Jornal São Paulo Zona Sul

Enel promete mais agilidade para atender ocorrências no verão

Muitas obras, modernização, ampliação, contratação de equipes. Desde 2018, a Enel Distribuição – empresa que substituiu a Eletropaulo no fornecimento de energia para o paulistano – vem prometendo que a falta de energia seria um acontecimento raro na cidade.

Não foi o que se viu no início desse ano. Em janeiro e fevereiro, houve várias ocorrências não só de interrupção de fornecimento, mas até de explosões em terminais, demora no conserto de fiação derrubada por árvores.

Os problemas envolvendo a fiação aérea da cidade não se limitam, inclusive, ao fornecimento de energia. Depois de um temporal no início de novembro, uma mulher morreu eletrocultada no Capão Redondo, extremo sul da capital, ao ser atingida por cabos soltos na via pública.

Ainda em novembro, a região de Mirandópolis ficou toda a tarde do dia 22 sem energia porque a empresa estava trocando postes e equipamento no bairro – vários moradores e comerciantes dizem que não receberam aviso antecipado da ação.

E na semana passada, uma chuva de média intensidade deixou vários pontos da zona sul paulistana, como a Vila Mascote, também sem energia por várias horas.

Todo esse histórico recente faz com que o paulistano tema a chegada da temporada de chuvas intensas. Novas árvores vão tombar? Em caso de rompimento de fiação e queda de energia, a empresa terá capacidade de agir rápido e equipes suficientes para atender diferentes endereços?

A Enel divulga agora, entretanto, que acaba de lançar o plano operativo para o período do Verão. Dentre as iniciativas, está a capacidade de a empresa ampliar o número de técnicos trabalhando nas ruas, chegando em cerca de 2.300 profissionais.

“Em casos de contingência, acionamos todas as turmas que temos para atender às ocorrências emergenciais. Essa mobilização também será mais rápida este ano, devido à implementação de um sistema que proporciona um melhor gerenciamento da nossa força de trabalho, com despacho automático e inteligência artificial, responsáveis por direcionar as equipes de forma mais eficaz”, explica Rosario Zaccaria, Responsável por Infraestrutura e Redes da Enel Distribuição São Paulo.

No verão passado, a empresa justificou o atraso no retorno do fornecimento a alguns bairros por conta dos problemas de trânsito e deslocamento de equipes.

A Enel também informa ter investido em tecnologias que tornarão os atendimentos mais rápidos, como o Analytics que, automaticamente, encaminha a informação de queda de árvore ou de poste para os supervisores das equipes de campo, a partir das ligações recebidas no call center da companhia.

Além disso, a distribuidora mantém acordos com a Polícia Militar, Corpo de Bombeiros, Defesa Civil e Companhia de Engenharia de Tráfego. “O objetivo é agilizarmos os atendimentos às ocorrências que precisam do apoio de uma dessas instituições. No caso da Companhia de Engenharia de Tráfego, por exemplo, nossas equipes podem usar os corredores de ônibus, a partir de um determinado número de clientes com a energia interrompida”, complementa Rosario.

Investimentos

A empresa se defende das críticas e aponta que investiu, só ao longo de 2019, aproximadamente R$ 650 milhões. Parte desse aporte foi direcionada para a automação da rede elétrica. Até o fim deste ano, a previsão é ter mais de 6.400 religadores automáticos – equipamento que religa a rede automaticamente, em caso de defeito transitório, como galhos de árvores que encostaram nos fios – e identificadores de falta – localizam onde está o defeito na rede e sinalizam para o centro de operações o provável local do defeito, permitindo aos técnicos fazerem manobra na rede, à distância, isolando o trecho com defeito e religando o restante da rede.

Segundo a Enel, ambas as tecnologias ajudam a reduzir o número de clientes impactados e a agilizar o atendimento. Com isso, os indicadores operacionais da companhia registraram os melhores índices da história da empresa. O DEC, que mede a duração das interrupções, atingiu 7,04 horas, no terceiro trimestre deste ano, uma melhora de 5,9%, se comparado com o mesmo período de 2018.

Já o FEC, que mede a frequência das interrupções, totalizou 4,08 vezes, uma queda de 10,7%, entre julho e setembro deste ano, também se comparado com o mesmo período de 2018. Com isso, a Enel Distribuição São Paulo atingiu o melhor FEC dentre todas as distribuidoras brasileiras.

“Quando assumimos a operação da Enel, em São Paulo, tinham 5.600 equipamentos de automação instalados na área de concessão da empresa. Em pouco mais de um ano, aumentamos o parque em quase mil equipamentos a mais. Com isso, a partir da nossa Central de Operações, localizada em Barueri, em média, realizamos mais de 19 mil comandos remotos por mês, que agilizam o retorno no fornecimento de energia para os clientes de média e baixas tensões”, explica Zaccaria.

Recentemente, a empresa também entregou três novas subestações – Alphaville, Vila Mariana e Batistini – e a ampliação da subestação São Bernardo do Campo. Juntas, estão beneficiando cerca de 800 mil pessoas.

Outras melhorias

A empresa ainda alega que realizou mais de 200 mil podas de árvores, sem desligar a rede elétrica para não interromper o fornecimento de energia para os clientes.

Além dos equipamentos de automação, a Enel Distribuição São Paulo também utiliza termografia e helicópteros para fazer inspeções das linhas de subtransmissão da companhia, e drones para vistorias de segurança em serviços de redes de distribuição de energia.

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