Jornal São Paulo Zona Sul

Coleta de resíduos é serviço essencial e não será suspensa

Em tempos de pandemia, com um novo e perigoso vírus se espalhando velozmente pelo planeta, destaca-se a importância do serviço de limpeza pública e, paralelamente, o quanto é urgente que a população se conscientize sobre a geração de resíduos e o desequilíbrio gerado pelas agressões ao meio ambiente.

Os profissionais que trabalham diretamente na coleta, triagem e separação de resíduos continuam atuando pela cidade nesse momento de isolamento. A pandemia mudou a rotina da população em todo o planeta e esses serviços eventualmente poderão sofrer algum ajuste no horário em que são realizados, mas continuarão sendo prestados sem interrupções por conta do caráter essencial. Até o fechamento dessa edição, ainda não havia dados sobre possíveis alterações.

E, como sempre, os profissionais do setor mantêm todos os protocolos para garantir que a cidade fique limpa sem comprometer a saúde da população – ou deles próprios. Usam luvas, botas e uniforme completo de proteção. Nas zonas sul e leste da capital paulista, a coleta domiciliar e também a coleta seletiva de recicláveis são realizados pela Ecourbis Ambiental.

A concessionária ainda desenvolve várias outras ações para garantir que o serviço prestado seja de excelência, com limpeza diária dos caminhões, preservação dos pontos de transbordo; além da própria destinação final em aterros e monitoramento de aterros desativados, completando o ciclo correto para os resíduos gerados diariamente.

A concessionária ainda cuida, com veículos especiais e processos específicos, da destinação dos resíduos de saúde produzidos em clínicas, hospitais e outros equipamentos.

Para se ter uma ideia, a cidade gera, em média, 18 mil toneladas de resíduos todos os dias, entre sobras de feiras, varrição, podas, resíduos da saúde, animais mortos e o lixo residencial. Só dos domicílios paulistanos saem, diariamente, 12 mil toneladas de resíduos.

A cidade gera, em média, 18 mil toneladas de lixo diariamente (lixo residencial, de saúde, restos de feiras, podas de árvores, entulho, etc.). Só de resíduos domiciliares são coletados quase 10 mil toneladas por dia.

Diariamente, é percorrida uma área de mais de 1.500 km² e estima-se que mais de 11 milhões de pessoas são beneficiadas pela coleta. Em toda capital, cerca de 3,2 mil pessoas trabalham no recolhimento dos resíduos e são utilizados mais de 500 veículos (caminhões compactadores e outros específicos para o recolhimento dos resíduos de serviços de saúde).

De acordo com a Autoridade Municipal de Limpeza Urbana – Amlurb, o serviço de coleta domiciliar comum porta a porta está presente em 100% das vias da cidade, cobrindo os 96 distritos do município de São Paulo e conta com aproximadamente 5 mil funcionários e 454 veículos.

Como agir em casa?

E o paulistano que está passando mais tempo em casa, o que pode e deve fazer para contribuir com a limpeza pública nesse tempo de pandemia?

Vale lembrar que resíduos mal acondicionados também podem provocar proliferação de animais sinantrópicos, ou seja, animais que transmitem doenças, como o mosquito Aedes aegipty. Qualquer embalagem descartada incorretamente pode acumular água e servir de criadouro para larvas dos mosquitos que são vetores de dengue, febre amarela, chikunguya e zika vírus.

É essencial, portanto, acondicionar os resíduos domésticos adequadamente e não descartar nada na rua – nem um papel de bala, nem uma bituca de cigarro.

Em casa, coloque os resíduos não recicláveis em sacos firmes e bem protegidos e disponha na rua apenas pouco antes de o caminhão passar – no máximo duas horas antes.

Separe os recicláveis, todos em uma única embalagem: plástico, metal, papéis e vidro. Esse material será destinado à triagem, ou por cooperativas ou na Central Mecanizada de Triagem Carolina Maria de Jesus, em Santo Amaro.

Em casa, sempre que for manipular os resíduos, lembre-se de lavar bem as mãos – não só por conta da nova COVID-19, mas porque hábitos de higiene protegem de diversas patologias.

Maior geração de resíduos

Com o isolamento domicilar orientado pelas autoridades, evite comprar alimentos perecíveis em excesso e progreme antecipadamente o cardápio planejado para a semana. Dessa forma, há uma educação ambiental doméstica, sem desperdício de alimentos por excesso de produção ou por estragarem sem sequer terem sido utilizados.

Separe as embalagens para reciclagem. Mas, atenção: embalagens sujas de gordura, como aquelas que são entregues em casa com alimentos prontos – pizzas, sanduíches e porções – não podem ser recicladas e devem ser descartadas no lixo comum.

A maioria das crianças e jovens está fora da escola. Aproveite o momento para conversas em família orientando sobre a importância dos serviços de limpeza urbana, separação correta dos resíduos e consciência sobre desperdício. Valorizar alimentação saudável e natural é outro aspecto a ser explorado nesse momento.

Os passeios a ambientes fechados – como shopping centeres, cinemas e teatros – estão suspensos por decretos.

Nas conversas em família, com crianças em casa, é importante ressaltar a importância do contato com a natureza.

Entretanto, esse é um momento de evitar equipamentos de playground ou ginástica em praças ou ao ar livre e locais com aglomeração de pessoas.

Aproveite também o tempo em casa para separar, conjuntamente com a família, objetos possíveis de doação. Roupas e calçados em bom estado, eletrodomésticos e eletrônicos em funcionamento, móveis e brinquedos que não estejam mais sendo aproveitados.

O momento também propicia diálogo sobre o consumo consciente e a importância de evitar agressões ao meio ambiente. O comércio estará totalmente fechado nos próximos dias, exceto estabelecimentos que ofereçam itens essenciais como alimentos e medicamentos.

Valorize o comércio local

Para fazer suas compras de alimentos, suprimentos de higiene e cosméticos, produtos médicos e farmacêuticos, dê preferência ao pequeno comerciante, supermercados, açougues e lojas de seu bairro, faça pedidos em restaurantes locais para entrega em domicílio.

Esses estabelecimentos podem sofrer com a queda de movimento provocada pelo isolamento dos paulistanos em casa, resultando em aumento do desemprego e crise econômica.

Além disso, o fomento ao comércio de forma regionalizada é ação sustentável, prevista nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Organização das Nações Unidas (ONU).

Fomentar um comércio justo e que promova a comunidade traz diversos benefícios como a geração de empregos, a redução da necessidade de deslocamentos e o desenvolvimento local.

Outra forma de contribuir para que o momento seja mais tranquilo é se oferecer para fazer compras para os parentes mais idosos, evitando que saiam de casa.

Quando a situação se normalizar, atente também a esse tipo de atitude, valorizando estabelecimentos próximos, profissionais que atuam em sua comunidade.

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