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Ação do consumidor é importante

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O mundo vai mudar após a pandemia de Covid, com aumento das preocupações de preservação do meio ambiente, maior higiene pessoal e nos ambientes, novas atitudes de consumo e destinação final de resíduos? Muitos especialistas apostam que sim, inevitavelmente, pelas próprias alterações de rotina provocadas pela quarentena. Outros avaliam que é preciso esperar e, mais do que isso, acelerar ações de educação ambiental que foquem na importância desses novos hábitos para evitar problemas similares no futuro.

Para que o cenário futuro tenha mais cenas positivas, não são apenas os consumidores finais que devem adotar nova postura de consumo, tornar cotidiano o hábito de separar os materiais recicláveis para encaminhamento à coleta seletiva.

Quando se fala em mudanças, é fundamental que efetivamente atinjam todos os atores sociais envolvidos na geração e destinação de resíduos, no processo de consumo: poder público, indústria, comércio, prestadores de serviço.

Reduzir o consumo de energia e matérias primas, a geração de resíduos, ao mesmo tempo em que se amplia o volume de recicláveis e a participação da população são desafios conjuntos da sociedade brasileira, como já previa o Plano Nacional de Resíduos Sólidos, aprovado há 10 anos.
Mas, o interessante é que dá para consumidores participarem inclusive do processo de mudança nas empresas – sejam elas indústrias ou pequenos estabelecimentos comerciais. .

Cobrança positiva

O estudante universitário Pedro Mazzari tem se preocupado em ir além da separação dos materiais recicláveis em ambiente doméstico.

Ele, que cursa o útimo ano em Ciências Sociais e tem casa no Jabaquara, está preocupado em provocar mudanças nas empresas. “Sei que sou só um estudante, mas creio que as empresas estão abertas a nos ouvir. Não se trata de reclamação, mas sim de participação nesse processo”, avalia o jovem.

Pedro diz que tem prestado atenção em tudo o que sua família compra em supermercados e que as embalagens acabam sendo o principal foco de atenção e até de conversas com os pais.

“Especialmente durante essa quarentena, que estamos passando muito tempo juntos, percebi o quanto de embalagem vai direto para a reciclagem. Mas também descobri que muitos materiais não têm bom valor de mercado ou têm processo de reciclagem muito caro, não vale a pena a separação”, aponta o estudante. “O isopor é muito prático, mas aqui em casa decidimos não mais comprar legumes, verduras e frutas vendidos neles – sem falar que ainda vem com aquele plástico filme em volta, que também acaba no lixo comum”, observa.

Se no supermercado ele consegue evitar as bandejas de isopor, nos serviços de delivery percebeu que é mais difícil. “Mas tenho sugerido aos restaurantes e lanchonetes de onde pedimos refeições para que estudem outras embalagens disponíveis no mercado. Sei que o momento não é propício, os descartáveis têm grande importância para garantir a higiene e a não transmissão do vírus da Covid, mas creio que é também um momento de reflexão, de buscar um futuro melhor e mais saudável para o planeta”, diz o jovem.

Essas atitudes fizeram com que Pedro descobrisse também os Serviços de Atendimento ao Consumidor das indústrias. “Se eu penso em alguma melhoria para o meu celular, como reivindicar que a bateria tenha maior duração, ligo e falo. Acho que essa atitude pode trazer mudanças importantes a médio prazo”, diz o jovem.

Efetivamente, o fato de consumidores participarem ativamente no processo de compra – seja sugerindo melhores embalagens ou buscando produtos que gastem menos energia e durem mais – serão fundamentais no futuro e muitas das empresas já perceberam essa necessidade de praticar responsabilidade social e ambiental.

“Eu acho que, no futuro, todo produto terá que vir em uma embalagem que possa ser reaproveitada, de alguma forma, ou que tenha reciclagem garantida. E acho que alguns materiais de difícil reciclagem devem desaparecer ou ganhar um método para que possam também ser reaproveitados”, sonha o jovem.

Resgate de boas práticas

Enquanto o jovem Pedro sonha com um futuro com novas tecnologias e menos gastos de energia, há pessoas que sonham com o resgate da simplicidade que, no passado, evitava a geração de tantos resíduos. É o caso de Walkyria Alice, moradora do Campo Limpo. A professora aposentada ainda se lembra da infância, quando as compras eram feitas com potes levados de casa. “Tudo era a granel. Não tinha essa quantidade de embalagem”.

Cuidadosa com os resíduos domésticos, em especial nos tempos de pandemia, ela entende que as embalagens descartáveis surgiram pela necessidade de higiene. “Hoje, as grandes cidades reunem milhares de pessoas e seria impossível haver ‘vendinhas’, como a gente chamava os antigos armazens, para atender todo esse público. Até porque, como chegariam todos os produtos a tantos entrepostos?”, pergunta.

Por outro lado, ela considera que essas antigas práticas podem inspirar novas ideias. “Creio que a pandemia está fazendo as pessoas repensarem, valorizarem aquilo que há de mai simples na vida, como um passeio pela rua, uma conversa de bar, um encontro familiar cheio de abraços”, diz. “Acho que as empresas precisam retomar os vasilhames retornáveis, estudar produtos tanto para famílias pequenas, em pequenas quantidades que evitam desperdício, quanto embalagens bem grandes, de produtos que duram mais, para que as pessoas possam economizar ao mesmo tempo que evitam tantas embalagens”.

O básico ela também faz. Separa os recicláveis para a coleta seletiva que acontece em sua rua. Nas zonas sul e leste paulistanas, o serviço é oferecido pela concessionária Ecourbis. Para saber o horário em que o caminhão da coleta seletivao ou mesmo o caminhão tradicional passam pela rua onde mora, basta acessar www.ecourbis.com.br/coleta/index.html

Com toda sua experiência de dona de casa e seus conhecimentos como professora, Walkyria aponta que, mesmo antes de todas essas mudanças entrarem em prática, já é possível fazer todo o planejamento tendo em vista o combate ao desperdício, a limpeza da casa e os cuidados para evitar doenças. “Porque não é só a Covid que pode nos atingir se não cuidarmos da higiene. Tem a dengue e tantas outras doenças trazidas por ratos, mosquitos…”, alerta. Ela mantém em casa uma lixeira exclusivamente para o material reciclável e outra para os demais resíduos.

Cozinheira de mão cheia, raramente recorre a pedidos de refeição pronta e acredita que, com criatividade, não se joga fora nenhum alimento. “Farinha, grãos, enlatados, dá para estocar por bastante tempo. Mas na hora de comprar perecíveis é bom não exagerar pra não deixar nada estragar”, orienta.

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