Jornal São Paulo Zona Sul

Vila Clementino tem serviço gratuito para ajudar quem quer parar de fumar

Em 29 de agosto, acontecem ações diversas de prevenção e tratamento do tabagismo, por conta do Dia Nacional de Combate ao Fumo. Por isso, o São Paulo Zona Sul indica, a partir dessa semana, um roteiro para as pessoas que querem ajuda para parar de fumar e ganhar mais saúde sem precisar sair da região: Vila Mariana, Jabaquara e Saúde contam com diversos serviços gratuitos de apoio a quem quer largar o vício.

De acordo com a psicóloga e especialista no assunto Ivone Charran, aproximadamente 5% dos fumantes conseguem abandonar o cigarro sozinhos, sem tratamento ou acompanhamento médico. “O restante, ou 95%, precisam de ajuda especializada”, afirma.

Segundo dados do Incor, a cada ano 6 milhões de pessoas morrem em todo o mundo por doenças atribuídas ao cigarro. No Brasil, cerca de 130 mil pessoas morrem todos os anos vítimas de doenças relacionadas ao fumo, o que representa 13% do total de óbitos do país. “O tabaco mata mais que todas as outras drogas juntas”, garante o psiquiatra Montezuma Pimenta Ferreira, do Ambulatório de Tabagismo do Hospital das Clínicas de São Paulo.

Prev-Fumo

Um dos principais serviços na região é prestado pela Universidade Federal de São Paulo – a Unifesp, na Vila Clementino.

O Núcleo de Prevenção e Cessação do Tabagismo (PrevFumo), ligado à disciplina de Pneumologia da Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (EPM/Unifesp) e ao Hospital São Paulo / Hospital Universitário (HSP/HU), apresentou uma taxa de sucesso de 50%, de acordo com recente levantamento feito com o público atendido.

De janeiro de 2018 a março de 2019, o PrevFumo avaliou 800 pacientes, dos quais 70% eram mulheres e 30%, homens. Desse total, 50% parou de fumar no prazo de um ano, que é o critério de tempo utilizado para considerar um indivíduo como ex-fumante. A média de idade do grupo foi de 53 anos. Ainda estão em tratamento 460 fumantes. Resultados dos testes de função pulmonar (espirometria) realizados indicaram que 22% dos pacientes já apresentavam alteração da função dos pulmões, caracterizando Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC).

O tratamento adotado é gratuito, baseando-se nas normas do Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (Inca), órgão do Ministério da Saúde responsável por regulamentar o tabagismo no Brasil. O tratamento não farmacológico constitui-se de técnicas cognitivo-comportamentais, abordadas em reuniões de grupo com a duração de oito sessões semanais de 90 minutos cada uma. Já a terapia farmacológica, que é fornecida pelo governo, disponibiliza adesivos de nicotina e bupropiona, medicamento via oral para diminuir a vontade de fumar.

Os interessados em participar do programa devem agendar um horário para avaliação individual e realização de teste de função pulmonar, pelos telefones (11) 5572-4301 ou (11) 5576-4848 (ramal 17004).

O ambulatório está localizado na Rua Botucatu, n.º 979 – Vila Clementino, próximo à estação Hospital São Paulo (Linha 5 – Lilás).

Sobre o PrevFumo

O Núcleo de Prevenção e Cessação do Tabagismo (PrevFumo) foi criado em 1988 pela Escola Paulista de Medicina da Unifesp e pelo Hospital São Paulo, com a finalidade de auxiliar fumantes que desejam parar de fumar.

Os atendimentos são feitos em grupo ou individualmente por uma equipe multiprofissional, formada por médicos, enfermeiros, fisioterapeutas e psicólogos. O Núcleo realiza, em média, quatro mil atendimentos por ano.

A cada dois meses, há disponibilidade de horário para dez novos grupos. Todos os pacientes realizam teste de função pulmonar (espirometria).

A psicóloga Rosângela Vicente, coordenadora do Prevfumo, afirma que o núcleo atende atualmente oito grupos de atendimento, cada um com aproximadamente 20 pessoas, e que abrem 30 novas vagas toda semana. Ela destaca ainda que o agendamento é simples. “Basta ligar e marcar uma avaliação inicial. Não é necessário encaminhamento médico, mas verificamos uma série de fatores, como índice de dependência, ambiente social, sintomas e medicação utilizada”.

Nas últimas duas décadas, o Brasil tem sido considerado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como o país com a maior taxa de sucesso na cessação de tabagismo.

3 comentários

  • Após 35 anos fumando, consegui ajuda da PrevFumo e parei de fumar.
    Agradeço a psicóloga Rosângela, a participação nos encontros do grupo foi essencial no tratamento: mudei alguns hábitos de minha rotina e sem recaídas continuo correndo. Correr e caminhar me ajudou a ficar longe do cigarro. Eu sou, enfim, uma ex-fumante.

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