Jornal São Paulo Zona Sul

Mais gente está reciclando em casa

A quarentena tem trazido muitos aprendizados. Pesquisas recentes mostram o aumento do trabalho à distância (home office), a redução do consumo, o aumento do número de pessoas aprendendo a cozinhar, a ampliação dos serviços de delivery e do comércio eletrônico e também um aumento significativo na participação das pessoas que vivem em São Paulo na coleta seletiva de recicláveis: 25% de crescimento no volume recolhido.

Com mais tempo em casa e prestando mais atenção a tudo que envolve higiene, coleta e geração de resíduos, além da economia doméstica, as famílias estão separando mais o lixo comum do reciclável. E aprendendo o quanto é simples e importante esse processo.

A Prefeitura de São Paulo estima que o volume de recicláveis destinado às centrais de triagem aumentou em 25% durante a quarentena. Além de maior engajamento da população, esse volume maior ainda indica o aumento do uso de embalagens recicláveis, sejam elas descartáveis, vindas pela entrega de refeições prontas, sejam aquelas que vêm do supermercado, por conta do maior tempo que as famílias estão passando em casa e volume dos produtos consumidos em casa.

Mais tempo

Morador da Chácara Inglesa, o profissional de Tecnologia da Informação Ricardo Pereira diz que sempre teve vontade de se engajar na coleta seletiva. Mas, como vive sozinho e passava muito pouco tempo em casa, sempre achava mais simples juntar todo o lixo e deixar para a coleta tradicional, nas datas e horários que sabia que o caminhão comum passa em sua rua.

Agora, ele está trabalhando em home office e tem feito pouquíssimas refeições fora de casa. Mas, sabe preparar apenas alguns tipos de refeição e o trabalho continua consumindo muito de seu tempo, por isso resolveu encomendar refeições prontas quase que diariamente.

“Percebi aquele imenso volume de embalagens de delivery indo pro lixo comum e me pesou a consciência. Passei a separar as embalagens de papel e plástico que estivessem limpas, as garrafinhas pet com sucos e descobri a data em que o caminhão da coleta seletiva passava em casa”, conta.

O morador diz que achava que o processo seria mais complicado e garante que, mesmo que volte a trabalhar no escritório, manterá a rotina de separação dos resíduos.

Para saber quando o serviço é realizado em sua rua, basta acessar www.ecourbis.com.br/coleta/index.html. Se perto de sua casa existe um container com o símbolo da reciclagem, também é possível levar para lá os recicláveis, que serão posteriormente recolhidos pela concessionária Ecourbis, responsável pelos serviços de coleta regular e seletiva nas zonas sul e leste da capital.

Outra dica importante é retirar os resíduos dos recicláveis, enxaguando latinhas ou removendo sobras secas, adesivos, migalhas… Caixas engorduradas, guardanapos com sujeira não podem ser reciclados e devem ser descartados no lixo comum.

Muito simples

Lembre-se ainda que, durante a quarentena, é importante ensacar bem os resíduos – tanto do lixo comum quanto do reciclável – ocupando no máximo dois terços da capacidade do saco.

Não descarte máscaras e luvas no lixo reciclável, sejam elas descartáveis ou não, de qualquer material. É fundamental ressaltar que esses itens são equipamentos de proteção individual e que, independente de a pessoa que os utilizou estar ou não infectada pelo coronavírus, devem ser descartados no lixo comum e de forma bem protegida, em dois sacos.

Se colocar junto com o material reciclável há risco para os catadores que porventura vierem a manipular e fazer triagem dos demais itens.

Muito simples

Também a auxiliar administrativa Marta Elisabeth percebeu que reciclar era muito mais simples do que imaginava.
Apesar de já ser aposentada, a moradora do Jabaquara acreditava que era preciso separar latas em um saco, papel em outro, vidros em outro e plásticos em mais um. “Foi durante a quarentena, conversando com uma vizinha, que entendi que não era necessário. Eu via que ela colocava tudo em uma única embalagem e achava que aquela mistura toda acabaria nos aterros de lixo comum”, confessa.

É importante ressaltar que não é necessário separar os recicláveis por tipo (papel, metais, plásticos e vidro). Basta juntar todos esses materiais em um único saco, colocar na data correta, no máximo duas horas antes da passagem do caminhão da coleta seletiva.

“Trabalhei muitos anos em escritório e lá sempre evitei impressões desnecessárias, reaproveitava folhas usadas para rascunho, cuidava para não haver desperdício de nada. Em casa já sou assim, mas por puro descuido não participava da coleta seletiva. Agora vou manter essa rotina, que é muito simples”, completa.

Marta mora com o marido, que ainda trabalha em escritório e passa poucas horas em casa, mas garante que ele já está habituado à nova rotina e sabe que há uma lixeira para o material descartável, outra para os resíduos comuns.
Eles têm uma filha, já casada, que mora em Santo Amaro. “Conversei com ela para que também passe a separar o lixo. Minha filha trabalha fora e passa poucas horas em casa, mesmo durante a quarentena, porque é enfermeira. Mas, por isso mesmo, ela sabe da importância de manter a limpeza e contribuir com o meio ambiente para evitar doenças”, conta a aposentada, que garante que a filha também já está separando os recicláveis em casa.

Condomínio

O estudante Carlos Henrique mora em São Paulo há pouco tempo. Veio para fazer faculdade, mas com a pandemia as aulas foram paralisadas e ele passou a ficar mais tempo em casa. Já sabia preparar algumas refeições, mas garante que por conta da quarentena foi se especializando na cozinha.

E nesse processo, passou a ficar mais atento à geração de resíduos. “Percebi que desperdiçava muita comida e isso foi um incentivo para aprender a cozinhar, me planejar”, diz o universitário.

Agora morador de um condomínio na Vila Mariana, ele conta que na cidade onde vivia não existia coleta seletiva domiciliar e nunca fez separação de recicláveis. “Mas foi outra coisa que me chamou atenção. Percebi que aqui no prédio o pessoal separava, tem um container em uma área da garagem”, diz. “Na quarentena, vou todo dia lá, não deixo os recicláveis acumulando em casa. E como estou evitando desperdício, fica muito pouco lixo dentro do apartamento”, completa.

O estudante de Direito diz que pretende manter a rotina na retomada das aulas. “É até mais prático, já que o apartamento fica sempre limpo, sem lixo orgânico, nem recicláveis, diz.

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