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Pequenos resíduos, grandes problemas

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bueiros

Quando se fala que o lixo espalhado pelas ruas da capital ou incorretamente descartado pode gerar ou agravar problemas de saúde, é natural que se lembre de doenças trazidas por vetores – como a dengue, o zika vírus, a leptospirose…

Mas, pequenos resíduos como bitucas de cigarro, papéis de bala, guardanapos sujos, embalagens diversas, tampinhas de pet, latinhas… Tudo isso, na verdade, pode simbolizar outras agressões modernas à saúde do ser humano, de diversas formas.

Cigarros

O número de fumantes no Brasil vem caindo – em 1989, totalizavam 34,8% da população, ou seja, mais de um terço dos brasileiros acima de 18 anos consumia cigarros. Em 2003, esse percentual já havia diminuído para 22,4% e em 2019 a última pesquisa do Ministério da Saúde apontou que 12,6% da população adulta é fumante.

Trazendo para a média na capital paulista, pode-se estimar que mais de um milhão de fumantes vivem na capital.

Estudos mundiais coletados pelo “The Tobacco Atlas” (O Atlas do Tabaco) mostram que cada brasileiro consome, ainda em média, 333 cigarros ao ano. Isso significa que 333 milhões de bitucas de cigarros são descartadas ao ano só na capital. Obviamente, parcela é descartadas corretamente, em lixeiras, como rejeito, já que não há reciclagem em massa para essa “sobra” do cigarro.

Para se ter ideia do tamanho do problema, segundo a Organização Mundial de Saúde são seis trilhões de cigarros consumidos, por ano no mundo.

As pesquisas também apontam que mais de 25 mil toneladas de bitucas e maços vazios são descartadas como lixo tóxico no Brasil por ano.

Além de toda essa sujeira, vale destacar que o cigarro causa câncer e outras doenças nos fumantes, nas pessoas que convivem com eles e mesmo nos agricultores – já que a fumicultura exige uso de agrotóxicos altamente danosos aos que lidam com o plantio, ao solo, ao ar e à água.

O prejuízo econômico é igualmente difícil de estimar, já que inclui os tratamentos de saúde para todo esse público, poluição causada pelas fábricas e consumo de água e energia, destinação correta do lixo tóxico, custos com varrição nas cidades. Os estudos apontam mais: no Brasil, um fumante gasta em média o equivalente a dez cestas básicas por ano.

Tampinhas, papel de bala…

Outro lixo comum de se ver descartado incorretamente pela cidade são os papeis de bala, tampinhas de garrafas. Como se pequenos resíduos não prejudicassem desde a estética da cidade até a fluidez das águas pluviais. Quando é feita a limpeza de bocas de lobo, por exemplo, a maior parte do lixo encontrado é de pequenos objetos, entupindo bueiros e causando alagamentos na cidade.

Novamente, é importante questionar o consumo de itens não saudáveis. Além de gerar resíduos em excesso, balas, refrigerantes, sucos industrializados, salgadinhos em pacotes ou bolachas contém açúcar em excesso, fazem mal ao organismo. Reduzir o consumo traz economia e preserva a saúde.

Vale lembrar que muitos desses itens são recicláveis – como as tampinhas, garrafas, papéis limpos, latinhas e outros objetos de metal, plástico, papel limpo e vidro.

Ainda que esteja pela rua, guarde esses itens em uma bolsa ou sacola e, ao chegar em casa, junte a outros itens recicláveis. Para saber a data e o horário em que a coleta acontece em sua rua, basta acessar: www.ecourbis.com.br/coleta/index.html

Importante ainda apontar que, ao substituir itens artificiais por produtos naturais, como frutas e alimentos feitos em casa, a regra permanece: não jogue cascas, sementes ou qualquer tipo de sobra pelas ruas. Restos de alimentos, o chamado resíduos orgânico, devem ser descartados no lixo comum ou colocado em composteiras domésticas.

Para saber o horário em que a coleta de lixo tradicional é feita em sua rua, acesse também o site www.ecourbis.com.br/coleta/index.html

A concessionária Ecourbis Ambiental é responsável pela coleta doméstica e seletiva nas zonas sul e leste da capital.

Plástico descartável

A pandemia da Covid-19 intensificou um problema que vem se acumulando há, pelo menos, 70 anos, que é a produção e o descarte de plásticos. O relatório Atlas do Plástico, publicado pela Fundação alemã Heinrich Böll, chama a atenção para o aumento do consumo de plásticos na pandemia, seja por conta das entregas de alimentos em casa, que cresceram com o isolamento social, seja pelo consumo de máscaras descartáveis.

Segundo a ABRELPE, a associação brasileira de empresas de limpeza pública e resíduos especiais, houve um aumento de 25% a 30% na coleta de materiais recicláveis durante a pandemia. O problema é que, no Brasil, se recicla apenas 1% dos 11 milhões de toneladas de plásticos produzidos por ano. Para efeito de comparação, esse índice chega a 97% no caso das latas de alumínio.

O atlas do plástico destaca ainda que o Brasil é o quarto maior produtor de lixo plástico do mundo, o que representa 13% do total dos resíduos sólidos produzidos anualmente pelo país, segundo o Sindicato Nacional das Empresas de Limpeza Urbana.

Esse aumento, entretanto, não se refletiu em crescimento equivalente de plástico enviado para a reciclagem. Embora a adesão à coleta seletiva venha crescendo paulatinamente e a cidade mantenha centrais de triagem, coleta domiciliar e parceria com cooperativas, boa parte da população descartou no lixo comum o plástico de uso único – copos e embalagens plásticas em gera. Ou seja, em vez de voltar à economia por meio da reciclagem, novos itens plásticos precisam ser produzidos porque os já usados acabaram em aterros ou, pior ainda, foram descartados de forma irregular e acabaram em córregos, ruas, piscinões, bueiros…

O momento deve levar à reflexão, portanto, não só sobre a possibilidade de reduzir o uso do plástico, quando for possível. Mas, essencialmente de que o plástico faz parte do cotidiano da sociedade moderna e que, por isso, é preciso reaproveita-lo sempre que possível, reciclá-lo quando não dá para reaproveitar e nunca descartar incorretamente.

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