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Depressão: quando a tristeza se transforma em doença

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A tristeza é uma emoção humana normal. Ela nos faz mais bondosos, quando sentimos compaixão pelo próximo, mas nos deixa mais vulneráveis, quando sofremos um revés na vida. Faz parte de nossa condição, e em certa medida não pode ser evitada. Entretanto, para algumas pessoas, essa tristeza pode “passar dos limites”, comprometer outros aspectos da vida e se transformar numa doença. Nós psiquiatras chamamos este problema de Depressão (também chamada de Depressão Maior, ou Episódio Depressivo Maior, para se distinguir da tristeza)
A Depressão pode começar depois de um episódio negativo, que provocaria tristeza em qualquer pessoa, mas muitas vezes começa “do nada”; a pessoa percebe que aos poucos que está mais triste, mais emotiva, sensível, sem que nada muito grave lhe tenha acontecido. Não importa se houve ou não um “evento desencadeante” para a Depressão; o que faz o diagnóstico é o fato de essa tristeza adquirir características diferentes daquela que todos sentem, mesmo que comece do mesmo modo. A tristeza da Depressão, que é chamada de Humor Depressivo, é mais profunda e “contamina” outros aspectos da vida da pessoa. Este Humor Depressivo já não está relacionado apenas ao evento desencadeante (se houve algum). Tudo parece que vai ficando sem graça; sair com os amigos, namorar, brincar com as crianças já não tem o mesmo gosto. Algumas coisas são feitas só por obrigação, enquanto outras são realizadas às custas de muito esforço.
A depressão vai afetando outros sistemas: alterações importantes do sono (insônia, ou ao contrário, sonolência excessiva); do apetite (alguns perdem o apetite e o peso, enquanto outros, mais ansiosos, passam a comer demais e a engordar); os movimentos ficam mais lentos, a fala pode ficar mais lenta, mas algumas pessoas parecem ficar mais inquietas, agitadas, com medo de algo que não sabem bem o que é. Muitos ficam inseguros e se cansam demais, mesmo não se movimentando muito, e podem surgir pensamentos de inutilidade, fracasso, desesperança. Em casos mais graves, podem surgir pensamentos de morte ou idéia de acabar com a própria vida.
Fundamental é reconhecer a depressão como um problema de saúde, que precisa ser diagnosticado e corretamente tratado. Infelizmente, muitos pacientes que sofrem uma Depressão nunca são diagnosticados; as pessoas à sua volta, e muitas vezes o próprio paciente, atribuem os sintomas de Depressão a algum evento da vida, à condição financeira, ou a uma “fraqueza” em reagir às adversidades a vida. A doença chega a ser confundida com preguiça, falta de fibra, covardia, o que só dificulta o diagnóstico e atrasa o tratamento.
O paciente precisa de uma avaliação médica, pois alguns exames complementares podem ser necessários para se verificar se algum distúrbio (metabólico, endocrinológico etc.) possa estar contribuindo para o desencadeamento da Depressão. Muitas doenças clínicas, do corpo da pessoa, podem precipitar uma Depressão. Para o diagnóstico da Depressão em si, no entanto, não existe nenhum exame laboratorial para ajudar. Somente com uma consulta médica (o médico psiquiatra é o profissional mais indicado) e com um cuidadoso exame do estado mental da pessoa afetada é possível se chegar ao diagnóstico correto. Uma vez diagnosticada, a Depressão precisa ser tratada, e os medicamentos antidepressivos são os mais utilizados, mas há ainda métodos não-farmacológicos, sempre determinados caso a caso.
Corretamente investigada e diagnosticada, a Depressão apresenta excelente prognóstico, com remissão total na maior parte das vezes.
Prof. Dr. Frederico
Navas Demetrio,
psiquiatra com pós-graduação pela USP (Doutorado),
é médico da CLIAD – Clínica de Ansiedade e Depressão
Av. Aratãs, 677- Moema.
Telefone: 5051-1963

 

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