Jornal São Paulo Zona Sul

Geramos mais lixo do que imaginamos

Resíduos orgânicos, rejeitos, material reciclável… Quem mora em um grande centro urbano como a capital paulista precisa conhecer os diferentes tipos de “lixo”, as destinações possíveis, a importância de reduzir a quantidade gerada, reaproveitar o máximo de itens possíveis, participar da coleta seletiva.

Mas o cidadão consciente e que quer contribuir para deixar a cidade mais limpa precisa estar atento o tempo todo e ir além. Geramos resíduos  que sequer percebemos, ou damos pouca atenção. 

Saúde

Toda vez que entramos em uma clínica para um procedimento médico, assistencial, odontológico ou veterinário, por mais simples que seja, resíduos são gerados. Farmácias, laboratórios, serviços de tatuagem e acupuntura também estão classificados como ambientes onde há resíduos  compostos por materiais biológicos, químicos e perfurocortantes, contaminados por agentes patogênicos.

Esse material todo precisa de atenção especial e coleta diferenciada. Na zona sudeste da capital, o serviço é prestado pela concessionária Ecourbis Ambiental, que dispõe de furgões e outros veículos especialmente adaptados para esse tipo de coleta. A Ecourbis é também a empresa que faz coleta domiciliar de resíduos comuns e coleta seletiva.

Grandes geradores

 

Toda vez que um consumidor vai a um bar, restaurante, shopping centers, supermercados ou outro estabelecimento comercial, algum tipo de lixo será ali gerado.

Assim como no caso nas clínicas e estabelecimentos de saúde,  a responsabilidade por dar destinação correta aos resíduos é do proprietário ou gestor do local.

A legislação paulistana estabelece que empresas que geram mais de 100 litros de lixo por dia devem arcar com a destinação desse material. Ou seja, lojas, restaurantes e outros comércios precisam contratar empresa de coleta, que por sua vez levará o lixo para o aterro adequado.

Mas, sempre que estamos em um restaurante, por exemplo, o ideal é pensar de forma ampla e responsável e restringir ao máximo o uso de descartáveis (canudos, copos e talheres de plástico, saches com molhos e temperos, guardanapos), além de consumir apenas o essencial: nada de “jogar comida fora”. É desperdício de dinheiro, energia, alimentação e ainda representa resíduos que vão para aterros.

A mesma preocupação vale para o escritório: use sua própria caneca, imprima apenas o necessário, reaproveite caixas e potes para armazenamento.

Feiras livres e eventos

O tempo todo, lixo é gerado em meio urbano, especialmente em uma metrópole onde vivem 12 milhões de pessoas como a capital paulista.

Outra frente de atuação diária da Prefeitura está nas feiras livres.  São mais de 800 delas espalhadas por toda a cidade, onde paulistanos experimentam frutas, selecionam itens, consomem pasteis e caldo de cana. Ao final delas, há caixas, sacolas e outras embalagens sobrando, talos e cascas de frutas e legumes, copos e outros descartáveis que acabam no lixo. Situação parecida acontece, ainda em maior escala, ao final de eventos especiais como shows, passeatas, eventos gastronômicos de rua.

São toneladas de resíduos coletadas por equipes de varrição e coleta.

Embora o serviço seja executado pelo poder público, a  responsabilidade por essa geração de resíduos deve ser motivo de preocupação constante de qualquer cidadão que queira contribuir com a limpeza da cidade e preservação ambiental.   

Pelo cano

Outro tipo de “lixo” que muitas vezes passa despercebido e que traz danos ambientais é aquele que “desce pelo cano”.

Jogar hastes flexíveis de plástico, embalagens e até cabelo pela descarga do vaso sanitário pode trazer prejuízos ao encanamento doméstico mas também preudica a tubulação subterrânea de toda a cidade.

Outro problema similar ocorre na cozinha, onde restos de comida e óleo de fritura são jogados pelo ralo da pia e causam iguais transtornos. Quando o óleo, utilizado na preparação de alimentos, é despejado nas tubulações, endurece nos canos e gruda outros resíduos que não deveriam estar lá, como preservativos, fios de cabelo, papéis, entre outros.

Para ter a dimensão do problema gerado cotidianamente, de dezembro de 2016 a novembro de 2017, a Sabesp realizou 60 mil desobstruções de redes de esgotos na Região Metropolitana. Destas, 32 mil somente na capital paulista. A média mensal chega a 5 mil desobstruções, das quais São Paulo responde por 2,6 mil, ou seja, mais de 86 por dia, quase quatro atendimentos por hora.

O correto é que o óleo, usado em casa, seja guardado em garrafas PET e entregue em pontos de coleta para reciclagem. No caso de bares e restaurantes, encontrados em grande quantidade no centro da capital, por exemplo, os estabelecimentos devem manter a caixa retentora de gordura instalada. O equipamento é responsável por separar o óleo e a gordura do restante do esgoto, e precisa ser limpo regularmente para melhor funcionamento.

Vale ainda destacar que o descarte do óleo de fritura nas redes acaba provocando a poluição de rios e represas. Para ter ideia, um litro de óleo é capaz de poluir 25 mil litros de água.

No site da Prefeitura, há uma relação de cooperativas que recolhem óleo de fritura usado.

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