Jornal São Paulo Zona Sul

Jogar resíduos pelo encanamento também prejudica limpeza urbana

Não é só nas vias públicas que alguns cidadãos jogam rejeitos equivocadamente, e causam danos ao meio ambiente e à saúde pública. Muitos também erram ao jogar sujeira pela pia, nos ralos ou no vaso sanitário.

São hastes flexíveis, canudos, barbeadores descartáveis, cabelos, absorventes, fraldas, roupas, sobras de comida, embalagens e até produtos contaminantes como remédios, esmalte e tinta.

O descarte desses materiais na rede de esgotos entope a tubulação e impedem o escoamento do esgoto que pode, inclusive, voltar.

Vale destacar que os imóveis devem, obrigatoriamente, ter duas saídas para escoamento. A rede de esgoto recolhe os resíduos do vaso sanitário, chuveiro, pias e tanque. É uma tubulação de menor porte, já que esse volume não costuma sofrer grandes variações. Já a saída pluvial, maior, reúne a chuva e a água de lavagem que escoa por ralos e calhas. Os tubos devem ser separados para que o esgoto seja enviado para tratamento e para que as águas pluviais sejam encaminhadas para córregos e rios.

Assim, o cidadão consciente não joga lixo em nenhuma das tubulações – nem de águas pluviais, nem de esgoto.

Óleo de cozinha

O mesmo vale para o descarte de óleo de cozinha: nunca faça o descarte na pia, vaso, ralos ou tanque. Normalmente, as residências possuem um sistema conhecido como caixa de gordura que é instalado no encanamento. Feito de PVC ou concreto, sua função é armazenar a gordura proveniente das pias.

Contudo, com o tempo o descarte incorreto de óleo pela pia poderá acumular excesso de gordura e, consequentemente, entupir os encanamentos. Uma vez entupido, o processo para limpar o encanamento é trabalhoso. Além disso, o óleo usado que passa pelos encanamentos pode atingir rios e causar problemas ao meio ambiente. Alguns estudos sugerem que o descarte incorreto de um litro de óleo de cozinha pode contaminar até um milhão de litros de água.

Quando sai do encanamento doméstico e atinge a tubulação pública, o óleo ainda pode endurecer e grudar nos outros resíduos que não deveriam estar lá. Com o tempo, o óleo de fritura provoca um “infarto” na rede coletora e o esgoto também pode voltar para dentro de casa.

Ao atingir o solo, ele facilita a sua impermeabilização, fazendo com que não absorva tanto a água das chuvas e, consequentemente, as enchentes sejam mais frequentes. Os efeitos negativos também se estendem para a atmosfera, pois quando o óleo de cozinha usado se decompõe ocorre a emissão de metano, um gás que também causa o efeito estufa.

O correto é entregá-lo para reciclagem – o líquido pode ser transformado em biocombustível, sabão ou massa de vidraceiro, por exemplo.

A Biblioteca Virtual do Estado de São Paulo (www.bibliotecavirtual.sp.gov.br) disponibiliza um material on-line especial e bem completo sobre reciclagem, inclusive com orientação sobre como descartar o óleo de cozinha.

A melhor maneira de armazenar o óleo usado em frituras é em garrafas PET. Para facilitar a entrada do óleo na garrafa é recomendado utilizar um funil. Se necessário, peneire o líquido para evitar o excesso de detritos de fritura.

Depois de encher as garrafas, feche bem para evitar vazamento e armazene num local longe da curiosidade de crianças e animais domésticos. Depois, basta levar para um posto de entrega voluntária. Alguns deles ficam em supermercados e outros estabelecimentos comerciais, enquanto que vendedores de gás de cozinha também costumam recolher as pets cheias e encaminhar para Ongs.

No site oleosustentavel.org.br há uma lista com mais de 800 pontos de coleta espalhados por todo o país. O site traz ainda boletins mensais com as ações de educação ambiental das empresas que participam da iniciativa, além de curiosidades sobre o uso do óleo de cozinha, vídeos educativos e reportagens sobre os destinos do óleo usado. Os vídeos incluem desde receitas para a fabricação do sabão caseiro biodegradável até o uso do óleo para fabricação de tintas e biodiesel.

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