Jornal São Paulo Zona Sul

Coleta seletiva será universalizada

Até o final de 2020, todas as ruas da cidade serão atendidas pela coleta seletiva de material reciclável. Atualmente, A coleta domiciliar seletiva já está presente em 94 distritos do município de São Paulo, cobrindo cerca de 75% das vias, mas a baixa adesão de muitas famílias faz com que as cooperativas de catadores parceiras da prefeitura ou as centrais mecanizadas de triagem de recicláveis operam abaixo da capacidade.

Para modificar essa situação, a Prefeitura tem feito vários investimentos – que vão da estrutura na cidade à ampliação das campanhas de conscientização da população para que separe o lixo doméstico – todos os recicláveis em um saco, os não recicláveis em outro. No primeiro semestre de 2019 foram recolhidas 39.3 mil toneladas de materiais recicláveis, o que representa um aumento de 2,5% em relação ao mesmo período de 2018, quando foram coletadas 38.4 mil toneladas.

Nas zonas sul e leste da capital, tanto a coleta regular quanto a seletiva são feitas pela concessionária Ecourbis Ambiental. Para saber em que horário o caminhão da coleta regular ou o da coleta seletiva passam em sua rua, basta acessar ecourbis.com.br/ecoleta.aspx.

De forma geral, em toda a cidade, o serviço de coleta conta com aproximadamente 5 mil funcionários e 400 veículos.

Metas

O atual Plano de Metas da cidade carrega boas notícias para quem valoriza o meio ambiente, a redução da emissão de poluentes na atmosfera, o consumo consciente e a diminuição da geração de resíduos, acompanhada pelo aumento da quantidade de materiais reciclados.

A Meta 24 já era conhecida dos paulistanos – apontava para a necessidade de reduzir em 500 mil toneladas a quantidade de resíduos encaminhada aos aterros sanitários diariamente, aumentando a vida útil deles. Ao mesmo tempo, a meta representa a ampliação da quantidade de recicláveis encaminhados às cooperativas parceiras da Prefeitura, gerando empregos e fomentando a economia circular, ou seja, a reutilização de materiais sem recorrer a novas extrações na natureza.

Na mais recente revisão do Plano de Metas, a atual gestão municipal ainda acrescentou duas propostas relacionadas à geração e à destinação de resíduos no município.

A atual meta 28 pretende universalizar a coleta seletiva nos 96 distritos da cidade de São Paulo até o fim de 2020. Em dezembro de 2018, havia 42 distritos universalizados, ou seja, distritos onde a coleta seletiva atende todas as ruas – que é o caso da Vila Mariana, por exemplo.

Até 2018, a Prefeitura buscou a universalização através do serviço “porta a porta”, que consiste no caminhão de coleta passando em todas as ruas/residências. Dada a dificuldade de alcançar algumas regiões e localidades, como ruas estreitas que não permitem a passagem do caminhão coletor, a AMLURB, em conjunto com as empresas que prestam o serviço de coleta, implantará um plano de universalização da coleta seletiva misto.

Isso significa que serão utilizados PEVs (Pontos de Entrega Voluntária) estrategicamente localizados de forma a permitir fácil acesso a toda a população de sua área de atuação, e também contêineres que podem receber os materiais recicláveis ao longo de toda a semana e, quando o caminhão da coleta seletiva passa, braços mecânicos são engatados neles e recolhem o que foi depositado pela população.

Poluentes

“Os contêineres já vêm sendo utilizados para armazenzar recicláveis em edifícios e agora vão ser instalados em diferentes bairros da cidade para ampliar o alcance da coleta seletiva em diferentes bairros da cidade”, comenta Walter de Fretias, superintendente de operações da Ecourbis Ambiental.

Ele explica que os contêineres agilizarão o cumprimento da meta. “O objetivo da Prefeitura é que moradores de todas as ruas da cidade, ainda em 2020, tenham a possibilidade de fazer a separação do lixo e encaminhar para a reciclagem”, diz.

A utilização de contêineres ainda apresenta vários outros benefícios para a cidade e para a preservação ambiental, especialmente significativa no caso da coleta seletiva.

“Há uma economia de combustível, os recicláveis não ficam expostos ao tempo ou a ação de animais. Todo o processo fica mais econômico e limpo, além de ambientalmente responsável”, diz o superintendente.

Essas ações ainda contribuem com a meta 30.2 do Plano, que prevê a redução de emissões de gás carbônico na atmosfera paulistana, portanto. O plano aponta que o objetivo é “reduzir as emissões em 131.000 toneladas de CO2 equivalente, mediante redução de resíduos enviados aos aterros municipais, provenientes de resíduos domiciliares, de podas de árvores e feiras livres”.

Potencial

“A coleta seletiva tem grande importância porque, além dos benefícios diretos ao meio ambiente, contribui na conscientização da população para a questão da geração e destinação de resíduos”, aponta Walter de Freitas.

Ele lembra que a capital paulista investiu na construção de duas modernas centrais mecanizadas de triagem. É a única cidade da América Latina, aliás, a contar com essas centrais, equipadas com maquinários europeus de primeira linha para o fracionamento de 500 toneladas de materiais processados diariamente (250 toneladas cada).

Ambas dispõem de uma capacidade de tratamento anual de aproximadamente 80 mil toneladas, mas atualmente operam bem abaixo desse total.

Na zona sul paulistana, opera a Central Mecanizada de Triagem Carolina Maria de Jesus, que leva esse nome em homenagem a uma catadora que se tornou escritora traduzida para várias línguas no mundo. Seu livro “Quarto de Despejo” foi escrito em cadernos e folhas encontradas no material reciclável que ela, como catadora, coletava.

Nas centrais de triagem, os recicláveis são separados por tipo, cor e tamanho. Depois do processo de segmentação, os resíduos são enfardados e vendidos, garantindo a renda de cerca de 1.200 famílias.

De acordo com o movimento Recicla Sampa, também criado pela Prefeitura para ampliar a conscientização, a educação ambiental e divulgar a importância da coleta seletiva, enquanto cerca de 40% dos resíduos gerados pelos paulistanos poderiam ser reciclados, apenas 7% efetivamente têm sido transformados.

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