Jornal São Paulo Zona Sul

Como você cuida dos resíduos em casa?

A estimativa nacional é de que R$ 3 bilhões de reais são desperdiçados todos os anos por conta do não reaproveitamento de materiais recicláveis, que terminam nos aterros comuns, ocupando espaço e representando, em última instância, a necessidade de extrair mais matéria prima da natureza e novos custos de produção.
A coleta seletiva e a reciclagem ainda significam renda para milhares de famílias de catadores e pessoas que trabalham no processo de triagem de materiais em cooperativas por todo o país.
Assim, se há uma forma simples e gratuita de contribuir socialmente para a subsistência de milhares de pessoas e ainda preservar a natureza esse caminho é a separação de resíduos em casa. Mas, será que você sabe fazer isso?

Separação correta

É muito simples e não custa nada separar o material que pode fazer a diferença na vida das pessoas.

Ao chegar em casa do supermercado, já é possível perceber quanto do que compramos serve apenas para esse processo de transporte.
Caixas de embalagens de café ou de barras de chocolate, saquinhos de embalagens de feijão, arroz e outros grãos que podem ser transferidos para potes, tudo isso vai direto para o reciclável.

Aliás, uma boa dica é reservar potes de vidro que trazem produtos como compotas de doces, molhos de tomate, geléias, temperos, azeitonas e outras conservas. Eles podem servir para o armazenamento de grãos, açúcar, além de sobras de alimentos que vão para a geladeira ou freezer.

Seleção

Não é porque é papel que necessariamente pode ser reciclado. O mesmo vale para plásticos e outros itens que são supostamente recicláveis.

O isopor é um bom exemplo. Para que comprar frutas, verduras, legumes e frios em bandejas de isopor?

Embora já existam técnicas para reciclar esse tipo de plástico, na prática é um processo ainda restrito e caro. Além disso, as cooperativas não têm esse material em quantidade suficiente para ter valor de venda para a indústria recicladora.

“Nem sempre a embalagem que traz o símbolo de reciclável é efetivamente reciclada. Por conta da escala, ou seja, quantidade do material e por outros motivos, como processos caros de transformação em novos itens”, explica Telines Basílio do Nascimento Júnior,, conhecido por Carioca, que é presidente de uma das maiores cooperativas de catadores da capital, que congrega centenas de pessoas triando materiais recicláveis da zona sul da capital, diariamente.

Nesse momento, vale destacar que é importante também evitar a compra de itens que não têm embalagens efetivamente recicláveis. “Pacotes de salgadinhos e bolacha, por exemplo, que são brilhantes por dentro, não são recicláveis”, explica o Carioca.
Assim, produtos naturais, sem bandejas ou saquinhos, são sempre as melhores pedidas na hora da compra.

Limpeza

Afinal de contas, é preciso lavar embalagens antes de encaminhar à coleta seletiva?

A resposta não é tão automática. “Na verdade, todos os itens recicláveis passarão por processo de limpeza na indústria recicladora, retirando todos os resíduos indesejáveis”, explica Carioca.

No entanto, ele aponta a importância de tomar certos cuidados em nome do respeito ao trabalho dos catadores e à eficácia do processo de triagem.

“As embalagens podem ficar por vários dias no galpão da cooperativa. E os restos de alimento podem causar mau cheiro ou atrair roedores”, explica. Um breve enxague na embalagem não significará gasto expressivo de água e faz toda diferença no encaminhamento do material.

Outra maneira de contribuir com o trabalho de triagem é selecionar o que vai para o chamado lixo seco e limpo. Papel guardanapo com gordura, restos de maquiagem não é reciclável. Papel higiênico e outros produtos de uso pessoal não são recicláveis: hastes de algodão, absorventes e fraldas, por exemplo.

Da mesma forma, não devem ser enviadas embalagens de alimentos engorduradas, como caixas de pizza, embalagens de sanduíches ou lasanhas.

Cápsulas de máquina de café expresso representam outro desafio da atualidade para a indústria da reciclagem. Apesar de feitas de alumínio, elas ficam impregnadas de borra de café, dificultando o processo. As empresas que produzem as cápsulas, entretanto, estão desenvolvendo processos para reaproveitamento de material e destinação correta do resíduo.

Nesse caso, o consumidor precisa se informar junto aos fabricantes e descobrir onde depositar as cápsulas usadas. As marcas têm implantado pontos de coleta em supermercados e empórios – confira nos sites das empresas.

Não recicláveis

Fundamental lembrar também que alguns outros materiais não são recicláveis ou, ao menos, não são aproveitados nas centrais de triagem ou cooperativas.

Assim, preste atenção para não colocar nenhum dos materiais listados a seguir quando for separar em casa o material para encaminhar à reciclagem pela coleta seletiva domiciliar, serviço prestado nas zonas sul e leste da capital pela concessionária Ecourbis.

Para saber o horário em que a empresa faz a coleta domicilar comum ou a seletiva na rua onde mora, acesse: https://www.ecourbis.com.br/coleta/index.html

Papel limpo, latinhas de ferro e alumínio e diferentes tipos de plástico podem ser todos colocados em uma única embalagem – a separação será feita de forma automática na Central Mecanizada de Triagem Carolina Maria de Jesus ou de forma manual em cooperativas parceiras.

Cabos de panela:

se o cabo for feito de plástico, não será reciclado, assim como plásticos componentes de itens eletroeletrônicos e tomadas.

Papel carbono, celofane, alumínio, adesivos, papel fotográfico:

assim como o isopor, embalagens que usam esses materiais, fotografias ou itens de escritório feitos com eles não podem ser reciclados.

Embalagens contaminadas:

sprays, embalagens de agrotóxicos ou venenos não são aceitas nas centrais de triagem.

Retalhos e tecidos:

procure encaminhar para artesãos e ongs que usam esse material. Algumas lojas de roupas também têm aceito peças usadas não adequadas para doação e reuso solidário.

Porcelana e cerâmica:

Também pode ser reutilizado por artesãos, mas canecas, pratos e outros itens de porcelana não podem ser reciclados.

Objetos de madeira:

novamente, tente entidades ou artesãos. Caso contrário, despeje em ecopontos. A lista deles está em prefeitura.sp.gov.br.

Pneus:

fabricantes de pneus devem dar destinação adequada aos pneus. Por isso, deixe-os na loja na hora de comprar novos.
Lâmpadas: da mesma forma, lâmpadas devem ser retornadas aos fabricantes, por meio dos pontos de venda. Tome cuidado porque muitas delas contêm material infectante.

Lixo eletrônico:

há diversos pontos em parques, algumas subprefeituras e mesmo em estabelecimentos comerciais recebendo aparelhos usados, baterias, pilhas e suprimentos de informática e telefonia em geral.

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