Jornal São Paulo Zona Sul

Rotina acelerada pode aumentar produção de lixo

Se a ciência avança a passos largos, a tecnologia explode numa velocidade assustadora. Até pouco tempo atrás, a sociedade discutia qual seria o substitutdo a mídia CD – o Blue Ray ou o HD Dvd. A opção da indústria mundial foi pelo Blue Ray mas esse tipo de mídia não durou nem três anos – foi substituído pelo “streaming”, que é a distribuição de conteúdos pela internet, diretamente por aplicativos em TVs, tablets, computadores e celulares.

Essa rápida substituição de produtos e tecnologias tem feito com que a velocidade do consumo pela sociedade também se acelere. E muitos itens vão parar “no lixo” rapidamente. O mesmo ainda vale para a indústria têxtil, com coleções se alternando de maneira tão rápida que muitas roupas são produzidas e acabam descartadas em período de tempo muito curto.

O problema se torna ainda mas grave quando se trata de itens de difícil reciclagem – como é o caso dos tecidos ou do lixo eletrônico: baterias, aparelhos obsoletos, periféricos como mouses, cabos, carregadores…

Para onde vai tanto lixo? A Prefeitura de São Paulo mantém alguns pontos de descarte de lixo eletrônico na região. Para baterias e pequenos aparelhos, há um posto na própria Subprefeitura de Vila Mariana.

Também há contêineres do projeto GreenK em vários parques da cidade: Ibirapuera, Mário Covas, Trianon e Lina e Paulo Raia (Conceição) entre eles.

Na Praça Cidade de Milão, há também um posto para descarte de roupas. Vale descartar que roupas em bom estado também podem ser direcionadas para a Campanha do Agasalho, que começa em breve pelo Fundo Social de Solidariedade do Estado de São Paulo, e para entidades assistenciais de sua preferência.

Para outros materiais recicláveis – como plásticos, metais, vidros e papéis que faziam parte de itens que foram descartados nas residências, o ideal é separar para a reciclagem.

Nas zonas Sul e Leste da Cidade, a coleta seletiva é feita pela concessionária Ecourbis Ambiental que chega a passar com o caminhão especial duas vezes por semana em alguns bairros.
Para saber em que dias e horários a coleta seletiva atende seu bairro, basta acessar ecourbis.com.br/ coleta/index.html e digitar seu CEP ou endereço. Depois, é só colocar esse material todo em um único saco resistente e deixá-lo em frente à porta uma hora antes do previsto para a coleta.

Comida no lixo?

No distrito da Saúde, já há muitos anos a coleta seletiva passa porta a porta. Desde 2016, o caminhão que recolhe metal, plástico, papel limpo e vidro passa duas vezes por semana, até. Mas, mesmo antes que esse serviço fosse estruturado no município, a família de Kenzo Sawada já se preocupava em separar o lixo doméstico. “Eu lembro que os recicláveis eram levados para um Posto de Entrega Voluntária em um supermercado”, relata o jovem estudante de design de games que mora no bairro.

Kenzo mora junto aos pais e dois irmãos. Ele conta que a mãe Silvia, uma orientadora na sede da rede Kumon Brasil, e o pai Francisco, contador, sempre se preocuparam em evitar desperdício ou consumo por impulso, sem necessidade. Além de Kenzo, o casal tem mais dois filhos em idade escolar.

A família Sawada tem constante atenção à economia doméstica. Desperdício de alimentos ou compras desnecessárias, nem pensar. “Meus pais controlam muito os gastos em casa. Gastar para jogar no lixo está fora de cogitação”, diz o jovem, acrescentando que ele e os dois irmãos mais novos foram educados para valorizar o dinheiro conquistado mês a mês.

Eletrônicos

“Compramos um mínimo de roupas em casa, só mesmo o necessário. E só trocamos aparelhos eletro-eletrônicos quando algum deles para de funcionar”, explica.

A família não cede a modismos ou aos constantes apelos das empresas de tecnologia, que vivem criando novos recursos e dispositivos. “Se meus pais precisam de um novo celular, por exemplo, por conta da atuação profissional, repassam os antigos para os filhos. E os nossos doamos para alguém da família ou vendemos para algum interessado em aparelho usado”, diz o jovem.
Outra preocupação sempre foi não jogar pilhas, baterias e demais itens de lixo eletrônico no descarte comum. Eles levam a pontos de venda, como o próprio supermercado.

A atitude efetivamente é muito importante para evitar a contaminação de lençóis freáticos. Além disso, o consumo excessivo de roupas e objetos para casa, em geral, representa a extração de produtos da natureza, uso de energia, água e combustível no transporte, é sempre bom lembrar.

Na casa do Sawada, a questão é ainda mais importante porque a família toda gosta muito de estar conectada o tempo todo. Computadores e celulares são usados para questões profissionais e para o estudo. Mas também fazem parte dos momentos de lazer da família, que adora navegar pela internet, curtir games, música e filmes online.

“Eu tenho buscado me conectar à natureza, também, acampando, fazendo trilhas e vendo shows”, conta o jovem.

Consumo e geração de lixo

Mesmo com toda a família preocupada com os excessos de consumo e controlando gastos, os Sawada ainda têm consciência de que geram muito lixo.

“A vida corrida, com dois pais que trabalham e três filhos, faz com que a gente compre muito a comida industrializada. E isso gera muito lixo, especialmente embalagens…”, observa o jovem. “Por isso que encaminhar para a reciclagem ganha ainda mais importância”, diz.

Ele ainda tem consciência de que a preocupação deve ser com uma alimentação mais sudável. “Mas é por isso que quase todo lixo orgânico aqui de casa é feito de cascas de legumes e frutas, já que sobra de comida nunca tem mesmo. Até porque a gente come bastante”, brinca o jovem.

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