Jornal São Paulo Zona Sul

Descarte correto é essencial para futuras gerações

Sempre que se fala em mudar o futuro, preservar o planeta, outra ação vem sempre à mente: educar. É preciso mudar atitudes da população por meio de ações de conscientização ambiental.

Não há espaço para tantos resíduos no planeta. Para onde vai todo o lixo produzido pelos 12 milhões de pessoas que vivem na maior metrópole do pais todos os dias? A cidade de São Paulo já não tem áreas disponíveis para criar novos aterros. Qual é a melhor atitude para fazer com que os aterros atuais tenham suas vidas prolongadas e a cidade não precise pagar para “exportar” lixo, no futuro?

Só mesmo reduzindo a quantidade enviada diariamente, que chega a 12 mil toneladas. Estima-se que quase 40% desse total poderia ser reciclado – ou seja, além de não ocupar espaço nos aterros, ainda evitaria a extração de matéria prima da natureza.
E outra medida importante é evitar a produção desses resíduos. Muita gente está percebendo que a mudança vem de dentro.

Educar para reduzir

Crianças representam alegria na cada das famílias, mas também podem trazer muita bagunça ou muito acúmulo de objetos, brinquedos, materiais escolares, livros.

Não foi diferente na casa de Sonia Neves, educadora. “Meu filho Enzo tem nove anos e, como com toda criança, é preciso ficar em cima para garantir a arrumação”, admite a moradora da Vila Mascote, no Jabaquara.

Mas, Sonia conta que logo percebeu que seria fundamental educá-lo para uma nova postura diante da vida urbana. “Moramos em apartamento, o espaço é pequeno e aprendemos juntos a controlar os impulsos do consumo”, relata.

Para ela, o primeiro passo para ensinar a importância de conter excessos e preservar a natureza está na coleta seletiva. “Enzo me ajuda! Sabe que não pode descartar tudo no mesmo lugar. Tenho uma lixeira específica, limpo o material e meu filho sempre desce o lixo comigo no condomínio”, conta.

A Vila Mascote, como todo o Jabaquara, é atendida pela coleta seletiva domiciliar. O serviço é prestado pela Ecourbis Ambiental, concessionária que faz tanto a coleta regular quanto a seletiva nas zonas Sul e Leste da capital. Para saber a data e o horário em que os serviços são prestados em cada rua dessas regiões, basta entrar no site: https://www.ecourbis.com.br/coleta/index.htmle inserir o CEP ou endereço a ser consultado.

Coleta seletiva tem função social

“Gosto de conversar com ele sobre o planeta e a separação do material reciclável é um ótimo momento para isso. Enzo sabe que pessoas vivem da coleta e reciclagem de materiais, como sabe da importância para o planeta.

Para a educadora, crianças que aprendem desde cedo sobre a importância de dar continuidade ao uso de materiais como plásticos, metais, papéis e vidros sabem também valorizar o consumo.

“Outra ação fundamental em casa é manter tudo organizado. Temos caixas organizadoras para separar os brinquedos: a caixa dos heróis, das bolas, dos carros”, descreve. A organização permite que a criança valorize mais cada brinquedo, saiba revezar na hora de brincar e mantém a durabilidade. No momento em que um brinquedo quebra, transforma-se em material reciclável.

“Quero realizar seus sonhos, mas procuro educa-lo para curtir bastante o que conquista. Então, ele aproveita seus brinquedos por muito tempo. Nunca aconteceu em casa de brincar por um dia e descartar”, garante. Os brinquedos que perdem o interesse por conta da faixa etária, mas ainda estão em boas condições de uso, vão para a doação. “Ele mesmo separa e vai comigo entregar os brinquedos em entidades beneficentes”, conta a educadora, garantindo que todo esse processo faz com que a criança valorize seus objetos, preserve a natureza e ainda mantenha-se solidária e socialmente atuante.

Valorizar mais a experiência

Até nos pequenos detalhes, Enzo valoriza mais a atitude do que o consumo. É o que acontece, por exemplo, quando quer homenagear amigos, familiares, professores. “Ele próprio desenha cartões de felicitações”, exemplifica Sonia.

Ela acredita que é essencial valorizar a experiência, mais do que a compra de objetos e coisas. “No quarto dele, fizemos uma parede com desenhos de sua autoria. Aliás, fomos nós quem pintamos a parede… Ele se sente valorizado e reconhecido por seu capricho”.

A educadora ainda gosta de deixar claro o conceito de recompensa pelas atitudes corretas. “Ele não ganha coisas por ter agido da maneira correta. O papo aqui é que a ajuda deixa a casa gostosa e agradável para nós. Quanto mais a gente cuida, mais agradável fica e mais economizamos”.

Gerar lixo tem custo social e ambiental

Nessa lógica, a geração de lixo é incluída na responsabilidade mútua. “Tem que ajudar porque nós dois produzimos o lixo”, diz.
Muita gente nem acredita, mas Enzo usa os mesmos cadernos desde 2017! Encapados e bem cuidados, os cadernos ainda têm folhas brancas em excesso de um ano para outro e Sonia achou um absurdo trocar com tanto espaço disponível para uso.

00“Consumo aqui é super consciente! E o descarte também!”, conclui a educadora.

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