Jornal São Paulo Zona Sul

Falta de energia elétrica será cada vez mais rara

Obras como a reconstrução da Subestação Vila Mariana e outras em andamento na Zona Sul da capital paulista são planejadas com dez anos de antecedência pela Eletropaulo, para garantir fornecimento e evitar interrupções

Entrar no Centro de Operações de Distribuição da Eletropaulo é uma experiência única: ali, 24 horas por dia, 365 dias por ano, técnicos monitoram o fornecimento de energia não apenas na maior cidade do país mas em outros 24 municípios da região metropolitana.

São mais de 1500 unidades consumidoras em cada quilômetro quadrado, em média, da área atendida, num total de 18 milhões de pessoas dependendo da energia que chega às suas casas e estabelecimentos comerciais através da rede da distribuidora, o que corresponde a 32,7% do total de energia elétrica consumida no Estado de São Paulo e 9,2% do país.

A empresa, que foi privatizada na década de 1990, passou recentemente para as mãos do grupo Enel, da Itália, que em junho comprou mais de 70% de participação da Eletropaulo e se tornou líder em distribuição de energia no Brasil.

“Já há anos temos investido em tecnologia, equipamentos, equipe, para melhoria da rede, já dotada de equipamentos de ‘self healing’ (auto proteção e correção de falhas)”, explica Gerson Islai Pimentel, gerente de Obras e Serviços Técnicos da Eletropaulo. O monitoramento, que inclui até acompanhamento de boletins meteorológicos, também tem sido aprimorado ao longo dos anos, com painéis eletrônicos e detalhes do trabalho de cada equipe de campo em tempo real, online.

Ele comenta que as obras na Subestação de Vila Mariana acontecem dentro de um planejamento que prevê várias obras em toda a região atendida. Quatro delas vão representar melhorias significativas, segundo o gerente, para a zona sul da capital: além da completa reestruturação da Subestação Vila Mariana, a Estação Compacta do Complexo Parque dos Lagos, no Grajaú; a Subestação Morumbi, junto à Marginal Pinheiros, e ampliação da capacidade de transformação da ETD Taboão da Serra que, apesar do nome, está ainda dentro da zona sul paulistana, mas no limite com o município vizinho.

“A empresa trabalha com projeções de crescimento, desenvolvendo projetos para absorver a necessidade que cada região terá daqui a dez anos”, explica Lamberto Machado de Barros Beekhuizen, coordenador de Planejamento do Sistema da Eletropaulo. Isso significa que o o trabalho dele é imaginar a cidade e toda a área de atendimento da Eletropaulo no futuro.

“Estudamos desde o crescimento vegetativo, com dados demográficos e projeções do IBGE, mas também com informações sobre obras particulares e públicas projetadas em cada bairro”, explica.

Isso quer dizer que a chegada de shopping centers, novos condomínios e empreendimentos imobiliários, pólos de escritórios e indústrias têm seu impacto na rede elétrica de cada bairro anos antes de serem viabilizados, a partir apenas da divugação do projeto. O mesmo ocorre com obras públicas, que provavelmente também atrairão outros projetos particulares e maior adensamento, paralelamente, como Operações Urbanas, novas estações do metrô, abertura de avenidas etc.

“A região de Vila Mariana já apontava para um forte crescimento, dez anos atrás, com ampliação da rede de metrô, muitos empreendimentos imobiliários, crescimento do comércio e estabelecimentos da área de saúde, na Vila Clementino”, observa Lamberto. A Subestação já existia, em terreno que pertence à Eletropaulo desde o início do século passado. “É uma estação centenária, por isso optamos em renovar”,  diz ele, referindo-se à estação que fica na confluência das ruas Domingos de Moraes e Francisco Cruz e que pertence à empresa de distribuição de energia desde que se chamava “São Paulo Tramway, Light and Power Company” e gerenciava também os bondes da cidade.

Preservação ambiental

“A nova SubEstação de Vila Mariana representa um investimento de R$ 60 milhões de reais, incluindo obras civis, eletrônicas, abrigo para os transformadores, além de um sistema de captação de água e óleo. Há ainda a construção subterrânea de toda fiação que sai da nova subestação e não será mais distribuída aos clientes em torres de transmissão”, explica.

Se, por um lado, a rede subterrânea é mais moderna e evita o contato da fiação com galhos e árvores, que estão entre os principais fatores de interrupções no fornecimento de energia, por outro representou também um custo ambiental e polêmica com a vizinhança na região da Chácara Klabin, Jardim da Glória e Aclimação, por conta da previsão de remoç˜ao de 177 árvores. “Todas as nossas obras são acompanhadas e têm autorizações dos diversos órgãos competentes. A remoção das árvores era inevitável e estava prevista em um Termo de Compensação Ambiental. Mas a Eletropaulo vai plantar e acompanhar o crescimento de 272 mudas”, diz Pimentel.  Dessas, 59 já foram plantadas e estão em acompanhamento.

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