Siga-nos

Ecourbis

Muita riqueza vai para o lixo

Publicado

em

É difícil mensurar quanto dinheiro vai para o lixo em todo o Brasil – inclusive na maior metrópole do país e uma das maiores do mundo, em se tratando de resíduos sólidos gerados diariamente por cada um de nós. O brasileiro costuma chamar esses resíduos de “lixo”, o que dá uma ideia equivocada de que são “descartadas” apenas coisas sem valor algum.

Mas, a verdade é que o país todo perde muito dinheiro com a riqueza que vai para o lixo, o desperdício, a falta de reaproveitamento do material que termina em aterros, o gerenciamento de todo esse processo.

E nem seria nada complexo reverter essa situação: cada um de nós precisa modificar hábitos de forma bem simples e desenvolver a visão de que aquilo que estamos descartando hoje, nos custou dinheiro ontem.

Recicláveis

Mas, o quadro fica ainda mais triste quando pensamos que a capital paulista tem estrutura e oferece serviços para que esse desperdício seja minimizado.

O que falta, então, para reduzir esse desperdício que custa caro aos cofres públicos, à sociedade e até mesmo a cada um de nós? Falta engajamento da população. E esse processo é assim, tão completo? Muito pelo contrário – basta separar o “lixo” doméstico em dois: reciclável e não reciclável. Depois, é só consultar o site https://www.ecourbis.com.br/coleta/index.html

Houve um aumento na coleta de recicláveis na capital, de cerca de 12% durante 2020, quando foram coletadas cerca de 92.6 mil toneladas de recicláveis, contra 82.4 mil toneladas no período anterior, um aumento de 10,1 mil toneladas. Os dados de 2021 ainda não foram fechados.

Mas, o fato é que não chegam às centrais de triagem nem às cooperativas de catadores nem metade da capacidade que teriam para separar de recicláveis. Por que? Simplesmente porque a população da capital não separa.

E com isso, milhões de reais acabam no lixo comum e vão para o único aterro em operação na capital – a CTL Leste, operada pela concessionária Ecourbis Ambiental, responsável pela coleta de resíduos na capital.

Ou seja, são três problemas em um:

1 – O material reciclável que poderia gerar renda a milhares de famílias de catadores não está sendo reciclado;

2 – o já escasso espaço do aterro está sendo ocupado por material valioso

3 – novas matérias primas serão retiradas da natureza para produzir novos materiais recicláveis, num processo de agressão, com custos e energia gastos à toa.

Estimativas da Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública (Abrelpe) indicam que o Brasil perde cerca de 14 bilhões de reais por ano por não reciclar materiais que acabam no lixo comum. Ou seja, são 14 bilhões de reais “jogados no lixo” e ocupando um espaço em aterros pelo qual todos nós, munícipes, pagamos pela operação.

O detalhe é que quando o aterro tiver sua capacidade esgotada, a cidade de São Paulo terá que pagar para exportar seu lixo. Mais custos e mais agressão ambiental que poderiam ser evitados.

Vale ressaltar, entretanto, que o consumidor parece não se atentar para o fato de que ao levar qualquer produto para casa, pagou também por aquela embalagem que agora despreza e que poderia gerar recursos para famílias de catadores.

Mas não é só deixando de separar vidro, papel, metal e plástico que perdemos dinheiro, em se tratando de resíduos. ..

Alimentos

Mesmo em um planeta onde milhões de pessoas passam fome, um terço dos alimentos produzidos é desperdiçada, ou seja, vai para o lixo.

A perda acontece desde o processo de produção, transporte, beneficiamento, venda no varejo e, claro, na casa do consumidor, no restaurante…

Alimentos “não muito bonitos” são descartados. Muitos estragam durante o trajeto do campo ou indústria até o ponto de venda. Muitos vencem, passa o prazo de validade sem que tenham sido vendidos e sequer são doados.

Mas, o que os consumidores podem fazer para não agravar esse quadro? Planejar o cardápio com antecedência para não deixar perecíveis estragando na geladeira é o primeiro passo.

Calcular quantias de maneira adequada, deixando de lado aquela antiga máxima de que “é melhor sobrar do que faltar”. Até porque, tudo isso faz parte da cultura individual e coletiva. Assim, a mudança de hábitos, trazendo uma nova cultura, vai fazer com que o desperdício seja, aos poucos, reduzido e considerado absurdo.

Deixar vencer alimentos nas prateleiras, comprar em excesso no mercado ou sobras de comida no prato, são alguns exemplos disso.

Vale destacar que o Brasil, que é um dos maiores produtores agropecuários do planeta, é também um dos dez países que mais desperdiçam alimentos. Em números, isso significa cerca de 940 bilhões de dólares por ano!

Reaproveitar sobras com criatividade buscando receitas na internet, congelar pequenas porções que juntas fazem uma nova refeição são alguns truques para evitar o desperdício. Aprender receitas com cascas, sementes e folhagens é outra ação cada dia mais importante – ainda ajuda na economia doméstica.

Mas há também a dica de comprar de produtores locais e privilegiar produtos da estação. Evite também os industrializados que, além de não serem a opção mais saudável, ainda geram muitas embalagens.

Outros resíduos

Tem muita riqueza também em outros tipos de resíduos que muitas vezes os consumidores desprezam e descartam no lixo comum.

Um exemplo são os aparelhos eletrônicos. Quanto descartados corretamente, podem ter peças reaproveitadas, metais selecionados e derretidos para novos usos.

Até chapas de Raio-x, radiografias e outros filmes podem ter retirada deles a prata, que compõe o material. Na região, esse material pode ser levado ao CSI Vila Mariana (Rua Domingos de Morais, 1947 – Vila Mariana) ou UBS Santa Cruz (Rua Santa Cruz, 1191 – Vila Mariana).

Ao reformar um imóvel, muita gente se desfaz de peças como portas, torneiras e janelas que podem ser usadas em projetos artesanais ou de reaproveitamento por arquitetos e outros profissionais.

Retalhos de roupas, bijuterias quebradas e cacos de cerâmica podem também ser reaproveitados também para artesanato.

Doe também tudo que estiver em condições de uso: brinquedos, livros, roupas, cds, dvds, equipamentos, móveis…

Assim, todo esse material pode ser usado em uma cadeia de economia solidária duplamente positiva – não vai para o aterro e gera renda para vários grupos.

O essencial é lembrar que tudo que vai para o saco de lixo teve um custo para chegar à sua casa – ambiental e financeiro. E terá outro custo se for incorretamente descartado.

Há muita riqueza no que nos habituamos chamar de lixo e que, na verdade, são resíduos importantes para a economia da cidade.

Advertisement
Clique para comentar

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.

© 2022 Jornal São Paulo Zona Sul - Todos os Direitos Reservados