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Saúde

Hospital São Paulo se prepara para enfrentar Coronavirus

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Principal equipamento de saúde da região e um dos mais importantes da cidade, por contar com atendimento universal, o Hospital São Paulo, na Vila Clementino, tem discutido as ações para o enfrentamento ao coronavírus (Covid-19).

O Hospital universitário, ligado à Universidade Federal de São Paulo, reuniu o corpo técnico da instituição – médicos, docentes, estudantes e profissionais da Saúde já no início de março.

No dia 6, foi ainda promovida a Câmara Técnica Extraordinária do Coronavírus. O encontro foi realizado com a finalidade de debater com as equipes de administração, em especial as que atuam na universidade diretamente com serviços e contratos, as ações necessárias para contribuir com a prevenção contra a Covid-19, além de esclarecer dúvidas frequentes sobre a doença. “O nível de alerta em que estamos é de contenção. No Brasil e no mundo, passamos por outros dois níveis antes desse – alerta e perigo iminente. A contenção significa que é o momento de nosso país começar a adotar uma conduta diferente, verificando quem de fato possui o vírus e isolar os indivíduos de casos confirmados”, explicou a docente do Departamento de Saúde Coletiva da Escola Paulista de Enfermagem (EPE/Unifesp), Mônica Taminato.

A instituição tem apontado que em situações anteriores de enfrentamento de epidemias mundiais, como a SARS em 2002 e a Influenza A em 2009, o complexo Hospital Universitário esteve preparado e coordenou grandes e importantes ações de prevenção, de atendimento e de combate, tendo superado aquele momento epidêmico.

A Comissão de Epidemiologia Hospitalar do Hospital São Paulo (CEH-HSP/Unifesp) tem orientado e realizado palestras sobre o tema, bem como tem atuado para auxiliar na orientação dos profissionais de saúde da instituição, de acordo com as orientações e protocolos da Organização Mundial da Saúde, do Ministério da Saúde e da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo.

No encontro com médicos e docentes, a professora afiliada e médica infectologista da Unifesp, Nancy Bellei, apresentou os aspectos virológicos e clínicos do avanço da infecção no mundo, desde os primeiros casos notificados na China, baseando-se nos artigos publicados a partir de janeiro de 2020.

De acordo com os dados coletados, o maior risco de doença grave e mortes ocorre em pessoas com mais de 60 anos, sendo que os maiores índices de letalidade acontecem nos idosos com mais de 80 anos (15%). A maior parte do contágio e dos casos pelo mundo ocorreu dentro dos domicílios, entre os próprios familiares.
Bellei ressaltou a importância da vacinação contra influenza, principalmente, para os doentes crônicos, os quais representam o grupo de maior hospitalização e gravidade, dentre aqueles infectados pelo Sars-CoV-2.

O ministério da Saúde já avisou que vai antecipar a Campanha da Vacinação esse ano, que terá início em 23 de março.

Oprofessor associado e livre-docente da Disciplina de Infectologia da Unifesp, Eduardo Medeiros, relatou a importância de o hospital manter uma equipe assistencial estruturada, integrada e coordenada para enfrentar situações como essa, revendo os processos assistenciais de forma constante.

Ele destacou a mobilização interna desenvolvida por meio de orientações aos pacientes com informativos e para os profissionais que atuam principalmente no pronto-socorro e na enfermaria de Doenças Infecciosas e Parasitárias, de treinamento para coleta de material para exames e da elaboração dos fluxos de atendimentos.

Atualmente, segundo ele, estão em avaliação e discussão os critérios clínicos para internação.

O professor reforçou as medidas de prevenção para evitar a transmissão do vírus, como lavar as mãos com água e sabão com frequência ou higienizá-las com álcool em gel, cobrir o rosto ao tossir ou espirrar, dentre outras.

Ainda de acordo com ele, recomenda-se acompanhamento domiciliar para pacientes com quadros respiratórios leves suspeitos ou confirmados e seus contatos, sem necessidade de buscar atendimento em hospitais, acompanhando a evolução dos sintomas em casa. Para o professor, até o momento, a instituição tem conseguido resolver as questões referentes ao coronavírus de forma bastante adequada. “Nessa situação toda, mesmo diante de nossas dificuldades, o Hospital São Paulo se preparou com processos que permitem uma assistência segura para os pacientes e profissionais”, concluiu.

UBS

Embora o HSP esteja de prontidão para enfrentar a situação, a Prefeitura paulistana tem orientado quem apresenta os sintomas do vírus para que procure uma das 468 Unidades Básicas de Saúde (UBS) da capital, deixando a rede de emergência (como hospitais e prontos-socorros) apenas para os casos mais graves de saúde ou para as pessoas pertencentes aos grupos de risco, que são as pessoas com idade a partir de 60 anos e os portadores de doenças crônicas graves e imunodeprimidos, como pacientes que passam por quimioterapia.

Estudos indicam que 90% dos casos de Covid-19, também conhecido como Coronavírus, são mais leves, como os de um resfriado ou uma gripe, e podem ser consultados nos postos de saúde.

“Eu posso garantir a vocês que se nós formos hoje aos hospitais e prontos-socorros do município de São Paulo, 81% dos pacientes que estão lá deveriam estar em outros lugares, como Unidades Básicas de Saúde, programa da família e ambulatórios de especialidades. Se todo mundo entender que a porta de entrada para tosse e febre é pronto-socorro não haverá sistema de saúde que aguente”, disse o infectologista e coordenador do Centro de Contingência do Coronavírus no Estado, David Uip.

UTI

O Governo do Estado também anunciou algumas medidas, como a reserva de mil novos leitos de UTI para atendimento aos casos de Coronavírus no estado e o lançamento, até o final de março, de um aplicativo para monitoramento digital de pacientes suspeitos ou confirmados com recomendação em isolamento domiciliar. O serviço será complementado por Telemedicina para avaliação por médicos nos casos necessários. O objetivo é dar suporte especializado para quem deve permanecer em casa, evitando deslocamentos desnecessários a serviços de saúde e, consequentemente, a propagação do vírus. O serviço vai garantir o sigilo e a segurança do paciente, com encaminhamento adequado dos casos agravados.

O Governador João Doria também negou a necessidade imediata de medidas mais drásticas, como a suspensão de atividades em repartições públicas e escolas. Eventos culturais, esportivos e religiosos que reúnem grande público estão mantidos tanto na capital como nas demais regiões do Estado.

Os coronavírus humanos comuns causam infecções respiratórias brandas a moderadas de curta duração. Os sintomas podem envolver coriza, tosse, dor de garganta e febre. Esses vírus algumas vezes podem causar infecção das vias respiratórias inferiores, como pneumonia. Esse quadro é mais comum em pessoas com doenças cardiopulmonares, com sistema imunológico comprometido ou em idosos.

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