Jornal São Paulo Zona Sul
Jardim Aeroporto quer “vizinhança solidária”

Jardim Aeroporto quer “vizinhança solidária”

A população se sente amedontrada, quase refém do crime. Teme sair às ruas, entrar e sair com o carro da garagem, ter a casa invadida, voltar tarde da noite, caminhar pelo bairro em horários de pouco movimento.

O relato parece comum a muitos bairros e, quando a acomunidade se une para tratar de segurança, com autoridades policiais, é comum ouvir pedidos de mais vigilância para o entorno de suas casas ou empresas.

Mas, terá a Polícia Militar capacidade de estar em todos os lugares o tempo todo? Será que a ronda rotineira é suficiente para impedir crimes?

Este é o tipo de debate comum em reuniões comos as dos Conselhos Comunitários de Segurança – Consegs, que contam com a presença de policiais militares e civis.

E uma das orientações que as autoridades vêm dando é para que a população adote a chamada “vizinhaça solidária”. No Jardim Aeroporto e Parque Jabaquara, bairros vizinhos a Congonhas, a discussão está avançando.

Na próxima segunda, dia 11, a comunidade estará reunida no Conseg Campo Belo para debater a ideia.

Inicialmente, a ideia é implantar a proposta em um pequeno trecho do bairro, atingindo as ruas marginais do sítio aeroportuário do de Congonhas, considerando os limites da Avenida Pedro Bueno, cobrindo ate as margens da “reserva florestal”, que começa na Comunidade JURANDIR. A área abrangida terminará na Rua Perdigão Nogueira, tendo como referência o Portão da INFRAERO.

De acordo com integrantes da AMEA (Associação de Moradores do Entorno do Aeroporto), o trecho é bastante adensado e o projeto deve já envolver um total de duas mil famílias.

Os moradores vão adotar o uso de aplicativos de troca de mensagens instantâneas, como WhatsApp e Telegram para se comunicarem e exercerem vigilância mútua, alertando problemas, indicando suspeitas, pedindo ajuda.

Para que a ideia avance, entretanto, a comunidade vai apresentar o projeto para aprovação da Polícia Militar e contará com apoio de empresa contratada para vigilância privada.

Com este conjunto de ações, a comunidade acredita que conquistará um patrulhamento real de 24 horas, envolvendo agentes públicos, privados e a própria vizinhança.

A ideia é testar a proposta por um período de 12 meses. Ao final, será feito um levantamento de indicadores como roubos e furtos em residências, ocorridos e registrados no distrito policial da área de experimento.

O projeto já foi recentemente implantado em outros bairros próximos, dentro da área do Conseg Campo Belo (27o DP) com apoio da PM e será debatido na reunião do Conseg Campo Belo para o entorno de Congonhas no dia 11, na Distrital Sul da CIESP (Centro de Indústrias do Estado de São Paulo), à Rua Bernardino de Campos, 145 – Brooklin Paulista (esquina com rua Princesa Isabel). A reunião se inicia às 19h30.

Como funciona

Há experiências de vizinhança solidária não só na capital paulista, como também em outras cidades do mundo. Na Inglaterra, por exemplo, há ações que inspiraram a versão nacional, em que condomínios próximos mantêm comunicação constante.

Uma das medidas propostas no “Vizinhança Solidária” é justamente que os porteiros de edifícios mantenham comunicação constante entre eles.

Os idealizadores contam que, quando as pessoas de uma comunidade se conhecem e passam a interagir, forma-se um sentimento recíproco de obrigações e interesses.

Outra ação que ajuda a inibir ação criminosa é a colocação de placas de ferro nos portões da área onde a Vizinhança Solidária é implantada.

A Polícia Militar coopera não só mantendo o trabalho regular na área, como através de orientações preventivas.

Há também cursos e palestras específicos para os porteiros.

Em São Paulo, a primeira iniciativa do gênero data de 2009, quando um grupo de síndicos do Itaim Bibi resolveu adotar o Vizinhaça Solidária.

Segundo a PM, o resultado foi o acúmulo de números positivos, como a queda quase pela metade (-46,4%) do número de roubos de veículos na região, além de redução significativa de outros tipos de roubos (-17,9%) e no de furtos de veículos (-4,7%).

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Palestra na ACSP também debaterá segurança

Parece que é consenso: se a comunidade não se une, não estreita suas relações e, mais do que isso, se não volta a ocupar seu bairro, circular e aproveitar as praças, parques e equipamentos públicos, a violência domina.
Na próxima semana, também a Associação Comercial vai discutir a importância de se valorizar o sentimento de pertencimento e o controle da violência pela participação comunitária.
O palestrante será o Cel. PM Luiz Eduardo Pesce de Arruda. O encontro acontece no dia 14, quinta, às 19h30, no auditório da Distrital Centro-Sul: Avenida Santa Catarina, 641 – Vila Alexandria – São Paulo/SP.
A participação é aberta a todos os interessados mas é necessário fazer inscrição prévia. Em caso de dúvidas, entre em contato por meio dos telefones: 3180-3818 / 3819 ou pelo e-mail: dcentrosul@acsp.com.br

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