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Parque Modernista é um dos raros redutos verdes na Vila Mariana

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Fotos: Morena D’Angelo

Pode parecer exagero, mas a Secretaria Municipal do Verde e Meio Ambiente divulgou recentemente um estudo que garante que quase um terço da cidade de São Paulo está recoberto de verde. Os resquícios de Mata Atlântica no meio urbano, de acordo com o levantamento, ocupa 30% do território, subdividido em nada menos que 4 mil pedaços! Um deles, como se pode conferir no mapa divulgado pela Secretaria, é o Parque Modernista, na Rua Santa Cruz, na Vila Mariana.

O mesmo mapa parece indicar uma outra área, bem menor, na esquina das Avenidas Jabaquara e Senador Casemiro da Rocha, em Mirandópolis, onde fica o recém tombado Convento de Santa Tereza D’Avila.
O imóvel da Casa Modernista também é tombado, desde 1984, como patrimônio histórico municipal, estadual e federal. Ali, não só a casa – que foi a primeira do país a ser construída seguindo preceitos da cultura Modernista em arquitetura, em 1927 – mas também o jardim envoltório pesaram na decisão de preservação da área como ponto de valor turístico, ambiental e histórico da cidade.
A casa foi projetada pelo arquiteto lituano Gregori Warchavchik, intimamente ligado e amigo dos artistas modernistas que influenciavam a cultura paulistana na década de 1920. Ele era casado com Mirna Klabin, que projetou os jardins envoltórios.
O “eucaliptal” que envolve o imóvel foi uma decisão do casal em nome da privacidade. Entretanto, estudos da época do tombamento mostraram que a área contava também com exemplares e vegetação ainda restante da Mata Atlântica.
No total, os jardins atingem mais de 12 mil metros quadrados de verde.
Apesar de tombado na década de 1980, o parque passou muitos anos abandonado. Só no início dos anos 2000 houve transferência do imóvel para a Prefeitura e a recuperação só foi finalizada em 2008. Nesse processo, entretanto, muito da vegetação mais baixa ou rasteira se perdeu.
Para quem quiser aproveitar o verde do Parque, vale apontar que ali há não apenas eucaliptos, como também copaíba, grumixamas, embaúbas, paus-jacaré.
Levantamento
O levantamento feito recém divulgado pela SMVA foi resultado de um ano e meio de trabalho, equipes de especialistas da secretaria e pesquisadores parceiros do município. O estudo é dividido por 85 mapas cartográficos com acesso livre para todos os cidadãos paulistanos e está disponível na internet.
Além de áreas conhecidas da população, localizadas nos extremos sul e norte da capital paulista, também estão mapeados pedaços significativos em áreas urbanizadas, como nas regiões do Parque do Carmo e Cursino, além de espaços menores.
Segundo a Prefeitura, o mapeamento servirá de subsídio para definir as ações e intervenções para conservação e recuperação do bioma no âmbito do Plano Municipal da Mata Atlântica (PMMA) e vai ajudar na definição de áreas prioritárias e estratégicas para conservação e recuperação. É uma exigência do Plano Diretor e atende à lei federal da Mata Atlântica. A expectativa é que esse plano de ação esteja definido até novembro deste ano e pode levar à definição de novas unidades de conservação, criação de parques e projetos para criar conectividade entre as áreas. A próxima etapa do projeto será a definição de áreas estratégicas para conservação.

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