História

Em 1960, a cidade de São Paulo era completamente diferente. Havia cerca de 5 milhões de habitantes – menos do que o total de carros circulando atualmente pela metrópole, que é de 8 milhões! -, os paulistanos nem chamavam os bairros da Zona Sul de bairros. Basta conversar com qualquer pessoa que viveu aquela época e ela vai te relatar como fazia para chegar “à cidade”, ou seja, o centro era sinônimo de cidade e os bairros eram regiões distantes, separadas pela dificuldade de acesso. Não só havia poucos carros – as casas nem tinham garagem, o metrô só seria inaugurado 14 anos depois, poucas linhas de bonde e ônibus atendiam os bairros mais distantes.

Foi neste cenário de dificuldades, com muitas ruas ainda de terra, que o movimento de Sociedades Amigos de Bairro ganhou importância. E foi a partir deste movimento que surgiu o jornal São Paulo Zona Sul, com o objetivo de ser porta voz do Plenário das Sociedades Amigos de Bairro da Zona Sul da capital.

Em um domingo de inverno, dia 17 de julho de 1960, foi distribuída a primeira edição do jornal São Paulo Zona Sul, na época dirigido pelo jornalista Mario Miranda Rosa. Na equipe de diretores, estava também o jornalista especializado em demandas comunitárias, Luiz Ismar D’Angelo Netto, ele mesmo morador do incipiente bairro Cidade Vargas, no Jabaquara, e integrante da Sociedade Amigos da Cidade Vargas. D’Angelo, aliás, até hoje é lembrado como um dos principais presidentes da entidade, que ajudou a fortalecer, criando uma sede que até hoje mantém não apenas discussões de cunho comunitário e atuação frente a diferentes níveis de poder público, como também é endereço de prática de esportes e lazer para a comunidade local.

Nas décadas seguintes, o jornal São Paulo Zona Sul passou por diversas fases, enfrentou dificuldades, mudou de mãos… Mas a preocupação com a defesa dos bairros Vila Mariana, Saúde, Jabaquara e Cursino se mantinha como principal foco editorial.

D’Angelo se tornou proprietário definitivo em 1980 e, pouco depois, o jornal passou a ser dirigido em conjunto com seu filho Wagner D’Angelo, que até hoje comanda a empresa.

Na década de 1990, o jornal reforçou sua postura editorial de cunho educativo, com pautas em educação ambiental, orientação para pais com filhos em idade escolar, sustentabilidade, lazer e cultura. Tudo com foco regional, publicando aquelas temas e problemas geralmente ignorados ou de pouco destaque na imprensa diária. O jornalismo comunitário, com problemas cotidianos ganhando peso e repercutindo junto a autoridades públicas, foi outra aposta. E deu certo! O leitor se mostrava satisfeito com as dicas de lazer, gastronomia e cultura locais, ao mesmo tempo em que sabia que podia contar com o jornal para batalhar por melhorias locais.

Essa linha editorial permanece como um dos diferenciais do Jornal São Paulo Zona Sul na década de 2000, quando muda seu formato, reformula o projeto gráfico e busca sempre novidades e pautas diferenciadas para encantar o leitor. O jornal também se tornou um dos principais referenciais em educação, com parcerias fortes estabelecidas com diferentes instituições educacionais da região.

Atualmente, o jornal está em novo processo de atualização e mudanças. Se por um lado valorizamos nossa tradição e a linha editorial séria e isenta, por outro investimos na modernização e experimentamos em novas linguagens. A presença nas redes sociais e na internet não está apenas sendo alvo de investimentos, como também de buscas por trilhas diferenciadas que fortaleçam um importante pilar da sustentabilidade: a força da comunidade, a importância do comércio local, o fomento à economia localizada em um mundo globalizado.