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História

Mosteiro de Santa Tereza de Ávila finalmente é patrimônio histórico

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Em dezembro, Conpresp aprovou tombamento do convento construído na década de 1940 e que fica em Mirandópolis

Depois de doze anos em processo de tombamento, foi finalmente considerado patrimônio histórico da cidade de São Paulo o mosteiro de Santa Tereza de Ávila, em Mirandópolis.
Escondido por grandes muros em um imenso quarteirão na esquina das Avenidas Jabaquara e Senador Casemiro da Rocha, o mosteiro não é uma construção vazia ou esquecida. Ali, vivem menos de 30 freiras, da ordem das carmelitas descalças, em completa clausura.
O mosteiro funciona também para a venda de produtos artesanais em loja que abre no local aos domingos, das 8h30 às 17h.
De segunda a sábado, há missas às 7h e aos domingos às 8h. O exterior e uma pequena capela são abertos à visitação das 8h às 10h30 e das 15h às 16h30.
Em junho do ano passado, moradores da vizinhança questionaram judicialmente a construção de prédios próximos, justamente por conta do processo de tombamento que estava em andamento. Uma liminar chegou a ser obtida, entretanto foi revogada pouco tempo depois, de acordo com a Prefeitura.
O processo de tombamento foi aberto em março de 2003 e só na última reunião do ano de 2014, promovida em dezembro passado, o Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico (Conpresp) acabou deliberando sobre o tema.
De acordo com a ata da reunião, os motivos que levaram ao tombamento do bem foram além do valor histórico e afetivo do conjunto no “âmbito” da comunidade local.
Foram considerados também o valor arquitetônico das edificações em estilo neocolonial, construídas entre 1946 e 1948, o valor artístico dos elementos decorativos como azulejos decorados, treliças, ornatos barrocos, vitrais da Casa Conrado e acervo de imagens escultóricas e pinturas, além do valor ambiental da área arborizada e ajardinada desse conjunto para o bairro de Mirandópolis e vizinhança.
A ata define que o prédio do Mosteiro com igreja anexa, o Jardim no recuo frontal em toda extensão da Avenida Jabaquara e o pátio interno quadrangular deverão manter suas caraterísticas originais de forma integral.
A resolução ainda estabelece a altura máxima de edificações no entorno, a partir do nível médio do perfil natural do terreno até o topo da cobertura, incluindo todos os elementos. Na Avenida Jabaquara e na Avenida Senador Casemiro da Rocha, alguns espaços têm permitida a altura máxima de 45 metros. Já nas alamedas das Boninas, as edificações têm altura máxima de 15 metros.
Histórico
O mosteiro de Santa Teresa de Ávila foi construído no início da década de 1940, para que as freiras, da Ordem das Carmelitas Descalças, pudessem desocupar o prédio onde viviam, em Perdizes. Elas doaram a área na zona oeste para que se tornasse sede da Pontifícia Universidade Católica, a PUC. O conjunto foi construído pela empresa Leandro Dupré Construções Ltda., e a mudança das freiras aconteceu em 1948.
O Mosteiro fica na Avenida Jabaquara, 244.

 

Jardins, azulejos e vitrais, além do valor arquitetônico das edificações em estilo
neocolonial definiram importância da preservação do mosteiro

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2 Comentários

2 Comments

  1. Rafael bravo

    12 de agosto de 2019 at 17:43

    Passei toda minha infância dentro desse convento brincando com.irma amigos e amigas …infelizmente ele não e mais aberto ao público….porém esse último sábado toquei a campainha e como por um milagre conssegui entrar lá dentro do espaço arborizado eu não entrava lá a 30 ,anos lugar lindo abençoado e muito conservado…fiquei mto feliz saudades

  2. Renan Barbosa Baleeiro

    8 de novembro de 2019 at 19:58

    TEM UMA HISTÓRIA MAIS ANTIGA DO LUGAR

    Em 1685, ergueu-se neste local o recolhimento de Santa Teresa, que viria a ocupar todo o quarteirão formado pelas ruas Roberto Simonsen, Venceslau Brás, Irmã Simpliciana e atual Rua Santa Teresa.

    As Casas de Recolhimento eram casas religiosas similares aos conventos, com a diferença que as internas não faziam votos ou juramentos solenes, porém da mesma forma usavam os hábitos das ordens a que pertenciam. Tinham a função de asilo, educandário, abrigo e obrigavam aos ofícios religiosos. Nos recolhimentos internavam-se as moças com forte vocação religiosa, assim como também as prostitutas arrependidas. Por outro lado, serviam também para confinamento de mulheres sejam solteiras ou casadas acusadas de má fama, ou de serem infiéis onde ficavam totalmente isoladas enquanto seus maridos ou responsáveis viajavam, ou até como punição. Uma vez aceitas as reclusas somente sairiam com a autorização do familiar responsável, da autoridade civil, ou por interferência do bispo. Ainda estavam longe os tempos da liberação feminina e a proibição das discriminações. No caso específico do recolhimento de Santa Teresa, só se aceitavam internas que soubessem ler e escrever e mediante dote. À Corte portuguesa não interessava que fossem criados conventos no Brasil, pois incentivava o casamento de todas as mulheres para povoar o novo território.

    O fundador do recolhimento foi Lourenço Castanho Taques, auxiliado por seu irmão o capitão-mor Pedro Taques de Almeida e Manoel Vieira de Barros que cedeu os terrenos de duas casas que possuía no local. Tudo com o apoio do primeiro bispo do Rio de Janeiro, D. José de Barros de Alarcão, então em visita às terras paulistanas.

