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Qual o descarte correto de roupas e tecidos?

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Há muitos motivos que explicam a necessidade de descartar roupas, panos e tecidos. As crianças crescem e as vestimentas não servem mais, o formato do corpo dos adultos se modifica ao longo do tempo, novos empregos pedem novos códigos de apresentação ou uniformes, as peças perdem condições por excesso de uso etc.

Sem falar nos panos usados para limpeza doméstica, por exemplo, que também vão se desgastando e precisam ser descartados.

Só que a reciclagem de roupas é um assunto muito complexo. Por vários motivos, as peças dificilmente podem ser recuperadas em processo industrial que permita o retorno dos tecidos à economia.

A diversidade de materiais e fibras, a presença de acessórios como botões e zíperes, e a contaminação com produtos químicos de tintura e aparência tornam a reciclagem têxtil um processo técnico e logístico complicado.

Isso, em princípio, aponta para a necessidade de descarte no lixo comum, portanto. Ou seja, todas as roupas e panos usados em ambientes domésticos deverão ser depositados no lixo comum, o que significa que vão parar no aterro sanitário, ocupando espaço.

Mas, há como reduzir esse volume de muitas maneiras que ainda trarão benefícios para a comunidade. Sem falar que a preocupação com a destinação final de produtos têxteis ainda gera educação ambiental, a partir do momento em que se chama a atenção para mais esse tipo de resíduo.

Por fim, vale destacar que a geração de resíduos relacionada à moda ainda envolve outras questões, como o imenso volume de retalhos no processo industrial. Ou seja, a peça que você leva para sua casa já resultou em resíduos descartados no meio ambiente que vão da tintura da peça aos pedacinhos que sobraram no corte do produto.

A Global Fashion Agenda, organização sem fins lucrativos, fez um levantamento, há três anos, indicando que 92 milhões de toneladas de resíduos têxteis foram descartados na última década e ainda apontou que esse índice deve aumentar em 60% nos próximos oito anos.

Outro estudo, realizado pelo Instituto Modefica em parceria com a Fundação Getúlio Vargas (FGV), mostrou que só o Brasil produz 8 bilhões de peças de roupa por ano, o que, em média, indica o consumo de 42 novos itens por consumidor a cada ano!

Atenção às marcas

Embora a reciclagem de tecidos seja complexa, ela existe. Muitas lojas hoje já atuam com logística reversa, ou seja, com a coleta de itens usados para processos de reciclagem ou upcycling, que é a transformação das peças em novos produtos.

Existe, por exemplo, uma marca de meias que as transforma em cobertores para doação a famílias carentes. Outra empresa de lingeries garante a higienização correta de calcinhas, sutiãs e pijamas em bom estado igualmente destinando a ações solidárias.

Em lojas de departamento, é cada vez mais comum observar caixas para receber peças já sem condições de uso, ou seja, que não servirão mais para doações. Essas empresas promovem a reciclagem do tecido ou o descarte ambientalmente correto. Nesses casos, remover botões e zíperes pode facilitar o processo de reciclagem.

Ou seja, nesses casos, a preocupação do consumidor deve ser em obter informações em seu processo de compras e valorizar essas marcas. Depois, é só fazer sua parte levando às peças para as lojas de forma que possam ser destinadas adequadamente.

Também é interessante ficar atento ao histórico das marcas. Valorize empresas de produção mais artesanal e local ou aquelas que não têm histórico de desperdício de coleções inteiras que não tiveram boa aceitação do consumidor e sequer foram doadas a pessoas carentes, mas simplesmente descartadas no meio ambiente.

Consumidores conscientes, aliás, devem sempre acompanhar e entrar em contato com o Serviço de Atendimento ao Cliente, cobrando posturas ambientalmente corretas e sugerindo formas de reduzir a poluição e a geração de resíduos.

Ainda sobre o momento do consumo, valorize sempre que possível peças resistentes e duradouras. Tente também comprar peças neutras e que possam fazer parte de diferentes combinações, evitando o consumo excessivo de roupas para compor visuais alternativos.

