Jornal São Paulo Zona Sul

Resíduos eletrônicos têm descarte correto

A Coleta Seletiva passa porta a porta na capital em cerca de metade das vias, com caminhões específicos. E até o final do ano, todas as vias da cidade já serão atendidas, ou pela coleta porta a porta ou por caminhões que recolham os recicláveis em contêineres disponíveis nas redondezas de cada munícipe.

Nas Zonas Sul e Leste da capital, o serviço é prestado pela concessionária Ecourbis Ambiental. Para saber quando o caminhão passa em sua rua, basta acessar: www.ecourbis.com.br/coleta/index.html.

Todo esse material vai para cooperativas de catadores e para a Central Mecanizada de Triagem Carolina Maria de Jesus, em Santo Amaro, implantada em 2014. Com capacidade de processar até 250 toneladas por dia, a Central Mecanizada de Triagem Carolina Maria de Jesus, gerenciada pela Ecourbis com apoio da cooperativa Coopercaps, separa apenas a metade desse total, em média.

De acordo com a Autoridade Municipal de Limpeza Urbana (Amlurb), a estimativa é de que 40% de todo o volume de diferentes tipos de resíduos gerados pela população poderiam ser reciclados, mas, na prática, apenas 7% – das 20 mil toneladas diárias – são reaproveitadas.

“A coleta seletiva ensina às pessoas o valor do que está sendo descartado. Milhares de famílias de catadores cooperados tiram da reciclagem seu sustento”, diz Cristina Helena, Gerente de Planejamento da Amlurb. Ela também destaca a importância ambiental, já que a reciclagem evita novas extrações de matéria prima e aumenta a vida útil dos aterros sanitários, já que uma quantidade menor de resíduos é enviada diariamente.
“A partir do momento que separamos materiais em casa, percebemos o valor que cada um deles tem”, aponta.

Eletrônicos

A separação de recicláveis em casa passa a ensinar as famílias, paralelamente, quantos outros materiais descartamos ao longo do ano: roupas, objetos domésticos, alimentos desperdiçados, sobras de material de construção (entulho), remédios vencidos
Outra grande preocupação na atualidade é com o chamado “lixo eletrônico”, ou seja, celulares, pilhas, baterias, televisores, computadores e notebooks além de todos os suprimentos de informática. Há ainda os eletrodomésticos, alguns deles de grande porte, como lavadoras de roupa, fogões, geladeiras…. O que pode ser feito com todos esses itens depois que se tornam obsoletos ou quebram?

Itens com possibilidade de recuperação devem ser mantidos ou doados. Mas, quando o conserto não é mais possível, o correto é providenciar o encaminhamento para cooperativas que garantem a reciclagem dos componentes.

“A Coopermiti tem parceria com a Prefeitura e disponibiliza containêres para coleta de resíduos eletro eletrônicos em vários órgãos municipais, como algumas subprefeituras e unidades do Descomplica”, diz Cristina. “Mas a cooperativa também atende diretamente a pedidos individuais”, completa.

Na verdade, é possível ainda estimular ações coletivas com apoio da cooperativa. “A própria comunidade pode se organizar e criar pontos de coleta de material eletrônico descartado em escritórios, instituições, escolas, estabelecimentos comerciais, condomínios, enfim, há muitas iniciativas interessantes possíveis”, sugere.

Sem fins lucrativos, a Coopermiti já tem 10 anos de atuação e conta até com um “museu”, em sua sede na zona norte da cidade, com materiais antigos, como computadores, telefones, celulares, máquinas de escrever, etc. e uma Oficina de Arte, em que obras são compostas por resíduos eletroeletrônicos.

Todo material recebido ou coletado após triagem é destinado, reciclado ou reutilizado, gerando renda aos cooperados e proporcionando doações.

Na zona sul da cidade, as subprefeituras de Vila Mariana, M´Boi Mirim, Santo Amaro, Cidade Ademar, Ipiranga e a unidade Campo Limpo do DescomplicaSP já contam com containeres onde podem ser depositados itens como celulares, carregadores, câmeras fotográficas, secadores de cabelo, notebooks, entre outros eletrônicos que serão encaminhados para a destinação ecológica. O serviço é gratuito e o descarte pode ser feito de segunda a sexta-feira, exceto feriados, das 8h às 17h.

Para ver a lista de endereços completa, acesse:

https://www.coopermiti.com.br/agendamento.html. Para solicitar a implantação de uma caixa coletiva de resíduos eletrônicos, entre em contato pelo telefone 3666-0849 ou email: contato@coopermiti.com.br.

Logística Reversa

É importante destacar que os resíduos eletrônicos não devem ser colocados junto ao lixo doméstico diário.

Além de levar às caixas existentes nas subprefeituras, também é possível recorrer aos próprios fabricantes para a coleta dos itens quebrados ou obsoletos.

Essa semana, um novo decreto foi assinado em nível federal, que estabelece regras para o descarte dos produtos eletroeletrônicos
De acordo com a Agência Brasil de Comunicação, o texto regulamenta o mecanismo previsto na Política Nacional de Resíduos Sólidos, sancionada já há 10 anos, em 2010, para que os fabricantes e importadores desses itens se responsabilizem pelo descarte de forma a reduzir os impactos no meio ambiente.

As empresas podem se associar para a criação de entidades gestoras que vão fazer o trabalho de divulgação e operação do sistema de logística reversa. Pelo decreto, cada companhia vai participar do financiamento na mesma proporção do tamanho dela no mercado. Há a possibilidade ainda de as empresas criarem seus mecanismos de coleta de produtos de forma individual.

Fabricantes e importadores terão ainda que disponibilizar uma rede para que os consumidores levem os eletroeletrônicos fora de uso.

Essa destinação final deve garantir que os componentes dos aparelhos não contaminem o meio ambiente. Está prevista a possibilidade de reciclagem desses materiais, uma vez que muitas das matérias-primas têm alto valor e podem ser reaproveitadas.

O decreto estipula que a constituição das entidades que vão fazer a gestão da logística reversa seja feita ainda este ano, até o dia 31 de dezembro. Assim, a partir de 2021, devem começar a ser instalados os pontos de coleta e a divulgação do sistema aos consumidores.

O sistema deve ser implantado, até 2025, nos 400 maiores municípios do país. O cronograma é gradativo. Em 2021, primeiro ano de funcionamento, deve ser atendidas 24 cidades e absorvido 1% do lixo eletrônico.

São Paulo é o estado que deverá ter maior participação, com oito dessas localidades, no primeiro ano, e 95 ao fim do calendário de consolidação. A estimativa é que, em cinco anos, 17% dos aparelhos sejam recolhidos.

As cidades deverão ter, no mínimo, um ponto para cada 25 mil habitantes. A previsão é que em 2025 existam cerca de 5 mil pontos de coleta no país e esses locais deverão receber de forma gratuita os aparelhos para serem descartados.

“Na cidade de São Paulo São Paulo, temos conversado com os diversos setores – remédios, pneus, eletrônicos, materiais de construção – e criado grupos em uma força tarefa para garantir a destinação correta dos mais diferentes tipos de resíduos”, garante Cristina Helena, Gerente de Planejamento da Amlurb.

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