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Saúde

Histórias em Quadrinhos ajudam crianças na prevenção de distúrbios do sono

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Pesquisa foi desenvolvida em ambulatório de Neurosono, na Vila Clementino, com crianças de 6 a 10 anos

Desenvolver uma ação direcionada à população infantil por meio de recursos didáticos que privilegiam a comunicação visual, em detrimento da alfabética, é uma ferramenta eficaz na informação e prevenção de distúrbios do sono em crianças. A descoberta foi feita em uma pesquisa do programa de pós-graduação em Medicina Translacional da Escola Paulista de Medicina (Unifesp), que também considerou que parte da população adulta, atendida nos serviços de saúde pública do país, apresenta baixa escolaridade.
De acordo com a designer e doutora em ciências, autora da tese, Eleida Camargo, é fundamental ampliar as possibilidades de tratamentos menos invasivas e mais eficazes, principalmente na fase escolar, entre os 6 e 10 anos de idade. “A história em quadrinhos permite o contato com a informação de forma coloquial e lúdica, havendo indicações de sua eficiência como recurso didático e instrucional”, comenta.
Algumas das implicações pediátricas dos distúrbios do sono podem ser de ordem cognitiva, comportamental e física, como déficit de crescimento, dificuldades de aprendizagem, distúrbios comportamentais e hipodesenvolvimento craniofacial, o que atrapalha não somente a saúde física da criança, mas também seu convívio social e educacional. “A visão do especialista é predominante nas ações de comunicação em saúde, sem levar em consideração as expectativas do público ao qual esta ação se destina”, explica a pesquisadora.
O Estudo
Para que esta intervenção fosse eficiente, constatou-se ser fundamental o conhecimento do perfil de seu público-alvo. A análise sociodemográfica de 208 prontuários de pacientes atendidos no Ambulatório de Neurosono da Unifesp mostrou que o nível de escolaridade da amostra correspondia ao ensino fundamental e a renda familiar era de até três salários mínimos. Os diagnósticos prevalentes foram: Ronco (57,2%), síndrome da apneia obstrutiva do sono (44,2%) e Insônia (19,7%).
Com base nestes dados, foram elaboradas três histórias em quadrinhos sobre os distúrbios do sono, abordando temas que se revelaram prevalentes e/ou pouco conhecidos da população pesquisada, e aplicada uma pesquisa, antes e depois da leitura da história em quadrinhos, junto a 548 escolares provenientes das redes de ensino pública e privada para avaliar a eficácia de uma das histórias e o conhecimento prévio dos estudantes sobre o tema.
Em uma das perguntas (sobre o significado do ronco), antes da leitura, 39,6% das crianças identificou o ronco como um possível sintoma, assinalando que é indicativo de que “algo está errado”; 42,1% considerou que “todo mundo ronca” e 23,4% assinalou que roncar “não é educado”.
Após a leitura dos quadrinhos, foi observado que 61,4% das crianças passou a identificar o ronco como sintoma (aumento de 21,8%); 25,6% assinalou que “todo mundo ronca” e 19,0% que “não é educado” (diminuindo, respectivamente, 16,5% e 4,4%).
“Constatou-se que houve diferença significante entre as respostas corretas, antes e depois da leitura, o que pode indicar a eficácia dessa ação de educação em saúde”, finaliza Eleida.

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