História
Réplicas de estátuas italianas estão na Praça Cidade de Milão há 55 anos
Q ta cidade de São Paulo tem fortes influências da cultura italiana, por conta da intensa imigração italiana no final do século XIX e início do século XX, principalmente. Só entre 1890 e 1920, calcula-se que mais de um milhão de italianos chegaram à cidade que, de acordo com um censo realizado em 1872 tinha pouco mais de 31 mil habitantes! Mas, o que muita gente não sabe é que essa influência também se transformou, ao longo do século XX, em histórias e parcerias.
As cidades de Milão e São Paulo se tornaram “cidades gêmeas” por meio de um acordo firmado em março de 1962. No mesmo ano, o prefeito de Milão inaugurou, naquela cidade italiana, o Largo Brasília. Em seguida, veio ao Brasil, em missão de amizade como parte das solenidades do acordo.
Uma praça em frente ao Viveiro Manequinho Lopes, no Parque Ibirapuera, recebeu a denominação de Praça Cidade de Milão, em outubro de 1962. Vale lembrar que o próprio parque havia sido inaugurado em 1954, como parte das celebrações dos 400 anos da capital paulista.
Durante cerimônia, o então prefeito de São Paulo, Francisco Prestes Maia, declarou a Gino Cassini, prefeito de Milão, que, no local seriam implantadas reproduções, no dobro de seu tamanho natural, das esculturas de Michelangelo para o túmulo dos Medicis.
A execução das réplicas já havia sido contratada junto ao Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo, que, desde os primeiros anos do século XX, mantinha uma gipsoteca – uma coleção de reproduções em gesso de clássicos greco-romanos e renascentistas, vindas de museus da Europa. Por razões que não estão registradas no Departamento de Patrimônio Histórico da Secretarida Municipal de Cultural, a obra só foi instalada no espaço público em 1971.
A Fonte Milão – São Paulo, inspirada nas fontes italianas, geralmente apoiadas a paredes ou escadarias, compõe-se de cópias, em argamassa armada, de obras de Michelangelo Buonarroti (Caprese, próximo a Arezzo, 1475 – Roma, 1564).
Alegorias representando A Noite, O Dia, O Crepúsculo e A Aurora distribuem-se ao redor de um chafariz. Numa parede ao fundo, estão os brasões das cidades de Milão e São Paulo. O Dia e O Crepúsculo, figuras masculinas, formam um par, com os brasões ao centro. Em primeiro plano e de menores dimensões, estão A Noite e A Aurora, figuras femininas. Essa disposição rompe com a proposta original de Michelangelo para a Capela dos Medicis, em Florença, onde O Dia e A Noite formam um casal sobre o túmulo de Giuliano de Medici, e O Crepúsculo e A Aurora sobre o túmulo de Lorenzo. Michelangelo executou-as entre 1526 e 1533, numa menção aos contrastes da passagem do tempo, da vida e da morte.
Além de homenagear Milão com uma obra de Florença e realizar uma montagem que não permite recuperar integralmente a proposta do artista, São Paulo também exprimiu certo pudor provinciano ao encobrir o sexo das figuras masculinas com folhas de vinha.
A fonte foi totalmente restaurada em 1988, com recursos da iniciativa privada, e em 2003, desta vez com recursos doados pela cidade de Milão.
Em junho do ano passado, o prefeito Ricardo Nunes esteve em visita a Milão para o aprofundamento de ações ligadas à regeneração de espaços urbanos e cooperação internacional descentralizada entre São Paulo e Milão, de forma a manter a condição de cidades-irmãs desde 1962.
A Praça Cidade de Milão fica na Avenida República do Líbano, na confluência com a Avenida Quarto Centenário, em frente ao Parque do Ibirapuera, junto ao viveiro Manequinho Lopes. Visite!


