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Pós-consumo é responsabilidade coletiva

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Considere a seguinte situação: de agora em diante, cada pessoa ou instituição será responsável pelos resíduos que gera. Ou seja, cada empresa, cidadão, órgão público precisa não apenas custear, mas também definir como será tratado o resíduo, descartado, qual será sua destinação final.

Se uma regra assim fosse criada, o que seria do lixo de sua casa? Sua empresa? Preocupações surgiriam: quanto terreno seria necessário para enterrar esse lixo? Teria sua capacidade em quanto tempo?

Claro que na sociedade em que vivemos, urbanizada, o questionamento não se aplica. A prestação desse serviço precisa ser pensada de forma coletiva e as soluções devem envolver todos os atores do processo – empresas, profissionais, cidadãos e poder público, responsável pela organização da coleta, da destinação final.

Mas, os desafios, ressalte-se, precisam ser encarados por todos.

Espaço

“Não existe ‘jogar fora’, porque não existe “fora””. “Se o planeta fosse uma nave espacial, em que seus tripulantes vão produzindo resíduos e rejeitos diversos, em quanto tempo esse material ocuparia todo o espaço existente?”

Essas duas ponderações são feitas costumeiramente por ambientalistas, ao explicar a importância de estudar o reaproveitamento de tudo que consumimos, a importância de dar tempo à natureza para que se regenere antes de extrair dela novas matérias primas.

A cidade de São Paulo não tem mais “lixões” a céu aberto, que infelizmente ainda são realidade em muitas cidades do país. Aqui, uma obra cara e complexa de engenharia garante destinação final correta aos rejeitos: o aterro sanitário.

Mas é importante apontar que os aterros têm vida útil limitada e, se não reduzirmos a quantidade de “lixo” gerada no dia a dia, em breve a cidade terá que exportá-lo. Além de ter alto custo, esse processo ainda seria social e ambientalmente incorreto, já que faria outras cidades se responsabilizarem por um resíduo que é nosso…

Destine os recicláveis

Por falar em custos, vale destacar outra ação simples do cidadão que minimizaria muito os custos diretos e indiretos dos resíduos que produz: encaminhar seus próprios recicláveis para coleta seletiva.

Hoje, a cidade caminha para oferecer coleta seletiva em 100% de seu território. Mas, em alguns pontos da cidade, serão colocados contêineres para que o próprio morador vá até esses pontos de entrega voluntária e coloque lá os itens recicláveis, feitos de papel, plástico, metal ou vidro.

A coleta seletiva feita por caminhões facilita a participação do cidadão, mas não é a única forma, portanto, de contribuir com a reciclagem.

Assim, mesmo aqueles que ainda não contam com o serviço porta a porta, podem contribuir destinando seus recicláveis nos PEVs, levando a supermercados e outros estabelecimentos comerciais que também contam com estações de recicláveis ou entregando a cooperativas.

A reciclagem é uma das formas de reduzir a quantidade de resíduos geradas na cidade, aumentar a vida útil dos aterros sanitários. Participar, portanto, é fundamental.

Nas zonas sul e leste da cidade, o serviço de coleta seletiva e instalação de Pontos de Entrega Voluntária é feito pela concessionária Ecourbis Ambiental.  Para saber o horário em que os caminhões e equipes de coletores passam em sua rua, acesse www.ecourbis.com.br/coleta/index.html

Planejamento

Muito se fala em planejar as compras para evitar excessos e desperdício, alimentos que estragam ou são destinados ao lixo por terem sido produzidos em quantidade acima do consumido.

É realmente importante prestar atenção e mudar esses hábitos. Porém, há outro tipo de planejamento de compras que pode e deve ser feito: a seleção de produtos feitos com responsabilidade.

Há vários aspectos a observar.  A embalagem é reciclável? Por exemplo, evite levar para casa aquelas bandejas de isopor – embora reciclável, o material tem baixo valor de revenda e, por isso, não é considerado atraente para comercialização por catadores e cooperativas de reciclagem.

A embalagem pode ser reaproveitada? Feitas de vidro, por exemplo, podem se transformar em copos, vasos, garrafas para armazenar sucos e água, potes para uso diverso. Antes de pensar em reciclar, pense sempre em reaproveitar.

Seja qual for o produto a ser adquirido, que tal privilegiar itens feitos a partir da reciclagem? Nas embalagens e pontos de revenda, atualmente, há indicações de produtos feitos a partir do material reciclado. Afinal, de nada adianta participarmos da coleta seletiva se posteriormente só adquirirmos itens feitos de matéria prima extraída diretamente da natureza.

No caso das latinhas de alumínio, a maior parte delas já é feita a partir da reciclagem de outras. Nas garrafas pet, essa prática está ganhando espaço no mercado e várias delas hoje vêm com indicação de terem sido produzidas a partir da reciclagem de outras garrafas.

Mas é preciso estimular esse mercado: comprar camisetas feitas de tecido reciclado ou de garrafas pet, objetos de decoração feitos com vidro ou madeira de reúso, papel reciclado, sacolas retornáveis feitas com reaproveitamento de material… Muitas Organizações Não Governamentais e entidades beneficentes trabalham com esse tipo de artesanato – valorize, até mesmo na hora de presentear alguém.

Consumidor atuante

Para que a geração de resíduos deixe de ser um problema real e iminente, muitas ações ainda precisam ser assumidas por todos os atores do processo.

As empresas também são responsáveis pela quantidade de resíduos que geram e energia que consomem – seja no processo de produção, transporte ou no pós-consumo.

Uma das discussões mais urgentes é sobre a chamada “logística reversa”. Explicando o conceito por meio de um exemplo bem simples, uma empresa que envase e venda água mineral precisa se responsabilizar pelas embalagens que coloca no mercado para distribuir um bem que é natural e pronto. Uma empresa que produz celulares precisa se responsabilizar pelas baterias. A indústria das lâmpadas precisa dar destinação correta a elas depois que deixam de funcionar… E assim por diante.

O consumidor pode e deve contribuir de diferentes formas. A primeira é fazendo escolhas, evitando produtos com excesso de embalagens, por exemplo, ou que tenham vida útil curta.

A segunda é sugerindo ao fabricante mudanças. As empresas atualmente estão buscando, por exemplo, alterar o design de embalagens para que elas sejam de menor impacto ambiental, alterando formato, tamanho, durabilidade, ou que possibilitem uso pós consumo. Em alguns casos, alterando embalagens não recicláveis por outras biodegradáveis.

Importante também lutar por mudança na legislação, para que produtos reciclados tenham menor carga tributária, incentivando assim o uso da matéria transformada em lugar da matéria virgem.

Entre sempre em contato pelo Serviço de Atendimento ao Consumidor, dê sugestões, elogie, critique. E busque por informações sobre a destinação pós consumo dos produtos adquiridos.

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