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Aeroporto de Congonhas deve voltar a ter voos internacionais em outubro

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Desde 1980, o Aeroporto de Congonhas deixou de ter voos internacionais. Com a urbanização do entorno, intenso movimento do tráfego local e crescimento dos bairros ao redor, o Aeroporto inaugurado em 1936 tinha que reduzir seu movimento para garantir segurança. Mas, essa situação está prestes a ser revertida – a expectativa é de que em outubro seja autorizada a circulação de voos da América Latina no aeródromo que fica na divisa entre Jabaquara e Santo Amaro.

Outra notícia que pode representar o aumento da movimentação em Congonhas é sua concessão à iniciativa privada. E vale ainda destacar que a área ocupada pelos antigos hangares da Varig será transformada em uma mega loja de materiais de construção.

A Infraero informou que está realizando obras de reforma e adequação de algumas áreas do Aeroporto de São Paulo/Congonhas para permitir a operação internacional, mas por enquanto somente da aviação geral executiva. Iniciados no começo em junho, os trabalhos seguem em ritmo acelerado e a previsão é de estarem concluídos no próximo mês de outubro.

Os investimentos são da ordem de R$ 2,5 milhões, oriundos do Fundo Nacional de Aviação Civil (Fnac).

O projeto do terminal internacional da aviação executiva prevê instalações para a Polícia Federal, com escritório e salas de inspeção, alfândega da Receita Federal (incluindo área de catering e depósito de bens apreendidos), Vigilância Agropecuária Internacional (Vigiagro) e Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), com salas de atendimento, higienização e confinamento.

Outras melhorias são as instalações sanitárias, copa, lounge e acomodações requeridas para o conforto dos passageiros e o adequado desempenho das atividades.

“A internacionalização da aviação executiva significa a retomada das operações internacionais em Congonhas, suspensas desde os anos 1980 e abre um amplo campo de negócios para a aviação geral no terminal aeroportuário central da capital paulista. Já neste ano, vamos proporcionar condições de acesso e deslocamento à altura das necessidades do setor empresarial e também das viagens de turismo a outros países”, afirma o superintendente da Infraero no aeroporto, João Márcio Jordão

O ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas Gomes, tem celebrado a concessão de Congonhas e outros equipamentos federais à iniciativa privada. “Estamos na iminência de soltar a consulta pública da sétima rodada de concessões de aeroportos, que vai contemplar três blocos: o bloco Norte, com os aeroportos de Belém e Macapá; o bloco que contemplará outros aeroportos do Pará, Mato Grosso do Sul e Congonhas [SP] e um terceiro bloco, com aeroportos de Minas Gerais e o Santos Dumont, no Rio de Janeiro”, disse Freitas, acrescentando que espera levar a leilão, no primeiro semestre de 2022, a 16 aeroportos hoje administrados pela Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero).

Acidentes e vizinhança

Mas, essas notícias de ampliação e modernização deixam novamente a vizinhança em polvorosa: haverá mais riscos, mais trânsito ou mais barulho? Atualmente, o aeroporto não funciona das 23h às 6h. há segurança para a operação de número maior de voos ou aeronaves maiores na pista?

Além disso, a história pesa. Acidentes ocorridos no passado fizeram com que a comunidade de bairros próximos se mobilizassem para evitar obras de ampliação e solicitando a redução do movimento em Congonhas.

Em  31 de outubro de 1996, um Fokker 100, da TAM, que havia decolado de Congonhas com direção ao Rio de Janeiro caiu pouco adiante do aeroporto, próximo a uma escola em rua do Jardim Oriental, no Jabaquara. Os 99 passageiros e tripulantes morreram, além de 3 pessoas em solo – várias casas foram danificadas.

Em 17 julho de 2007, um outro avião da Tam, Airbus A 320, com 299 pessoas a bordo não conseguiu frear a tempo, atravessou a Avenida Washington Luis e explodiu ao bater em um prédio na Avenida, causando a morte de todos. Hoje, no local, há um memorial em homenagem às vítimas. Na época, o acidente foi um dos estopins para a criação do movimento Cansei, que pedia mudanças políticas. A vizinhança chegou a conseguir a redução dos números de voos no local, mas aos poucos a movimentação do aeroporto voltou… E pelo jeito será ampliada

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2 Comentários

2 Comments

  1. Maria Costa

    18 de setembro de 2021 at 14:17

    Acho essa ideia do aumento de mais aviões em Congonhas, péssima e autoritária. Não houve convocação da população em torno do aeroporto, o que é o mais afetado, para uma discussão democrática. Muito ruim uma decisão só levando em conta os empresários e outros que tais.

  2. Regina Claudia Cardoso

    22 de setembro de 2021 at 9:44

    Muito risco para os vizinhos do aeroporto. É preciso ter consciência urbana e preservar vidas em 1° lugar, depois o lucro financeiro.

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