Jornal São Paulo Zona Sul

Limpeza urbana depende também de boas iniciativas da comunidade

Uma cidade limpa e bonita é também uma cidade saudável. Qualquer copo descartável jogado em praças e canteiros pode se transformar em um criadouro de mosquitos. Sobras de alimentos e embalagens sujas ou lixo mal acondicionado pode atrair roedores.
Sem falar na imensa quantidade de bitucas de cigarros e nos restos de fezes de animais deixados em calçadas.

Assim, além de deixar o ambiente feio e desagradável, a sujeira pode espalhar doenças. Mas, quem joga esses resíduos pelas ruas? Em geral, alguns cidadãos que não percebem que o mal é para todos e quem paga essa conta é a sociedade toda. A conta, portanto, não inclui apenas os serviços de limpeza pública, mas também custos de atendimento e tratamento em saúde.

A cidade também sofre com o despejo irregular de entulho (sobras de reformas e construções) e bagulhos (móveis e objetos quebrados ou deteriorados) abandonados em espaços públicos.

A cidade conta com serviços como coleta domiciliar regular e coleta seletiva, operações especiais de cata-bagulho periódicas em todos os bairros, ecopontos (endereços para entrega de entulho e recicláveis em quantidades até um metro cúbico diário). Todos os serviços são gratuitos. Há ainda Pontos de Entrega Voluntária (PEV) de recicláveis em diversos endereços urbanos. Todos esses serviços podem ser consultados pelo site prefeitura.sp.gov.br.
Para saber as datas e horários em que os serviços de coleta regular ou seletiva são prestados na rua onde mora, basta acessar: www.ecourbis.com.br/coleta/index.html.

União de forças

Com tantos serviços, o que mais é necessário para que a cidade fique limpa? E sem riscos à saúde causados pela destinação incorreta de resíduos? Certamente, falta conscientização de parcela da população.

Uma forma de modificar essa realidade é descobrir grupos e ONGs em seu bairro que desenvolvem projetos, eventos para modificar a situação da limpeza pública pelas vias da cidade. Ou tomar iniciativa e partir para a ação.

Um grupo de moradoras da Vila Gumercindo resolveu ultrapassar o sentimento de indignação com o lixo irregularmente descartado pelas ruas do bairro. E decidiram agir para mudar esse quadro.

Passaram a desenvolver uma ação de conscientização nas escolas públicas locais, buscaram apoio dos comerciantes e moradores, estabeleceram parceria com a Subprefeitura do Ipiranga, organizaram um mutirão de limpeza.. Na primeira edição, dezenas de pessoas participaram e saíram pelas ruas recolhendo resíduos, munidas de luvas de proteção e sacos adequados.

E garantem que foram apenas os primeiros passos. As moradoras ainda pretendem continuar a planejar implantação de câmeras para flagrar o descarte irregular de lixo e entulho, ampliar as ações de conscientização e cuidados com a limpeza pública.

A assistente de marketing Fabiana Botelho, a conselheira do setor de saúde pública Ivete Festino, a administradora e professora Rubia Souza e a aposentada Maria Tereza Thomaz começaram pela praça José Augusto Veloso onde, além da limpeza, foi feita também a implantação de jardineiras.
Pelo bairro
Elas relatam que já agiam dentro de casa e no trabalho, separando materiais para reciclagem com familiares e nos condomínios. “A preocupação de reduzir o consumo e reutilizar embalagens é constante”, garante Fabiana Botelho.

“A gente busca ensinar os conceitos para nossas crianças não só pelo exemplo, mas visitando parques e exposições”, complementa Rubia Souza.

“Com a formação do grupo, parece que ficou mais intenso: adotamos também o slogan Juntos somos mais fortes!”, diz Maria Tereza Thomaz.

As amigas montaram até uma página em rede social para divulgar fotos de maus e bons exemplos em limpeza pública, para estimular ações corretas na comunidade. “Batalhamos muito os conceitos: ‘Lugar de lixo é no lixo’ e ‘O que você faz com seu lixo é problema nosso!’, para conscientizar as pessoas sobre as consequências da sujeira que espalham pelas ruas”, observa Ivete Festino.

No primeiro mutirão que elas promoveram, houve ótima receptividade e adesão da comunidade, especialmente nas escolas “Respeitamos o calendário de atividades e pedimos que o tema meio ambiente e reciclagem fosse desenvolvido junto aos alunos. Vários cartazes foram feitos!”, relata Fabiana. O programa também considerou as idades das crianças e a distância da escola ao ponto de concentração: a Praça Jose Augusto Veloso.

Bons resultados

“Foi gratificante ver a animação e participação dos alunos, no momento em que o mutirão passou pelas escolas envolvidas”, lembra Rubia. “Foi feita uma operação especial Cata bagulho e quanta coisa saiu do bairro! O caminhão saiu lotado”, completa Ivete.

O projeto ainda incluiu a instalação de lixeiras nas praças e jardineiras nas calçadas onde havia pontos viciados de descarte ilegal de entulho. Vale lembrar que jogar bagulhos e entulhos em vias públicas é crime ambiental, passível de multa superior a R$ 15 mil.

“Para o segundo semestre, vamos continuar atuando nos pontos viciados do bairro e programar um evento de reflorestamento do bairro, já que nas úlltimas chuvas de verão ocorreu uma grande perda da área verde, com queda de árvores grandes e corte de outras que estavam ocas”, empolga-se Ivete.

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