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Saúde

Pacientes denunciam problemas no CRT Aids

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O Centro de Referência em Tratamento em Doenças Sexualmente Transmissíveis e AIDS do Estado de São Paulo tem sua sede em um antigo edifício da Vila Mariana, mas que sempre foi ligado ao tratamento de saúde – funcionava ali um dos hospitais da Cruz Azul, de atendimento a policiais militares. Mas, na década de 1990, com a expansão do Programa Estadual para Prevenção, Controle, Diagnóstico e Tratamento de Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST) e da Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (AIDS) no Estado de São Paulo se tornava sede deste trabalho. Ali, são desenvolvidos estudos de vacinas, tratamentos, orientação psicológica e muito mais (veja matéria nesta página).
Mas, usuários têm reclamado alguns aspectos do trabalho atual. “Sabemos que é uma unidade de referência. Se criticamos, é porque queremos que melhore”, diz A. C., um dos pacientes atendidos ali. Ele levou às redes sociais uma denúncia bastante repercutida na semana passada. “Depois de dois meses de obras para melhorar a acessibilidade, a rampa de entrada foi inagurada, mas ela termina em dois degraus!”, espantava-se. O engenheiro do CRT, Paulo Ugolini, se defende e diz que a manutenção dos degraus estava prevista no projeto da obra, não houve erro, “não foi possível substituir os degraus por uma rampa contínua, pois o espaço existente no local não possibilita a inclinação mínima necessária para sua aplicabilidade”, de forma que os frequentadores cheguem à porta de entrada. “Para atender a necessidade de pacientes portadores de necessidades especiais e com mobilidade reduzida, elaborou-se um projeto para melhorar a acessibilidade”, diz. Mas completa que a opção foi pela instalação de uma plataforma hidráulica, como um pequeno elevador, ao lado da rampa. “O equipamento só passou a funcionar depois que fizemos a reclamação”, diz ele.
Mas as queixas de A.C. e outros usuários vão além da obra recente. “Muitos Soropositivos têm sua mobilidade reduzida por conta da ação dos remédios, do virus ou de doenças oportunistas como Necrose no Femur, Toxosplamose, Osteoporose, Fibromialgias e mais. Por isso, antes no Hospital havia um Neuro Muscular que encaminhava e fazia acompanhamento”, diz ele, O paciente também diz que faltam remédios, muitas pacientes idosas ficam sem orientação adequada para circular pelo ambulatório e denuncia demora excessiva no agendamento de consultas. “Os médicos ganham pouco e ficaram 30 dias em greve. Vejo vários deles reclamando”, relata.
“Nos últimos meses, alguns especialistas pediram demissão, mas imediatamente foi iniciado processo para a admissão de novos profissionais. Alguns deles já encontram-se em processo final de contratação”, explica a Dra. Simone Queiroz, Gerência de Assistência Integral a Saúde, CRT DST/Aids-SP. “Enquanto não conseguirmos preencher as vagas em aberto, estamos encaminhando os pacientes, conforme suas necessidades, para a rede do SUS”, completa. Ela garante que, enquanto unidade especializada, o CRT conta com grande equipe de médicos infectologistas, aptos ao acompanhamento das principais intercorrências relacionadas a esta população. Conta também com especialidades médicas e não médicas, além de encaminhar pacientes para o Sistema Único de Saúde (SUS).
O paciente também diz que suspeitou de estar com problemas no fêmur, mas que um de seus antigos médicos descartou a hipótese, depois comprovada por exames, e teme que outros possam estar enfrentando a mesma situação. “Exames se perdem ali”, denuncia. O gerente da Área de Apoio Técnico, Alexandre Gonçalves, nega. “Desde 2004, o Núcleo de Laboratório do CRT DST/aids-SP conta com um sistema informatizado de expedição de exames”. Ele diz que, em julho de 2011, foi implantado um novo sistema para facilitar o acesso dos médicos aos resultados, mas que isso não resultou em troca ou perda de exames. “Esta possibilidade inexiste”, completa, garantindo que os resultados ficam gravados e podem ser disponibilizados a qualquer momento.

