Jornal São Paulo Zona Sul

Quem mora em condomínio pode reciclar

Viver em um grande centro urbano traz vários desafios – para o poder público e para os próprios moradores. A destinação correta dos resíduos gerados diariamente é um dos principais. São quase 13 milhões de pessoas consumindo e gerando desde sobras de comida a materiais recicláveis. Há ainda as empresas e instituições, as árvores e praças com sobras de jardinagem, as obras com entulho…

O resultado é que por dia a capital gera mais de 20 mil toneladas de resíduos, sendo 12 mil só de lixo doméstico. Estima-se que ao menos 40% desse material poderia ser encaminhado para a coleta seletiva, mas o baixo engajamento da população faz com que apenas 7% desse total efetivamente seja reinserido na economia por meio da reciclagem. O número já foi pior. Menos de uma década atrás, o total reciclado não chegava a 2%. Mas, atualmente o serviço de coleta seletiva porta a porta já chega aos 96 distritos da cidade e a meta da Prefeitura é fazer com que o caminhão passe em todos os bairros.

Outra vantagem é que a cidade conta com centrais mecanizadas de triagem do material, o que permite que os paulistanos separem apenas o que é reciclável daquilo que não pode ser.
Há também cooperativas espalhadas por toda a cidade, o que significa que muito do material separado pelos moradores gera renda que sustenta milhares de famílias pela capital.

Participar dessa corrente positiva é muito simples: basta conferir o dia e horário em que o serviço é prestado e passar a depositar os recicláveis um pouco antes: papel, plástico, metal e vidro.
Para saber quando o serviço é prestado em sua rua, acesse: https://www.ecourbis.com.br/coleta/index.html.

Condomínios

Quem mora em condomínio, precisa conversar com o síndico e saber não só em que datas é feita a coleta, como também as regras e o sistema para separação dos recicláveis.

Hoje, só na capital paulista existem cerca de 25 mil condomínios, com dezenas ou centenas de apartamentos em cada um. Muitos já aderiram à separação dos resíduos, reservando um espaço especial para armazenar os recicláveis até que a coleta seletiva passe pela região. Outros optam por doar diretamente a cooperativas e há ainda aqueles que ainda ensaiam para implantar um esquema adequado de coleta seletiva.

O processo pode parecer trabalhoso, mas uma vez estabelecido torna-se parte do cotidiano. O primeiro passo é conscientizar os moradores sobre a importância de contribuir. É igualmente essencial treinar os funcionários do condomínio e dos próprios apartamentos, para que não misturem lixo doméstico comum aos recicláveis e para que entendam que o material precisa estar limpo e seco.

Outra atenção deve ser ao espaço reservado dentro do condomínio para abrigar os itens recicláveis. Além de seguro, o local precisa ter capacidade planejada conforme o número de apartamentos.
Desafios

Ao implantar a coleta seletiva em edifícios, muitos dos condôminos passam a se dar conta da quantidade de resíduos que geramos cotidianamente. “Aqui, lotamos cinco containers só com recicláveis, a maioria embalagens que as pessoas trazem dos supermercados e já descartam imediatamente”, analisa Marcos Antonio Quartarolli, químico e empresário, que mora na Vila Gumercindo e é síndico de um edifício.

Ele concorda que o desafio inicial é conscientizar os moradores. “Entretanto, em nosso condomínio a grande maioria nos deu excelente e rápida resposta positiva”, celebra.

Quartarolli orienta que outros condomínios interessados em implantar um esquema de coleta seletiva devem estar atentos para escolher o local ideal e garantir tanto sua segurança quanto a limpeza constante da área.

“Alguns não se atentam a comunicar aos seus funcionários ou tem a preguiça de fazer a separação. Resumindo, é mais cômodo colocar os lixos juntos, é sempre problema dos outros”, observa. “Neste caso falta o espírito de companheirismo e coletividade”, analisa.

Marcos valoriza a separação de recicláveis já há muitos anos e a ação não se restringe ao edifício onde mora. Ele se tornou um apaixonado pelo tema e sempre procurou levar sua empolgação para além das paredes de sua casa ou muros do condomínio. “Já dei até palestras na escola onde minhas filhas estudaram”, relembra.

Pai de duas universitárias, o empresário conta que em sua casa o trabalho de reciclagem é antigo e se tornou algo automático: ninguém pensa em jogar uma embalagem plástica, acartonada ou uma latinha de refrigerante no lixo doméstico comum.

“Sempre tivemos esta conscientização. As minhas filhas também tiveram as noções básicas na escola, e eu já fiz trabalhos de voluntário em grupos de ecologia nas empresas, junto às comunidades, instruindo as crianças com brincadeiras lúdicas e nas atividades com a SOS Mata Atlântica”, relembra.

Além de separar o material reciclável, a família procura reaproveitar o que for possível e, sempre que possível, evitar embalagens.
Consciência

A preocupação com a coleta seletiva, os aprendizados sobre reciclagem de materiais e redução do consumo de embalagens têm outras repercussões positivas. Pessoas que começam a separar os itens recicláveis acabam se envolvendo em outras ações para redução da geração de resíduos e proteção do meio ambiente.

No prédio da Vila Gumercindo, os moradores já perceberam que, além dos benefícios e preservação de recursos naturais em meio urbano, as ações geram economia.

“Já implantamos coleta de água da chuva e seu reaproveitamento; campanha para uso racional da água nos apartamentos, especialmente para lavar roupas e louças; implantamos equipamentos elétricos mais econômicos e substituímos lâmpadas por LED, estamos iniciando um projeto de uso de energia solar”, conta Marcos Quartarolli. Também as pilhas e bateriais são separadas e corretamente encaminhadas.

Agora, o condomínio está implantando uma horta que, no futuro, deverá ser totalmente orgânica. Os moradores ainda organizam coleta e doação de roupas e separam o óleo usado para fritura nos apartamentos, evitando problemas não só no encanamento do próprio condomínio como também da rede pública.

E, claro, quando há reformas todo o material usado é adequadamente descartado conforme legislação municipal.

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