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Cresce número de moradores de rua no Jabaquara

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O número de pessoas vivendo nas ruas da capital paulista não para de crescer nos últimos 20 anos. E a explicação não está na crise econômica: nos últimos anos, o ritmo de crescimento desacelerou, embora o número total continue aumentando.
O último Censo, realizado há um ano pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) mostrou 15.905 pessoas em situação de rua na cidade. Destas, aproximadamente a metade – 8.570 pessoas – são atendidas pelos serviços de acolhimento administrados pela Prefeitura por meio da Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social (SMADS) e passam a noite em abrigos.
Embora a grande concentração de moradores de rua seja no bairros ao redor da Praça da Sé e região central de forma geral, a Subprefeitura de Vila Mariana também tem sido uma das que mais concentra moradores de rua.
O número de pessoas vivendo em ruas dos distritos Vila Mariana e Saúde, entretanto, tem tido ligeira redução. Por outro lado, o número de pessoas vivendo no Jabaquara tem aumentado.
Moradores da região conseguem perceber esta realidade. Pontos escolhidos pelos moradores de rua no passado, como os baixos do viaduto Onze de Junho ou o canteiro central da Rua Domingos de Moraes, continuam servindo de moradia para pessoas e até pequenos núcleos familiares. Entretanto, em menor número.
Por outro lado, é perceptível que os baixos do viaduto Jabaquara, na Avenida dos Bandeirantes, continua concentrando alto número de pessoas, muitas delas usuárias de crack. Também o entorno de estações de metrô como Conceição e Jabaquara tem servido de abrigo.
No final de abril, a Fipe divulgou a segunda etapa do Censo, que traçou um perfil do morador de rua. Segundo a pesquisa, a maioria dessa população, tanto dos acolhidos quanto dos que vivem na rua, são do sexo masculino (88%). A faixa etária média é de 43 anos entre os acolhidos e de 41 anos entre os que estão na rua. Entretanto, há pessoas de até 86 anos entre os que vivem ao relento e de até 94 entre os que aceitam acolhimento em abrigos.
Com relação à cor declarada, 69,7% dos acolhidos e 72,1% dos que estão na rua se consideram “não brancos” (pretos, pardos, amarelos ou indígenas). Já com relação ao local de origem, a pesquisa constatou a presença majoritária de migrantes nessa situação: 73,4% entre os acolhidos e 71% entre os que vivem na rua. Também foi constatada uma presença expressiva de pessoas nascidas dentro do município de São Paulo – 26,6% dos acolhidos e 29% dos que estão na rua.
Na área da Subprefeitura de Vila Mariana, houve uma queda no número total e em todos os três distritos. Moema tinha 72 moradores de rua em 2010 e o censo mais recente apontou 44. O distrito Vila Mariana tinha 95 pessoas vivendo nas ruas no levantamento anterior e passou para 77. E o distrito Saúde tinha 45 pessoas e passou para 25.
Enquanto o total de pessoas nas ruas dos três distritos da Subprefeitura de Vila Mariana é de 146 pessoas, na área da Subprefeitura do Jabaquara, responsável por apenas um distrito, são 140 pessoas. Em 2010, havia menos da metade: 67.
A distribuição de pontos ocupados por pessoas também comprova que a situação é mais preocupante no Jabaquara: na Vila Mariana, os 146 moradores de rua vivem espalhados por 86 pontos diferentes nos três distritos, enquanto que no Jabaquara as 140 pessoas estão em apenas 48 pontos de um único distrito.
Saúde
A pesquisa também apontou que mais da metade da população de rua já passou por internação em alguma instituição, destacando-se o sistema prisional e as clínicas de recuperação de dependência de drogas e álcool. com relação ao uso de substâncias psicoativas, a pesquisa constatou que a mais utilizada é o álcool: 44,6% entre acolhidos e 70,1% entre os de rua.
Os problemas de saúde mais apontados foram de saúde bucal (27,5% dos acolhidos e 34,5% dos que estão na rua), sequela de acidentes (26% dos acolhidos e 26,7% dos que vivem na rua), HIV (3,3% dos acolhidos e 4,5% da rua) e tuberculose (3,9% dos acolhidos e 4,5% dos que estão na rua).

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