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Educação

Não há previsão de vacinas para crianças e adolescentes

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Entre tantas situações inesperadas trazidas pela pandemia de covi 19, certamente o fechamento das escolas e suspensão das aulas presenciais foi uma das mais complexas. A absoluta maioria das escolas no Estado de São Paulo – não teve aulas presenciais durante o ano todo. Além de prejudicar o aprendizado, a falta do contato entre as crianças gerou angústia em crianças, pais, professores – em toda a comunidade.

Essa semana, com o aviso de retorno à Fase Vermelha, o Governo decidiu que as escolas, dessa vez, permaneceriam abertas, embora tenha orientado que crianças e jovens que não tenham a necessidade de ir presencialmente que continuem em suas casas.

Para além dos debates envolvendo a segurança dos professores e da família que convive com as crianças, com pessoas dos grupos de risco, surge também a pergunta: e as crianças ou adolescentes, também não têm risco de adoecer, ter sequelas, sofrer internações ou mesmo vir a óbito?

Ainda que as estatísticas apresentem baixa incidência de casos graves em crianças e adolescentes, eles acontecem. Na capital paulista, até o dia 4 de março, foram registrados 7.392 casos confirmados de Covid-19 e 42 óbitos confirmados para Covid-19 em indivíduos com idades de 0 a 19 anos.

A Prefeitura paulistana interrompeu a prometida testagem de 777 mil alunos e professores, prometida em outubro do ano passado para antes da volta às aulas e apenas 180 mil testes foram feitos. Mas, pelo Censo Escolar, os contaminados com menos de 18 anos, há um total de 77,2% não reagentes e 22,8% reagentes.

Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, a ação foi encerrada em dezembro, “pois com o plano de retomada das aulas a partir de fevereiro de 2021, as ações foram voltadas aos protocolos de biossegurança nas escolas e o fluxo pactuado entre SME e SMS para identificação e atendimento dos casos de sintomáticos respiratórios em tempo oportuno”.

A secretaria ainda alega que outros estudos com a realização de testes estão sendo feitos na cidade.

Mesmo que com números baixos, o fato é que a covid pode fazer vítimas entre crianças e adolescentes. E esse público pode contaminar professores ou familiares, além de pessoas no transporte público, comunidade vizinha às escolas…

Mas, qual a solução, se não há ainda nenhuma vacina para menores de 18 anos e sequer previsão delas? Se nem testagem está ocorrendo nesse público?

Vacinas

“Os testes das vacinas já liberadas no Brasil foram feitos apenas em indivíduos a partir de 18 anos e só podemos vacinar os grupos nos quais as vacinas foram testadas. Crianças, adolescentes e gestantes terão que esperar até que haja estudos específicos. Os testes nestes grupos são necessários para definir a dosagem correta, além da segurança e eficácia”, diz a pediatra do Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz) Alessandra Marins Pala.

Procurado, o Instituto Butantan informou que esses testes estão na programação furuta de estudos, mas que não há prazos. Também serão realizados testes em grávidas, por exemplo, que igualmente não têm data para acontecer.

Em fevereiro, a universidade de Oxfordo anuncioiu que seriam iniciados os testes com 300 voluntários com idade entre 6 e 17 anos: 240 deles vão receber a vacina e os demais 60 uma dose de reforço de vacina contra meningite.

Mas, como se sabe, esse processo todo é muito lento. “O estudo da Pfizer-BioNTech testou pessoas a partir de 16 anos e já iniciou os testes em adolescentes entre 12 e 15 anos e a Moderna está recrutando indivíduos entre 12 e 17 anos.”diz Alessandra Pala. “Após os resultados destas pesquisas, será necessário ainda que as agências reguladoras liberem o uso dos imunizantes nestas faixas etárias. Outro fator limitante será a disponibilidade das vacinas para estes grupos”.

Marcio Nehab, também do Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz) explica que, da mesma forma, nem as crianças com doenças crônicas poderiam receber imunizantes. “Seguem os mesmos critérios. A vacina só poderá ser administrada após comprovação e eficácia dos estudos. Neste sentido, prevalecem as medidas de distanciamento social, higienização correta das mãos e uso de máscaras.

É importante destacar, no entanto, que quando a grande massa da população adulta for vacinada – incluindo aí professores e comunidade escolar – as crianças ficam também mais protegidas, porque os casos tendem a reduzir e a contaminação geral da população também, mas os especialistas dizem que não há como apontar uma futura “imunidade de rebanho”.

Em São Paulo, tanto a Prefeitura da capital quanto o governo do Estado estão planejando a compra de vacinas diretamente de laboratórios como Pfizer e Jansen para conseguir priorizar a imunização de professores e um retorno integral às aulas.

Duas constatações, portanto, surgem desse debate: não é possível esperar pela vacinação das crianças para a retomada das aulas; e é urgente a vacinação de professores e funcionários da educação, além da agilização do processo de vacinação de toda a comunidade, ou o futuro indicará resultados ainda piores na educação brasileira.

O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) anunciou essa semana que mais de 168 milhões de crianças em todo o mundo estão sem aulas presenciais há um ano e a América Latina lidera esse triste ranking, com quase 100 milhões de estudantes longe das escolas

Leia a entrevista completa dos pediatras e infectologistas do Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz) Alessandra Marins Pala e Marcio Nehab sobre vacinação de crianças e adolescentes.

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