Doações ou venda das peças

Especialmente nessa fase de inverno, muitas pessoas se lembram de fazer uma limpeza no armário e separar peças não usadas. Mas, é muito importante pensar que só devem ser doadas peças e cobertores em bom estado de uso e limpas.

Na atualidade, há ainda várias outras formas de estender o uso de peças. Repassar entre familiares, doar para instituições de caridade ou em campanhas do agasalho são as primeiras alternativas.

Mas, é possível também vender peças com pouco uso para brechós. A cultura de comprar e vender nesse tipo de loja está cada vez mais comum e não só por uma questão econômica, e sim também por uma preocupação ambiental de reduzir o excesso de produção têxtil e a necessidade de descarte.

Especialistas em moda ainda apontam que recorrer a itens seminovos indica que aquele consumidor não só tem preocupações com ecologia como também valoriza seu gosto pessoal, independente de tendências de moda da estação.

Upcycling e transformação

No passado, era muito mais comum que as pessoas transformassem uma calça jeans, por exemplo, em uma bermuda. Ou até mesmo em uma sacola, bolsa, com modificação total da peça.

A chamada “fast fashion”, no entanto, criou no consumidor uma postura que pode ser danosa ao meio ambiente. A “moda rápida” é um conceito de peças que são de baixo custo, porém também de curta durabilidade. Ou seja, são itens que vão “para o lixo” rapidamente.

Mas, nos últimos anos tem também ganhado espaço o conceito de moda sustentável, com preocupações que vão do processo industrial ao descarte.

Há muitas iniciativas de “upcycling”, que é a transformação de roupas em nova peças ou uso em artesanato. Ou seja, “está na moda” novamente usar retalhos de tecidos para a criação de “fuxico”, que são aqueles retalhos de tecido costurados de forma circular resultando em coloridas “rosetas”. Essas, por sua vez, vão compor colchas, bolsas, toucas e outros itens.

Muitas instituições beneficentes e ongs atualmente trabalham com a venda de peças resultantes do upcycling. Comprar esses itens ou doar tecidos usados a essas entidades é mais uma forma de contribuir para redução do descarte têxtil.

E em casa? Transformar uma toalha de banho antiga em panos de limpeza, converter panos de prato em trapos são atitudes a que muitas donas de casa já recorrem e que fazem a diferença ao prolongar o uso das peças.

Mas, se ao final, houver a necessidade de descartar definitivamente peças de tecido ou panos, lembre-se de coloca-los no lixo comum e não entre os recicláveis. Os serviços de coleta seletiva e domiciliar comum nas zonas sul e leste da capital são prestados pela concessionária Ecourbis Ambiental, por equipes diferentes. Para conferir dia e hora de cada uma delas, acesse o site ecourbis.com.br e clique na aba Horário da Coleta.

Jeans: consumo inevitável?

Os números são imprecisos, mas você já deve ter ouvido dizer que para produzir uma única calça jeans são necessários milhares de litros de água – algo entre 7 mil e 10 mil litros por cada unidade. Sim, é verdade, já que esses números consideram desde a água consumida nas lavouras de algodão até as fases de produção que incluem tingimento e lavagens das peças. Além de consumir, o jeans pode poluir a água nesse processo, aliás. Mas, é preciso ser realista: a produção e consumo de peças jeans vão continuar, já que é um dos tecidos preferidos dos consumidores, independente de poder aquisitivo, idade e cultura.

Dessa forma, o jeans pode representar também a necessidade de estudo de novas formas de produção, venda, reciclagem. E cativar a preocupação tanto de indústria quanto de consumidores com a geração dos resíduos e destinação correta.

Já existem, também, hoje, marcas apostando em um jeans feito a partir do algodão orgânico e com tingimento natural, com corantes extraídos de plantas. Uso de novas tecnologias ainda permite a redução do consumo de água.

Novamente, há marcas atualmente já recolhendo e dando descontos aos consumidores que levam suas peças jeans velhas no momento de compra de uma nova. Faça parte desse movimento.

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