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Fórmula 1 terá uma das últimas edições em São Paulo?

Lewis Hamilton já está em São Paulo para a disputa do Grande Prêmio do Brasil de Fórmula 1, no próximo domingo (17) no Autódromo José Carlos Pace (Interlagos). O inglês de 34 anos chega para a prova com o sexto título mundial da categoria assegurado com duas corridas de antecedência, após o segundo lugar na etapa dos Estados Unidos, em Austin, no último dia 3 de novembro.

Foi em Interlagos, há 11 anos, que ele conquistou seu primeiro título, ironicamente superando um brasileiro. Apesar de a prova ter sido vencida por Felipe Massa, concorrente direto pelo troféu, o quarto lugar do então piloto da McLaren (com a uma ultrapassagem na última curva da volta final para cima do alemão Timo Glock) fez Hamilton encerrar o campeonato um ponto à frente de Massa, naquela ocasião na Ferrari.

“Mesmo quando corri contra brasileiros, vejo que o carinho e o respeito que tenho aqui só cresceram. Essa é uma das corridas mais clássicas, com a participação de muitos fãs”, comentou.

O campeão também acabou sendo questionado sobre a polêmica envolvendo a proposta do presidente Jair Bolsonaro de transferir o GP Brasil de Fórmula 1 para o Rio de Janeiro. O campeão se mostrou contra a mudança do Grande Prêmio do Brasil de São Paulo para o Rio de Janeiro, onde há a expectativa de construção de um novo autódromo em Deodoro, zona oeste da capital fluminense.
“Se já temos um circuito histórico (Interlagos), não é preciso cortar mais árvores. Acho que o dinheiro pode ser usado para coisas melhores. Ainda temos muita pobreza no Brasil. E há muita gente, muito talento. Se fosse o meu dinheiro, usaria em causas melhores.

Educação é fundamental. Por exemplo, tenho engenheiros jovens, mas poucos são brasileiros. Deveríamos ter mais”, afirmou.

Entenda a polêmica

Em maio, o presidente Jair Bolsonaro criou polêmica envolvendoos Governos dos estados de São Paulo e Rio de Janeiro, além das prefeituras das capitais ao afirmar que já em 2020 o GP Brasil seria realizado no Rio de Janeiro.l

Na ocasião, Bolsonaro assinou um termo de cooperação com o governo do estado e a prefeitura da capital fluminense para as obras de um autódromo em Deodoro, que deverá ter capacidade para receber um público de 130 mil pessoas.

A mudança encerraria um ciclo de 30 anos seguidos em que o Grande Prêmio do Brasil ocorre no Autódromo José Carlos Pace, em São Paulo, popularmente conhecido como Autódromo de Interlagos. “São Paulo, como havia participação pública e uma dívida enorme, tornou-se inviável a permanência da Fórmula 1 lá. Então, vieram para o Rio de Janeiro e a construção será concluída em 6 ou 7 meses após o início das obras”, disse Bolsonaro à época.

O governador João Doria rebateu, dizendo que a área escolhida para o futuro autódromo no Rio de Janeiro não tem nada a oferecer. “Já sobrevoei o campo de Deodoro e não tem nada, rigorosamente nada. Como é que pode imaginar que um investimento que não está planejado, dizer que haverá um autódromo internacional, qualificado e aprovado pelos promotores da Fórmula 1, para realizar em 2020 o GP de F1?”, questionou

Posteriormente, a própria Federação Internacional de Automobilismo (FIA) confirmou que o contrato com São Paulo iria até 2020 e as negociações para renovação estariam em andamento.

Doria

A área em Deodoro é coberta parcialmente por floresta nativa, que teria de ser praticamente suprimida para a construção da pista e de toda a infraestrutura necessária à realização das corridas de Fórmula 1, o que tem gerado uma disputa judicial por conta das licenças ambientais que seriam necessárias para aprovar a construição do autódromo.

Com informações da Agência Brasil

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