    Lourenço Castanho Taques, o moço e Pedro Taques de Almeida eram talvez as mais influentes e abastadas famílias de São Paulo daqueles tempos. Filhos do bandeirante Lourenço Castanho Taques, o velho, o moço Lourenço também foi sertanista, fez excursões, aprisionou índios e foi Juiz de Órfãos de São Paulo. Pedro Taques de Almeida ocupou vários cargos, foi provedor e contador da Fazenda Real da capitania de São Paulo, juiz da alfândega, capitão-mor entre 1684 e 1687, alcaide-mor, procurador da Coroa e administrador-geral das aldeias do real padroado. De Manoel Vieira de Barros pouco se sabe, além do fato de também ter sido uma pessoa abastada, de vários negócios e ter ocupado o cargo de mestre de capela da Matriz de São Paulo, ou seja, era o responsável pela organização do coro, das atividades musicais em geral, do ensino musical aos jovens e também de compor músicas.

    O responsável pela construção da torre do recolhimento não foi outro senão Joaquim Pinto de Oliveira, o lendário Tebas, mulato escravo alforriado extremamente habilidoso que realizaria outras obras importantes em São Paulo.

    Dom José de Barros de Alarcão autoriza o funcionamento do recolhimento em 1685 e em 1748 o primeiro bispo de São Paulo, dom Bernardo Rodrigues Nogueira, autoriza o recolhimento a ter seu próprio estatuto, no qual vemos que a disciplina era severa, como na maioria dos monastérios.

    Pelo regulamento acordavam diariamente às 4:30, iam para o coro às 5:00 para as matinas, laudes e prima (os primeiros ofícios do dia), e após as antífonas (as respostas cantadas a cada salmo, versículo, etc.) recolhiam-se às celas para as orações mentais. às 8:00 voltavam ao coro para a tércia e a sexta (outros ofícios que também dão o ritmo do dia conventual) e ouvir a missa. Do coro iam à “casa de labor” para trabalhos comunitários até as 11:00. Aí iam para as suas celas por 15 minutos para meditação “sobre o que tinham feito do tempo em que despertou até o presente momento”. Seguiam para o refeitório até as 12:30 e daí para as celas até as 14:00, voltavam para o coro para rezar as vésperas e voltavam ao trabalho até as 17:30. De volta ao coro para rezar as completas e ouvir 15 minutos de “lição espiritual”, rezar o terço e ir ao refeitório para a última refeição e depois tempo livre de repouso até as 20:30 e uma vez tocado o sino recolhiam-se às suas celas para suas devoções até as 21:30 quando era hora de dormir. Esta era a rotina no recolhimento de Santa Teresa.

    Por outro lado, o aparente rigor em que viviam era atenuado pela existência dos dotes e a presença de escravos e escravas para os serviços mais pesados e mucamas para as necessidades particulares.

    As três filhas de Manoel Vieira de Barros foram as primeiras hóspedes do recolhimento, cujos primeiros anos foram bem difíceis. Em 1718 estava tão decadente que não tinha nenhuma recolhida. A Câmara chegou a solicitar ao Governo a sua extinção, porém graças aos esforços do bispo do Rio de Janeiro a extinção não ocorreu. Nos anos seguintes, porém através de donativos e legados, recuperou-se, ocupou todo o quarteirão, e em 1809 o recolhimento estava entre os mais ricos proprietários da cidade.

    Foi aqui, no recolhimento de Santa Teresa, que entre 1769 e 1770, Frei Galvão, hoje canonizado, foi nomeado confessor e conheceu a irmã Helena Maria do Espírito Santo, que resolveu contar-lhe as visões que tinha sobre um novo convento que deveria ser fundado por seu confessor. Ela tinha 34 anos na época, ele 31. Frei Galvão aconselhou-se com pessoas mais experientes, apresentou o caso às autoridades eclesiásticas e resolveu levar adiante o trabalho, o que resultou no que hoje é o conhecido Mosteiro da Luz onde são distribuídas as famosas pílulas do frei Galvão.

    Em 1913, a pedido do arcebispo de São Paulo dom Duarte Leopoldo e Silva, religiosas do Rio de Janeiro foram transferidas e passaram a viver no recolhimento de Santa Teresa com o objetivo de implantar as regras carmelitas de Santa Teresa. O recolhimento torna-se então, Mosteiro Professo da Ordem das Carmelitas Descalças de Santa Teresa.

    Por 232 anos viveram as reclusas nos corredores, claustros e capela do antigo recolhimento. Em 1917 são transferidas para o palacete Rodovalho, na Penha, que tinha sido reformado e adaptado para tal. O vetusto prédio de taipa de pilão, com paredes de até um metro de espessura iria em breve desaparecer. Em 1918 são transferidos para a cripta da Sé os despojos dos bispos de São Paulo que estavam provisoriamente no Recolhimento.

    O prefeito Washington Luís tinha feito um acordo com o Arcebispo Metropolitano D. Duarte Leopoldo e Silva, primeiro arcebispo de São Paulo que atuava em nome do Recolhimento, para a desapropriação de uma área de 694m2 visando o alargamento da Rua Santa Teresa, pelo preço de 145:000$000 (cento e quarenta e cinco contos de réis), que foi aprovado pela Câmara Municipal em maio de 1919.
    Em novembro daquele mesmo ano, o Recolhimento adquiriu por 265 contos de réis uma área de 18.000 m2 nas Perdizes chamada Chácara Lúcia e no ano seguinte inicia-se a construção de novo mosteiro com projeto do arquiteto Alexandre Albuquerque. O novo mosteiro e sua capela anexa foram inaugurados em julho de 1923.

    Aí permaneceram as monjas até 1948, quando a propriedade foi cedida para a Pontifícia Universidade Católica (PUC) que havia sido criada dois anos antes.

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