Jornal São Paulo Zona Sul

Restauro do Museu do Ipiranga provoca mudanças no Parque da Independência

Desde 2013 o Museu Paulista, conhecido como Museu do Ipiranga, está fechado. Mas, foi só em outubro que as obras de restauro efetivamente começaram, com instalação do canteiro de obras. A expectativa é de que ele seja aberto ao público, totalmente remodelado, no ano do bicentenário da Independência: 2022.

A partir desse sábado, 9 de novembro, as obras provocam alteração também no Parque da Independência, contíguo ao Museu. O acesso de pedestres da Avenida Nazaré passa a ser pelo portão localizado entre o Posto do Corpo de Bombeiros e o Museu de Zoologia. Há também um novo acesso ao bosque na rua Padre Marchetti.

A interligação do bosque com os Jardins do parque fica impedida por conta das obras do Museu do Ipiranga.O acesso à área dos Jardins permanece nas Ruas Xavier de Almeida e Patriotas.

Além da adequação às normativas atuais de infraestrutura, acessibilidade, segurança e sustentabilidade, com a reforma, o edifício será ampliado em quatro mil metros quadrados. A nova área proporcionará a melhoria dos acessos e fluxos, acolhimento do público e novas facilidades, como área de exposições temporárias, auditório, salas para ações educativas, café e loja.

Independência ou Morte

Além da famosa fachada, há uma obra especialmente, no acervo de 450 mil peças que imediatamente remete ao Museu Paulista. É a pintura “Independência ou Morte”, de Pedro Américo.

E a imensa peça também está sendo restaurada. A estimativa é de que esse trabalho se estenda por cerca de sete meses, com a instalação do canteiro, testes de materiais, a execução das intervenções e a desmontagem da estrutura de trabalho. A pintura havia sido restaurada em 1968, passou por limpeza e envernizamento em 1972 e em 1986 teve refrescamento da pintura com o uso de solventes.

“Trata-se de um quadro excepcional em tudo: as suas grandes dimensões, o tema histórico representado, o fato de ter sido encomendado e projetado para o edifício que lhe dá um local especial e, sobretudo, por ser a pintura mais conhecida do país, exposta no Museu mais popular da cidade de São Paulo”, afirma Yara Petrella, conservadora e restauradora do Museu Paulista da USP responsável pela coordenação do projeto.

A coordenadora explica ainda que pelo fato de o suporte da pintura estar em bom estado, a opção de realizar o restauro no próprio local em que a obra se encontra garante que riscos sejam minimizados e a estrutura permaneça em perfeito ajuste.

As intervenções estão sendo realizadas com aportes científicos, critérios e procedimentos técnicos em sintonia com o que de melhor se faz no mundo. No primeiro momento, são feitas avaliação dos resultados das análises científicas, identificação dos materiais originais e os inseridos nas intervenções anteriores.

Após a identificação dos danos, testes de solventes e géis para extração de vernizes, retoques e nivelações, passa-se à extração das nivelações, retoque e vernizes, com o devido nivelamento de lacunas e preparação para retoques.

O trabalho é concluído com o rebaixamento e fixação da camada pictórica onde houver necessidade e a aplicação de verniz de acabamento para homogeneização de toda a área. O objetivo é conseguir um acabamento que se assemelhará o mais possível ao original.

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