Jornal São Paulo Zona Sul

Sobrevivente de Hiroshima tem loja na Avenida Jabaquara

Takashi Morita está no Brasil desde 1956, tem loja na Saúde desde 1969 e adora o bairro 

Há quase dez anos, o São Paulo Zona Sul conversou com Takashi Morita (clique e leia a edição da época) para que ele contasse sua incrível história: então com 81 anos, este comerciante que tem loja na Saúde desde 1969 é um dos sobreviventes da bomba atômica jogada na cidade japonesa de Hiroshima, no Japão, na Segunda Guerra Mundial, há exatos 74 anos, em 6 de agosto de 1945.

Em 2015, ele foi agraciado Título de Cidadão Paulistano, entregue pela Câmara Municipal, em sessão solene. Em fevereiro de 2019, recebeu também homenagem da Assembleia Legislativa, ao lado de dois outros sobreviventes do ataque: Takashi Morita, Kunihiko Bonkohara e Junko Watanabe receberam o Colar de Honra ao Mérito Legislativo.

O sobrevivente também dá nome a uma Escola Técnica – ETEC Takashi Morita – localizada em Santo Amaro.

Teatro

Também receberam a honraria estadual os nipo-brasileiros Rogério Nagai e Pedro Yano que fazem uma peça teatral com a participação dos sobreviventes, apresentada em vários pontos do Estado e que resgata a história dos sobreviventes.

 No palco, três sobreviventes do primeiro ataque nuclear da história fazem seus depoimentos de uma das piores tragédias da humanidade.  São contados os momentos da explosão nuclear na cidade de Hiroshima, no Japão, em 1945, os dias seguintes e a imigração para o Brasil.
O espetáculo reconstrói a história do militar Takashi Morita, na época com 21 anos, e dos civis Kunihiko Bonkohara, com 5 anos, e Junko Watanabe, com 2 anos, que estavam em Hiroshima no dia do bombardeio. Em cena, eles atuam no formato de teatro documental, também conhecido como biodrama. Fotos originais e canções da época executadas pelos sobreviventes compõem o clima da apresentação.

A bomba

Já ao final da Segunda Grande Guerra, a cidade onde Takashi Morava foi bombardeada pelos Estados Unidos, resultando cerca de 150 mil mortos. Nagazaki também sofreu um bombardeio, três dias depois.

“Na época eu era soldado da Polícia Militar. Estava andando na rua quando a bomba caiu a 1,3 quilômetro de mim. A cidade de repente estava tomada pelo fogo. Em 73 anos, não me esqueci. Graças a Deus eu tenho sorte, minha vida parou só por dois anos. Nunca mais o mundo deve ter pensamentos [desse tipo], e guerras não devem mais acontecer.” , relatou o sobrevivente durante as cerimônias em sua homenagem.  “Eu tenho 95 anos de idade. Estou muito emocionado, muito obrigado aos brasileiros. Precisamos muito de paz, desse pensamento.”

Morita também fundou uma associação que presta apoio a outras vítimas da bomba no Brasil.

Sobre as homenagens a Morita, a filha do homenageado, Yasuko Saito, já declarou: “Representa muito para nós. Ele [Morita] recebe não só em nome dele, mas em nome de todos os sobreviventes que vieram para o Brasil, país que acolheu a maioria deles com muito amor”, disse. “Essa homenagem também se estende aos jovens. Meu pai sempre diz que precisa contar sua história aos jovens para que a humanidade não repita os mesmo erros”, completou .

O sobrevivente da bomba sempre disse que escolheu o Brasil por ser um país distante das guerras. “Hoje estou muito contente, me considero um paulista de coração. Para mim o Brasil é um paraíso”, declarou.

No Japão, Morita foi policial militar e também relojoeiro.

 

 

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