 

 

Centro de Referência atende pacientes com doenças sexualmente transmissíveis

Os primeiros casos da Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (Aids) no Brasil surgiram no início da década de 80, em São Paulo, onde, três anos depois, já era instituído um programa estadual para tratar da epidemia. Para se ter ideia de como as coisas mudaram desde então, basta dizer que a sobrevida mediana no Brasil nos pacientes com aids maiores de 12 anos no período de 1982 a 1989 era de apenas 5,1 meses. O estudo realizado por Marins e Cols, mostrou que os pacientes com diagnóstico em 1995 tiveram sobrevida mediana de 16 meses e os de 1996, 58 meses.
Mas, com a evolução da medicina, dos remédios utilizados e também do tratamento mais amplo oferecido, a situação mudou radicalmente, Basta citar números das últimas duas décadas para ter uma ideia: o número de óbitos caiu 56,5% em 2006, comparando-se com o ano de 1995, quando ocorreu o maior número de óbitos por aids.
O Centro de Referência e Treinamento DST/Aids-SP tem um papel importante para que a vigilância nesse tratamento se mantenha. O objetivo da instituição é oferecer atenção integral à saúde dos pacientes não só com HIV/Aids, mas com outras doenças como Hepatites Virais, DSTs e de Travestis e Transexuais, além de ser um Centro de Testagem. Cerca de 800 funcionários trabalham em três turnos no CRT DST/AIDS, cuja sede ocupa uma área de 6.200 metros quadrados. “Atualmente nosso serviço conta com as seguintes especialidades: acupuntura, cardiologia, dermatologia, endocrinologia, fonoaudiologia,ginecologia, infectologia, neurologia, nutrologia, nutrição, psiquiatria, proctologia, psicologia, otorrinolaringologia, oftalmologia, serviço social e urologia”, relaciona a dra. Simone Queiroz, da Gerência de Assistência Integral a Saúde do CRT DST/Aids.
O CRT fica na Rua Santa Cruz, 81 – Vila Mariana, perto da estação Santa Cruz do Metrô. Telefone: 5087-9911. Outras informações no site www. crt.saude.sp.gov.br.

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4 Comentários

4 Comments

  1. ari colatti

    21 de julho de 2012 at 18:43

    São mentirosos. Este Alexandre me ligou dizendo que antes sumiam os exams mas agora não..Curioso pois a pouco vi medicos reclamarem..Falta alguns medicamentos por burrocracia..
    Como pagam uma miseria aos medicos..alguns especialistas não param lá..
    Ortopedia demorava 4 meses(tenho email comprovando isso)..psiquiatria 2 a 3 meses..esta diretora Simone é mentirosa..é so levantar a bunda da cadeira e ficar no PA pra ver..
    E no Emilio Ribas tb faltam medicamentos como medicos e apos ao fechamento da Casa Da AIDS mais de 2000 pacientes foram transferidos para o Emilio..alem de faltar receituario azul..Esses administradores tinham que estar na prisão

  2. Vera Leite

    24 de novembro de 2015 at 15:41

    Srs acho que as pessoas precisam parar de generalizar as coisas, faço tratamento de hepatite C no DST desde 2013 e não tenho o que reclamar. Os exames estão disponiveis aos médicos via computador. Os retornos de consultas são marcados pelos próprios médicos, obvio que por se tratar por ordem de chegada as vezes esperamos por volta de 1 hora para atendimento, nunca tive falta de medicamento, alias me surpreendeu o atendimento e abastecimento de medicamento, em 15 meses de tratamento nunca tive falta de nada ao contrario tem pessoas q até abusam, que vc percebe q tem condições financeiras e levam até suplemento alimentar, novalgina, buscopan, creme hidratante ….

    Comento sempre com amigos que nem os pacientes com câncer tem a facilidade de atendimento que tem o pessoal do DST, TODAS AS ESPECIALIDADES MÉDICAS ESTÃO DISPONIVEIS. Acho muito injusto reclamar deste serviço as pessoas deveriam ter um pouco de compreensão e olhar para trás.
    O que é surprendente é que apesar de gastar-se muito dinheiro em campanhas de informação a educação da população brasileira está cada dia pior. É inadmissível, que nos dias de hoje, que esteja aumentando o número de casos de AIDS no Brasil. Tenho certeza que se este tratamento fosse pago como na maioria dos países do mundo a população seria mais criteriosa e se preocuparia mais com as consequências dos seus atos.
    PARABENS AO GOVERNO E AOS FUNCIONÁRIOS DO DST.!!!!!

  3. osvaldo jorge simoes buschi

    3 de janeiro de 2016 at 19:52

    Estou aguardando desde 11/12/2015.,ser tratado de hepatite C.,genotipo 1a.,e não consigo rémedios.,apessar de ter preenchido todos os protocolos.,porém tenho fé pois ligo no telefone e eles sempre mostram boa vontade-espero ser CURADO o mais breve posivel;

  4. Ana Lúcia Silva Justa

    30 de novembro de 2018 at 18:27

    Muito bacana, se fosse possível obter informações pelo telefone. O horário de atendimento é até as 20 h, mas, são 18:23 h, ninguém atende. Qual a finalidade do telefone se não tem ninguém para atender e fornecer as informações necessárias. Você tem que ir, se informar pessoalmente, se isso for possível, e voltar no outro dia.
    Muito prático.

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