Jornal São Paulo Zona Sul

Casarão abandonado da Paulista será transformado em Museu

A Avenida Paulista vai comemorar 128 anos em 8 de dezembro. E já ganhou um presente essa semana. O último de seus casarões, que está deteriorado, pichado, vai ser restaurado. Melhor ainda: vai se transformar em um Museu que consegue reunir os conceitos de preservação da história com olhar voltado para o futuro.

A ideia é inaugurar o novo espaço cultural da cidade em 2022, mesmo ano em que está prevista a reabertura do Museu do Ipiranga, totalmente repaginado.

O projeto será viabilizado graças a uma parceria com a CNI Confederação Nacional da Indústria, que terá concessão do terreno e do prédio por 35 anos.

O casarão é conhecido como Residência Joaquim Franco de Mello porque foi habitado por esse barão do café no início do século passado. Ocupa um terreno de 4720m², mas de área construída são apenas 600 metros quadrados, ali no número 1919 da Avenida Paulista. O imóvel já teve 35 cômodos internos!

Como no caso do Parque Modernista, na Vila Mariana, o tombamento do casarão do café gerou uma longa disputa judicial entre a família de proprietários e o Governo do Estado, o que também explica seu estado de conservação e falta de projetos definitivos.

Essa semana, o Governador João Doria, anunciou o acordo com a CNI que, por meio do Sesi, vai implementar ali um novo espaço imersivo e interativo, nos moldes do famoso Exploratorium, laboratório público de aprendizado localizado em São Francisco, nos Estados Unidos.

O anúncio foi feito durante a visita da comitiva do Governo do Estado ao Exploratorium, e contou com a presença dos Secretários de Estado Sérgio Sá Leitão (Cultura e Economia Criativa) e Patrícia Ellen (Desenvolvimento Econômico) e do presidente da CNI, Robson Braga de Andrade. O local passará por reformas, preservando as características do local, para a implantação do novo espaço expositivo que ainda não tem nome definido. O restauro do imóvel e a construção do anexo vai acontecer, garante o Governo, de acordo com projeto aprovado nos órgãos de patrimônio.

Serão quase cinco mil metros quadrados voltados para a economia criativa e a inovação, com a realização contínua de atividades de formação e capacitação, apoio a empreendedores e startups e exposições de arte e tecnologia.

“A convergência entre arte, criatividade, inovação e tecnologia é o grande vetor do futuro da humanidade e o dínamo da quarta revolução industrial. O espaço que faremos no Casarão em parceria com o SESI será uma vitrine disso. As pessoas poderão conhecer, experimentar e também construir um futuro melhor para todos”, enfatizou o Secretário da Cultura e Economia Criativa, Sérgio Sá Leitão.

A iniciativa terá o apoio de diversas instituições internacionais, como o Exploratorium e o Smithsonian, entre outras.

“Dois pontos positivos dessa parceria: primeiro com a Exploratorium, com quem já estamos há dois anos discutindo como levar ao Brasil o que eles tem de melhor e, segundo, por levar essa estrutura para São Paulo, que vai permitir mostrar para o Brasil inteiro como que a ciência, a tecnologia e a inovação podem contribuir com os jovens do futuro”, afirmou o presidente da CNI, Robson Braga de Andrade.

O Exploratorium

Trata-se de um espaço interativo e imersivo de ciência, arte e percepção humana, criado há 50 anos. Com ênfase na experimentação e no prazer da descoberta. São mais de 650 displays internos e ao ar livre, além de exposições temporárias e instalações. Dentre as experiências, destaca-se o Domo Tátil, onde é possível fazer uma incursão interativa na escuridão total, usando o tato como único guia.

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