Jornal São Paulo Zona Sul

Número de radares vai aumentar na cidade. Onde eles devem ficar?

O debate sobre instalação de radares na cidade é antigo. Na última eleição, a discussão sobre “indústria de multas” ganhou força, com críticas do ex-prefeito João Doria, então buscando a vitória, contra Fernando Haddad, que ocupava o cargo à época e tentava reeleição.
Doria se elegeu em primeiro turno mas poucas alterações no esquema de vigilância de velocidade foram feitas na cidade – a principal delas foi o aumento da velocidade nas marginais, que voltou ao limite de 90 km/h. Mas, de resto, a cidade manteve a maioria dos radares.

A Prefeitura, entretanto, divulgou recentemente que o número de multas aplicadas vem caindo: a cidade registrou, ao longo de 2018, queda de 18,46% na quantidade de multas por descumprimento às leis de trânsito, na comparação com 2017. Durante todo o ano passado, foram lavradas 10.941.845 autuações manuais (registradas por agentes de trânsito) e eletrônicas (registradas por radares), ante 13.420.620 penalidades registradas em 2017 – uma queda de mais de 2,4 milhões no total absoluto de multas.

Mas, seria essa queda resultado de menor vigilância por parte de radares móveis, por exemplo, ou do maior respeito dos motoristas na cidade às leis de trânsito, temerosos de mais multas?
O fato inegável é que o controle e fiscalização de velocidade reduzem acidentes na cidade e preservam a vida. Por isso, o número de radares vai aumentar.

Desde 22 de março, está disponível na internet uma plataforma para consulta pública sobre os endereços onde devem ser instalados os novos equipamentos de fiscalização, como radares.

“As pessoas podem sugerir a instalação de radares e locais que precisam se tornar mais seguros para a circulação de veículos e pedestres na cidade de São Paulo. Essa participação da população é fundamental para mapear e trabalhar para reduzir a quantidade de acidentes no município”, declarou o prefeito Bruno Covas.

Até o final do mês de abril, todo munícipe poderá indicar até três locais da cidade onde acredita que a fiscalização eletrônica de velocidade poderá deixar a rua mais segura à circulação de pessoas e veículos. No Vida Segura será possível visualizar no mapa da cidade os acidentes de trânsito ocorridos entre 2015 e 2017, bem como os locais onde a fiscalização já está presente. A iniciativa pretende tornar o processo de seleção desses locais mais colaborativo, ampliando o acesso à informação e, com isso, promover a segurança viária.

“O objetivo da Prefeitura é aprimorar a fiscalização, para garantir a segurança dos munícipes, com a participação da população. A fiscalização eletrônica salva vidas, além de ajudar a melhorar o trânsito”, afirma o secretário municipal de Mobilidade e Transportes, Edson Caram.

Um estudo da CET, realizado em 2017, analisou 25 cruzamentos entre os que mais registravam acidentes na cidade de São Paulo e apontou que, em 80% deles, houve diminuição das ocorrências com vítimas e mortes após a implantação da fiscalização eletrônica.
Vida Segura

O programa Vida Segura da Prefeitura é baseado no Visão Zero, que parte da premissa de que nenhuma morte é aceitável no trânsito. Criado na Suécia em 1997, esse conceito já é usado como referência para planos de segurança viária de longo prazo em cidades como Nova York, Cidade do México, Bogotá e, agora, São Paulo.

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