Jornal São Paulo Zona Sul

Sujeira nas ruas provoca alagamentos

Sob muitas ruas da cidade de São Paulo fluem córregos canalizados há décadas. O planejamento urbanístico falho, especialmente da primeira metade do século passado, assim como o rápido e intenso crescimento da metrópole provocaram a impermeabilização da cidade. Ou seja, a água, que já normalmente se acumula em várzeas de rios, aqui tem ainda mais dificuldade em se dissipar por conta o excesso de asfalto e concreto, além da capacidade de escoamento nem sempre suficiente das galeriais pluviais subterrâneas.

Mas, os pontos de alagamento e as enchentes na capital podem ser ainda piores se houver sujeira espalhada pelas vias públicas, se os resíduos não forem adequadamente acondicionados e encaminhados para a coleta – seletiva ou tradicional.

Plástico

Sabe aquele saco plástico que pode sufocar ou ser engolido por animais marinhos? O canudo plástico que tem colocado em risco a vida de tartarugas nos oceanos? Esse plástico não vai parar lá se for adequadamente descartado ou encaminhado para a reciclagem.
Vale ressaltar que, em São Paulo, não há lixões a céu aberto. Tudo que é encaminhado para a coleta domiciliar tradicional de resíduos vai parar em aterros, ou seja, os sacos de lixo são adequadamente enterrados em terrenos preparados para isso.

Se o produto plástico for encaminhado para reciclagem, que é a atitude mais correta, será separado por profissionais que trabalham em cooperativas de catadores ou em centrais mecanizadas de triagem e seguirá para o processo que o transforma em novos itens de consumo.

Mas, se esse mesmo item plástico for jogado nas ruas e cair em bueiros, aí efetivamente pode atingir córregos e, em última instância, acabar nos oceanos, poluindo e colocando em risco a vida dos animais e até dos seres humanos. Já foram encontrados microfragmentos de plástico em peixes e frutos do mar.

Um grupo de cientistas do Departamento de Biologia da Universidade de Victoria, no Canadá, organizou todas as pesquisas sobre o tema e chegou à conclusão de que a ingestão de microplásticos varia de 74 mil a 121 mil partículas por pessoa por ano, conforme idade e sexo. Ou seja, o plástico que pensamos ter dispensado, acaba voltando pra nós em forma de comida e prejudicando nossa saúde.

Enchentes

Além de todos esses prejuízos à vida marinha, à limpeza dos rios, mares e oceanos, o descarte irregular de qualquer resíduo em via pública tem outras graves consequências.

Bitucas de cigarro, papéis de bala, restos de jardinagem, entulho e qualquer tipo de resíduo jogado em vias públicas ou inadequadamente descartados em pias, ralos e vasos sanitários domésticos prejudica a capacidade de escoamento das águas pelas galerias subterrâneas da cidade. Servem ainda de criadouro de insetos, como o Aedes aegypti, mosquito vetor de doenças como dengue, zika e chikunguya.

A cidade conta com serviços e estrutura para que os cidadãos consigam descartar adequadamente qualquer tipo de resíduo – sejam eles papeleiras espalhadas pelas vias públicas ou ecopontos para coleta de entulho. Sem falar no cata-bagulho, coleta domiciliar de resíduos e recicláveis, aterros sanitários… O que falta, então? A conscientização do cidadão e a preocupação de cada indivíduo.

Já o “lixo” doméstico, os resíduos gerados em sua casa, devem ser acondicionados em sacos bem fechados e sem furos. Não coloque os resíduos comuns, rejeitos ou recicláveis antes do horário previsto para a coleta – o tempo máximo previsto em lei são duas horas – e, ao perceber uma chuva forte, recolha esse material, se possível, até o momento da passagem do caminhão.

Plano de Prevenção de Chuvas de Verão

Para evitar pontos de alagamento nas 210 bacias da cidade (depressões formadas nas vias), a Prefeitura mapeou 927 pontos com risco de enchentes identificados pela Amlurb, juntamente com a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) e o Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE).

As ações de contingência são realizadas em parceria com as concessionárias dos serviços de coleta domiciliar e limpeza urbana. Nas zonas sul e leste, esses serviços cabem às concessionárias EcoUrbis, Corpus, Eco Sampa e Locat. Essas ações serão executadas com base no Mapa Geral de Localização de Pontos de Alagamentos, no histórico de índices pluviométricos (medida da chuva em milímetros) com ênfase nos últimos três anos registrados no Infocidade, e com base de dados da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano.

“Estamos realizando atividades de zeladoria, limpeza de córregos, galerias, piscinões e bocas de lobo, além de varrição. Nas regiões de alagamento, a coleta de lixo tem sido feita duas vezes por dia nas áreas de alagamento”, explica Alexandre Modonezi, secretário municipal das Subprefeituras.

As ações foram divididas em duas etapas: a preventiva, com serviços de limpeza urbana para evitar possíveis enchentes; e corretivas, com ações para controlar os danos causados por pontos de alagamento.
Nessa primeira etapa, estão relacionadas a coleta adicional dos resíduos sólidos domiciliares, antecipação do recolhimento dos resíduos de varrição, de pontos críticos e viciados, além da intensificação da limpeza de bueiros e bocas de lobo, com a retirada de resíduos como embalagens, garrafas pet, vegetação, terra, lama e areia, entre outros.

Também fazem parte das ações corretivas plantões de emergência, limpeza geral das áreas das enchentes, raspagem de vias e logradouros públicos, assim como coleta de materiais diversos, lavagem das vias e logradouros públicos.

A Ecourbis, concessionária responsável pela coleta seletiva e tradicional nas zonas sul e leste da capital, vai também fazer o monitoramento das previsões para checar a eventual ocorrência de chuvas mais intensa e, nesses dias, antecipar a coleta.

Assim, durante todo o período sujeito à ocorrência de intempéries na cidade, compreendido entre 1° de novembro de 2019 a 31 de março de 2020, a Amlurb e os consórcios irão monitorar as condições climáticas com o objetivo de antecipar as ações necessárias para evitar a ocorrência de enchentes e alagamentos, sobretudo em regiões localizadas nas principais artérias do sistema viário.

As Centrais de Controle Operacional (CCO) das empresas estarão atuando em caráter de plantão para atender as emergências que podem necessitar de atendimento, para garantir o rápido escoamento do volume das águas de chuva.

“Com todas estas medidas, associadas às atividades de saúde e assistência social, pretendemos minimizar o problema dos alagamentos em São Paulo”, diz Mauro Ricardo, secretário municipal de Governo.

A desobstrução de bueiros e bocas de lobo também fazem parte da grade de atividades. Todos estes serviços, que são realizados periodicamente durante o ano, receberão reforço na época de chuvas.

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