Jornal São Paulo Zona Sul

Documentário conta história de morador que trouxe poesia para praça cheia de lixo

Em uma pequena praça chamada Angel Ramirez, entre as ruas Nicolau de Souza Queiroz e Alceu Wamosy, um senhor de origem japonesa era sempre visto cuidando da pracinha. Aquela imagem chamou a atenção da jornalista Paula Moura, que já foi repórter do São Paulo Zona Sul e sempre foi aficionada por cultura oriental. Formada pela Universidade de São Paulo (USP), Paula acabou desbravando Japão, China… e sempre se dedicou a descobrir mais sobre a filosofia destes povos através da prática jornalística.

Foi assim que ela acabou se aproximando de Chimio Karasawa, de 94 anos. “Ele pegou um papel e escreveu para mim uma frase que, segundo ele, serviria para eu ser feliz. Era “Sê como o sândalo, que perfuma o machado que o golpeia”. Me apaixonei”, relembra Paula. O resultado é um documentário de 18 minutos que será apresentado no Festival do Japão, que acontece neste fim de semana no Centro de Exposições Imigrantes, no Jabaquara.

Chimio Karasawa nasceu em 1917 numa fazenda de café na cidade de Pedreira (SP). Sua família veio para o Brasil no segundo navio da imigração japonesa ao país, em 1910. Não falava português até os 16 anos e estudou tanto a língua portuguesa quanto contabilidade por conta própria. Era agricultor, mas se tornou comerciante. Transformou a primeira loja Karasawa, aberta em 1941, em Álvares Machado (SP), em 14 filiais por São Paulo e Paraná. Vive em São Paulo desde 1964. Ao completar 70 anos, viajou por 28 países. E conheceu quase todo o Brasil.

Quando sua esposa ficou doente, ele passou a cuidar da pracinha na Vila Mariana, que era um depósito de lixo. Ela faleceu em 2009, mas ele continuou cuidando do local, ficando conhecido na região e recebendo doações de plantas, além de estudar sobre o assunto e comprar plantas também para o local.

O documentário “Haicais do jardim – História de Vida de Chimio Karasawa” parte do questionamento: o que você faria se chegasse aos 93 anos? O que teria para contar? A história de Chimio Karasawa mostra que a vida pode ser encarada de uma maneira positiva e bem-humorada.

Feito a partir de imagens de Tiago Queiroz com reportagem de Paula Moura, o documentário será exibido dias 15/07 (14h e 18h); 16/07 (11h e 18h) e 17/07 (11h e 17h), durante a programação especial para a Terceira Idade.

O 14º Festival do Japão acontece neste fim de semana – dias 15, 16 e 17 de julho no Centro de Exposições Imigrantes, à Rodovia dos Imigrantes, km 11,5. Haverá Ônibus gratuito no metrô Jabaquara. Ingressos antecipados: R$ 8 e no dia por R$ 10. Entrada gratuita para crianças até 8 anos,  idosos acima de 65 anos e escoteiros uniformizados.

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