Jornal São Paulo Zona Sul

São Paulo será mais limpa no futuro?

Qual será o futuro da cidade de São Paulo em se tratando da geração e destinação final de resíduos sólidos? A quantidade de resíduos reciclados vai continuar aumentando? Haverá redução no volume enviado para aterros sanitários? A cidade ficará limpa, sem pontos de despejo irregular de entulho, sem sujeira jogada pelos pedestres em vias públicas, sem sacos de lixo doméstico colocados fora do horário ou em locais inadequados?

Em comparação com o restante do país, São Paulo tem uma realidade privilegiada em termos de serviços públicos (leia mais na matéria abaixo). A cidade conta com uma ampla gama de serviços nesse sentido: limpeza, varrição, coleta tradicional domiciliar e seletiva porta a porta, centrais de triagem, ecopontos, pontos de entrega voluntária, campanhas de conscientização e ampliação do volume de recicláveis triados e encaminhados, aterros sanitários, ações de coleta de lixo eletrônico.

Mas, a maior metrópole do país pode e deve ir além. E várias ações já estão em desenvolvimento para que o volume de lixo gerado seja reduzido na cidade.

O mais importante a se ressaltar, entretanto, é que a participação da sociedade, seja em ações coletivas ou individuais, como a simples separação do lixo reciclável em casa, é essencial para garantir um cenário futuro de cidade limpa, organizada, mais saudável e com gastos reduzidos no gerenciamento dos resíduos, ou seja, um futuro mais sustentável.

E nada mais simples que separar o lixo em casa – basta colocar em um só saco, todo material reciclável: embalagens de papel, plástico, metais ou vidro, limpos. Depois, confira no site da concessionária Ecourbis, responsável pela coleta domiciliar e seletiva, os horários em que o caminhão passa em sua rua: ecourbis.com.br/ecoleta.aspx.

Ações futuras

O atual Plano de Metas da Prefeitura prevê a redução de 500 mil toneladas o total dos resíduos enviados a aterros municipais no período de 4 anos, em comparação ao total do período 2013-2016.
A meta vem sendo cumprida: o acumulado previsto para o biênio era de 112.000t e já houve redução de 181.083t.

Para alcançar a meta, no ano passado foram implantados quatro pátios de compostagem para receber resíduos de feiras, com treinamento dos trabalhadores de 122 feiras. Os resíduos já estão sendo encaminhados os pátios, totalizando 17% das feiras.

Mais da metade do volume de resíduos gerado na capital é formado por material orgânico, ou seja, restos de alimentos tanto de âmbito doméstico quanto das feiras livres.

A cidade de São Paulo foi selecionada para o programa de co-criação de iniciativas na área de resíduos sólidos na “Plataforma de Soluções para Cidades”, uma iniciativa da rede C40, Ministério das Relações Exteriores da Dinamarca, grupo Clean e a Nordic Solutions for C40 (plataforma de empresas dos países nórdicos).

Pelo programa, haverá ações para a gestão de resíduos sólidos orgânicos na cidade; incluindo o desenvolvimento de processos inovadores de coleta de orgânicos, tratamento de resíduos, transformação em recursos, reutilização máxima de orgânicos redução do uso de aterros e custos logísticos, além de inclusão social.

Esta é outra frente de trabalho no município: o incentivo às cooperativas de catadores e capacitação desses profissionais, que, além de agentes ambientais urbanos, garantem inclusão econômica e social de milhares de famílias.

Os Ecopontos também têm sido mais procurados pela população, evitando o descarte irregular de entulho em vias públicas ou o envio de material inadequado para aterros. De 2016 para 2018, houve um crescimento de 44,2%. Já no primeiro semestre deste ano, houve um aumento de 13,9% em relação ao mesmo período do ano anterior. Nos últimos três anos, a média de recolhimento anual é de 355 mil toneladas de resíduos só nesses pontos que recebem entulho (restos de material de construção), e bagulhos, como móveis e estofados velhos e fora de condições de doação. O material pode ser levado gratuitamente aos ecopontos, que funcionam diariamente, em pequenas quantidades, de até um metro cúbico por dia por cidadão.

Para saber os endereços dos ecopontos, acesse o site da prefeitura – capital.sp.gov.br – ou ligue 156.

No âmbito da universalização e adesão da coleta seletiva, em 2019 foram projetados e testados novos modelos para garantir a aderência do cidadão e dos prédios públicos.

PGIRS

Desde 2014, a cidade conta com um Plano de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos. PGIRS da Cidade de São Paulo. As diretrizes fundamentais do PGIRS são a não geração, redução, reutilização, reciclagem, tratamento dos resíduos sólidos e disposição final ambientalmente adequada dos rejeitos. São considerados rejeitos os materiais que não apresentam nenhuma possibilidade de reaproveitamento.

Esse é o conceito básico, aliás, em voga em todo o planeta, da economia circular. Toda a cadeia terá de recuperar, ao máximo, os diversos tipos de resíduos recicláveis, reduzindo assim a quantidade dos materiais dispostos nos aterros sanitários.

Vale destacar, pela análise dos dados da coleta das concessionárias prestadoras do serviço de limpeza urbana, que não houve apenas o aumento da geração, mas também a ampliação da cobertura da coleta seletiva.

No ano de 2013 apenas 14 distritos eram atendidos com a coleta seletiva universalizada, serviço de coleta de recicláveis porta a porta, já em 2018 o serviço está presente em 49 distritos. Há, nestes últimos anos, maior expansão do fornecimento do serviço em comparação com a relação de evolução do volume total de resíduos recolhidos secos na cidade.

A coleta seletiva atende aos 96 distritos da capital, com uma cobertura de prestação de serviço atingindo 75% dos domicílios da cidade.

Outra tendência de comportamento foi a mudança nos hábitos de consumo do cidadão paulistano, que com a elevação de renda aumentou a aquisição de materiais de higiene, cuidados pessoais (beleza e cosméticos) e limpeza, categoria de produtos que após consumo geram um grande descarte de embalagens.

Bairro nobre,
muito lixo

Se, por um lado, bairros mais centrais celebram bons resultados no volume de recicláveis encaminhados à coleta seletiva, por outro vale ressaltar que esses índices também indicam alta geração de resíduos. A maior geração ocorre nos bairros onde há grande concentração de empregos e serviços e nos distritos onde o perfil socioeconômico de renda é mais elevado.

Já em bairros com população de menor poder aquisitivo ou com menos estabelecimentos comerciais, não só o desperdício é menor, como também há uso reduzido de produtos industrializados e em embalagens de pequenas porções ou individuais. O resultado é que nessas regiões a geração de resíduos para coleta domiciliar é menor.

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