido conhecido como Green Dot, que mescla ações de design e produção de embalagens e destinação final dos resíduos.

Os fabricantes que usam menos material em suas embalagens pagam menos impostos, estimulando o planejamento de envases que mesclem boa preservação dos produtos com baixo impacto ambiental.

Os fabricantes também têm responsabilidade pela reciclagem da embalagem descartada pelos consumidores e o Green Dot também valoriza as embalagens projetadas para reciclagem e reúso.

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