Jornal São Paulo Zona Sul

Tecnogia deve conviver com a natureza

Quantas caixas acartonadas do tipo longa vida foram consumidas em sua casa na última semana? E garrafas pet de refrigerantes, água mineral? Garrafinhas de vidro cerveja e latinhas de bebidas diversas?

A quantidade de embalagens que usamos por poucos minutos e se tornam resíduos é imensa, mas depende dos hábitos e nível de consumo das famílias.

Logo após o uso, o correto é enxaguar essas embalagens e encaminhar para a reciclagem. Assim, o material terá novo uso a extração de novos recursos naturais é evitada e a quantidade de resíduos enviados aos aterros será menor, sem falar na geração de renda para milhares de famílias que trabalham em cooperativas de reciclagem.

Para destinar o material corretamente, basta entrar no site ecourbis.com.br e conferir o horário e dias em que a coleta seletiva passa em sua rua.

Mas, antes mesmo de pensar em encaminhar pela coleta seletiva todas essas embalagens, por que não deixamos de usá-las ao menos em parte?

A redução no consumo de tantas embalagens recicláveis pode até indicar mais saúde. A família que recorre mais aos sucos de frutas naturais, além de consumir menos açucar, sódio e conservantes, gera menos embalagens e mais cascas naturais. O mesmo vale para a comida caseira, feita com muitos legumes e verduras e que recorre menos aos industrializados e congelados.

Água para beber e fazer sucos? Que tal voltar ao filtro de barro e evitar o consumo de garrafas pet?

Retomar hábitos antigos, como a compra a granel, o uso de embalagens retornáveis, pode ser essencial para o futuro da cidade, que não terá mais espaço para depositar resíduos daqui uma ou duas décadas e terá que gastar recursos financeiros na “exportação” do lixo.

Cidade não  tem “lixões”

A infra-estrutura paulistana para cuidar dos resíduos gerados na capital já é bastante avançada.

A cidade conta com serviços de coleta tradicional e seletiva porta a porta, estações de transbordo, aterros sanitários segundo normas internacionais, coleta separada de resíduos de saúde, regulamentação para coleta e descarte de entulho, varrição, coleta de grandes geradores, ecopontos, Postos de Entrega Voluntária, programas especiais para lixo eletrônico…

Para se ter uma ideia, em todo o país ainda existem mais de 3 mil “lixões” – que deveriam ter sido extintos em 2014. A cidade de São Paulo e toda a região metropolitana não contam com esse tipo de depósito de lixo a céu aberto, mas ainda há mais de 40 deles espalhados pelo Estado.

Avanços

Mas, mesmo em grandes cidades pelo país, onde o lixo já é adequadamente depositado em aterros sanitários, a cultura da coleta seletiva e da reciclagem ainda engatinha.

“Sou de Belém do Pará, estou há 5 anos em São Paulo, posso dizer que é grande a diferença de tratamento de lixo nas duas cidades. Na região periférica da cidade de Belém, é possível notar que os moradores não têm o hábito de separar os materiais recicláveis dos rejeitos”, diz Hannah Morais. “na primeira semana em que fui morar sozinha fui surpreendida pela visita de um vizinhos informando sobre a coleta, horários e dias que ocorriam e quais tipos de lixo deveriam ser separados”, relembra a jovem universitária, que atualmente mora com a mãe, Leila Coutinho, recém chegada da região norte do país. “Muita gente da rua onde eu moro participa da coleta”, supreende-se.

“Recentemente uma vizinha pediu que separássemos garrafas pets, de plástico pois era reutiliza para armazenar óleo de fritura que ela utiliza para transformar em sabão e vender”, conta, destacando a importância dos resíduos também na geração de renda.

Estudante de Direito, ela mora na Zona Leste, tem amigos na Zona Sul, frequenta faculdade na região central faz estágio circulando pela cidade toda.

Natureza distante

Se, por um lado, impressiona-se com a boa organização da cidade no que se refere ao encaminhamento correto dos resíduos, Hannah fica impressionada com o grande uso de comidas industrializadas e com o baixo contato de muitos de seus amigos paulistanos com a natureza – fatos aparentemente distintos, mas que ela correlaciona.
“Em Belém, tínhamos mais contato com a natureza, cresci de maneira mais solta e saboreando as iguarias locais: o açaí, o tucupi”, relaciona.

Para ela, por viver muito em ambientes fechados – escritórios, escolas, centros comerciais – o paulistano recorre muito a soluções práticas e que normalmente vêm em embalagens.

“Quando as pessoas resgatam hábitos mais ligados à natureza, sentem necessidade de mudar de estilo de vida”, avalia.

Para a futura advogada, entretanto, a cidade vem buscando seu equilíbrio. “O incentivo ao uso das bicicletas, as discussões sobre sustentabilidade e alimentação saudável, tenho a impressão de que tudo isso está resgatando nas famílias paulistanas a necessidade de se distanciar um pouco do artificial para se reaproximar da natureza”, acredita.

Tecnologia

Ao mesmo tempo, ela avalia que o uso da tecnologia é parte do cotidiano do cidadão moderno e que só tende a aumentar. “O futuro será ainda mais conectado, com aparelhos por todos os lados, internet comandando à distância equipamentos em nossas casas, é um caminho sem volta”, diz.

Alcançar o equilíbrio entre o uso da tecnologia e o contato com a natureza, para a jovem estudante, será a garantia de qualidade de vida: carros elétricos devem substituir os poluentes motores a combustão, os empreendimentos terão mais tecnologia para economizar água e energia. “Mas eu realmente acredito que todo esse avanço tecnológico vai acontecer ao mesmo tempo em que haverá uma busca por vida mais simples, no sentido de reconexão com a natureza, busca de alimentos mais saudáveis, preocupação com a geração de resíduos”, diz a jovem.

Para Hannah, nada melhor que uma cidade cosmopolita e moderna como São Paulo para abrigar esse tipo de atitude conciliadora. “Eu entendo que sustentabilidade é isso, esse equilíbrio que leva ao consumo consciente, à atenção às nossas pegadas ambientais, à busca de novas tecnologias que permitam conciliar conforto e praticidade com baixa utilização de recursos naturais”, conclui.

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